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Quem é Jorginho d’Orkut, o primeiro influenciador digital do Brasil

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Jorginho d'Orkut
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Jorginho d’Orkut



No início de 2020, Jorge Batista Bento da Paz estava em um shopping em Belo Horizonte (MG), quando percebeu que um casal o estava encarando. Depois de um tempo, a dupla se aproximou e perguntou: você não é o  Jorginho d’Orkut ? O próprio.

Jorginho, como é chamado pelos amigos e familiares, fez sucesso na rede social em meados de 2006, quando fez sua campanha eleitoral para deputado estadual por Minas Gerais completamente online – uma inovação para a época. O político, hoje sem mandato, garante que é reconhecido nas ruas pela sua fama no Orkut até hoje, principalmente na sua amada Guaxupé.

“Muitos acreditam que a primeira campanha a utilizar fortemente as redes sociais foi a de Obama, em 2008, mas a minha que foi a pioneira”, afirma Jorginho, que também diz ser o primeiro influenciador digital do Brasil. Ele conta que, em 2006, chegou a ter quase 500 mil amigos no Orkut distribuídos em diversos perfis, já que a rede social não permitia mais que mil amigos por conta. Procurado pela reportagem, o Google , então dono do Orkut, não quis confirmar se o número é verdadeiro.

Campanha 100% virtual

A relação de Jorginho com o Orkut começou alguns anos antes da campanha de 2006, quando ele percebeu que a rede social poderia ser uma boa forma de conseguir votos para o sonhado cargo de deputado estadual. Sem dinheiro para realizar uma boa campanha física, a virtual foi o investimento escolhido.

“Ali, eu enxerguei uma ferramenta poderosa e eficiente que poderia ajudar a realizar uma campanha pela internet. Até então, o que os candidatos faziam era criar um site, com a biografia e as principais propostas de campanha. Ali eu vi um leque muito rico para fazer campanha”, lembra.

Com seus 20 e poucos anos, ele decidiu, então, chamar seu irmão e mais alguns amigos para ajudá-lo. “Todo mundo achou que ia ser uma boa ideia”, conta Thiago Bento, irmão mais novo de Jorge.

O aspirante a influenciador, então, comprou computadores e reformou o fundo da casa onde morava com os pais. “Parecia uma lan house”, lembra. Os amigos eram pagos com algo em torno de um salário mínimo para ficarem trabalhando na imagem de Jorginho d’Orkut.

Site da campanha eleitoral de Jorginho d'Orkut em 2006
Arquivo pessoal

Site da campanha eleitoral de Jorginho d’Orkut em 2006

O nome foi escolhido para associar, ao máximo, Jorge à rede social. Pelo mesmo motivo, seu site de campanha tinha o layout da plataforma, como na imagem acima. Cada um dos membros da equipe improvisada ficava responsável por uma certa quantidade de perfis no Orkut , todos com o mesmo nome. O objetivo era entrar em comunidades de cidades de Minas Gerais e adicionar o máximo possível de pessoas.

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O time trabalhava de madrugada, quando a internet, ainda discada, era mais barata e rápida. “Pegamos a relação das 853 cidades de Minas Gerais, por ordem alfabética e criamos uma grande quantidade de perfis. A ideia era adicionar todos os membros da comunidade no Orkut de cada cidade mineira, um por um”, conta Jorginho. “Essa turma folgava só de sábado para domingo”, lembra.

Ele lembra que a estratégia para ‘hitar’ na rede social era baseada em três pilares. Além da imagem atrelada à do Orkut e do grande número de amigos, a interação também era essencial. Todos os amigos de Jorginho recebiam mensagens de aniversário e scraps do amigo virtual, que foi se tornando famoso na região.

Thiago lembra que a fama foi tanta que começaram a surgir comunidades sobre Jorginho. “Tinham várias engraçadas, porque muita gente de Minas Gerais recebia solicitação de amizade dele, aí ninguém entendia muito bem o que que era”.

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‘Jorginho d’Orkut é um vírus’, ‘Sou amigo do Jorginho d’Orkut’, ‘Jorginho d’Orkut é carente’ e ‘Jorginho d’Orkut não existe’ eram algumas das comunidades, lembram os irmãos.

Campanha ficou para a história

Jorginho conta que sua fama extrapolou os limites do Orkut e, em passagens por outras cidades, como Belo Horizonte, chegou a ser reconhecido nas ruas e até a dar autógrafos. A campanha, conta ele, ficou famosa em todo o Brasil.

Depois de dois anos se popularizando na rede social , Jorginho partiu, de fato, para a campanha. Ele lembra que muitos políticos o contataram para tentar fazer campanhas parecidas. “Foi bem estruturado o trabalho e com bastante antecedência. Muito candidato procurou, na hora que o trem bombou, nas vésperas das eleições, querendo informações. Eu explicava: não é de agora, é um trabalho feito desde 2004”, afirma.

Até hoje, é possível encontrar referências à campanha de Jorginho em artigos científicos da área do direito e do marketing político. A advogada Ana Amelia Menna Barreto, que acompanha a legislação eleitoral a respeito de campanhas na internet desde 2004, lembra que Jorginho foi um  case de sucesso.

“A coisa foi muito grande. Ele ousou, ele virou um case porque ele ousou utilizar a rede social. Ele foi um precursor, se fala de Orkut e se lembra dele. Teve uma badalação muito grande acerca do candidato, que usou as redes sociais quando nem se usava. Depois que ele abriu esses caminhos, outros utilizaram. Ele definitivamente foi um case que ficou para a história, como o primeiro a ter usado as redes sociais como plataforma de campanha [no Brasil]”, afirma a advogada.

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Na ocasião, diz ela, a legislação eleitoral a respeito do uso de redes sociais ainda era muito nebolusa por estar em desenvolvimento. Por isso, alguns candidatos tinham medo por não saberem se era permitido, de fato, utilizar as plataforma digitais para este fim.

Campanha de sucesso? Quase!

O grande  case de sucesso de Jorginho d’Orkut é, também, uma grande frustração para Jorge. E nem foi porque a legislação eleitoral encontrou algum problema em sua campanha, mas sim porque o próprio Orkut derrubou todos os seus perfis. “Foi trágico”, afirma.

Banner da campanha eleitoral de Jorginho d'Orkut em 2006
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Banner da campanha eleitoral de Jorginho d’Orkut em 2006

“Na reta final da campanha, o Orkut simplesmente apagou todos os perfis do Jorginho d’Orkut da plataforma. Todo o trabalho realizado em mais de dois anos havia sido apagado em um piscar de olhos, do dia para a noite. Não pude nem ao menos pedir o voto de confiança de seus amigos virtuais”, conta o político.

Jorginho conta que, na época, chegou a ir à sede do Google em Belo Horizonte e enviou um email a Orkut Büyükkökten , o fundador da rede social, mas não obteve retorno. “Até hoje, eu não sei o que aconteceu, simplesmente apagaram todos os perfis em um momento crucial”. Procurado pela reportagem, o Google optou por não comentar o caso.

“É lógico que não era todo mundo que iria votar. Mas se 5%, 10% retornassem em voto, seria mais do que o suficiente para ser eleito. Mas, infelizmente, aconteceu isso deles apagarem. Então, foi um balde de água fria na nossa campanha na última hora”, lembra. Ao todo, Jorginho conseguiu 16.360 votos, insuficientes para elegê-lo como deputado estadual por Minas Gerais. “Infelizmente, tudo se findou restando apenas uma boa história a ser contada”.

Hoje, Jorge segue na vida política, mas confessa que “ficou com trauma” das campanhas por redes sociais . Em 2020, tentou se eleger prefeito de Guaxupé, mas acabou em terceiro lugar na disputa.

Do Jorginho d’Orkut , restou apenas um fã saudosista da rede social mais amada pelos brasileiros. “Hoje é muito capitalista, aparece propaganda de muita coisa, então isso estraga as redes sociais. Eu ainda sou fã do Orkut, acho que deveria voltar uma versão com o nome Orkut mesmo. Eu sei que o dono criou uma outra rede social lá, mas acho que ele tinha que criar um Orkut versão 5G com o nome Orkut mesmo. Não sendo capitalista igual são as demais redes sociais, acho que ia ter mais graça”, opina.

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Robô bípede é o primeiro do mundo a completar corrida de 5km; assista

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Robô Cassie correndo
Reprodução/Youtube

Robô Cassie correndo

Um robô bípede construído pela Agility Robotics, da Oregon State University, fez sua primeira corrida de 5 km em 53 minutos e 3 segundos e, acredite, sem precisar de uma carga de bateria.

Chamada de Cassie, a robô foi desenvolvida sob a direção do professor de robótica Jonathan Hurst com uma bolsa de US$ 1 milhão paga pela Agência de Projetos de Pesquisa Avançada, do Departamento de Defesa dos Estados Unidos, nos 16 meses do projeto.

“Os alunos do Dynamic Robotics Laboratory no OSU College of Engineering combinaram conhecimentos de biomecânica e abordagens de controle de robôs existentes com novas ferramentas de machine learning. Este tipo de abordagem holística permitirá a semelhança com os animais nos mesmos níveis de desempenho. É incrivelmente emocionante”, exaltou Hurst, que foi cofundador da Agility em 2017.

“Em um futuro não muito distante, todos verão e interagirão com robôs em muitos lugares em suas vidas diárias, robôs que trabalham ao nosso lado e melhoram nossa qualidade de vida”, completou ele.

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O sucesso do projeto fez com que o professor e seus alunos apresentassem um artigo na conferência Robotics: Science and Systems neste mês.

Aprendizado de reforço profundo

Com joelhos dobrados como os de um avestruz, a robô aprendeu sozinha a correr com o que é conhecido como algoritmo de aprendizado de reforço profundo. “O aprendizado por reforço profundo é um método poderoso em inteligência artificial (IA) que desenvolve habilidades como correr, pular e subir e descer escadas”, explicou Yesh Godse, aluno de graduação do laboratório.

Cassie caiu duas vezes no percurso: uma por causa de um computador superaquecido e outra porque a robô foi solicitada a executar uma curva em uma velocidade muito alta. No total, foram 6 minutos e 30 segundos de reinicializações.

“Cassie é um robô muito eficiente por causa de como foi projetado e construído, e fomos realmente capazes de atingir os limites do hardware e mostrar o que ele pode fazer”, finalizou Jeremy Dao, aluno do Dynamic Robotics Laboratory no OSU College of Engineering.

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