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Redmi Note 10 Pro: caro para um intermediário, mas bom demais para a categoria

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Redmi Note 10 Pro, da Xiaomi
iG Tecnologia/Dimítria Coutinho

Redmi Note 10 Pro, da Xiaomi



Há alguns anos, poderíamos dizer que o mercado de smartphones estava dividida em três categorias: os celulares básicos, os intermediários e os topo de linha. Conforme os intermediários foram se tornando mais robustos e caros, surgiu uma categoria comumente chamada na indústria de “intermediário premium”, nome bonitinho para te explicar o porquê de um modelo que não é tão bom assim custar mais caro. Agora, a Xiaomi trouxe para o Brasil o que a própria marca chama de “intermediário super premium” com a chegada do Redmi Note 10 Pro .

A família Redmi Note é, por tradição, uma série de celulares intermediários. Desta vez, porém, muitas das características vistas no Redmi Note 10 Pro só são encontradas em celulares topo de linha, como é o caso da câmera de 100 MP, da tela poderosa e dos alto-falantes duplos. Com isso, é claro, o celular ficou mais caro, e é vendido no Brasil por a partir de R$ 3,3 mil.

Como o próprio head da Xiaomi no Brasil, Luciano Barbosa, costuma dizer, caro é aquilo que não corresponde às suas expectativas. E o Redmi Note 10 Pro está com preço alto, mas também traz especificações tão interessantes que me fazem acreditar que o modelo compensa. Se você quer funções mais poderosas do que as dos celulares de R$ 2 mil, mas não precisa de um processamento tão poderoso como os presentes nos celulares acima de R$ 5 mil, esse pode ser o smartphone ideal para você. Abaixo, te conto todas as minhas impressões sobre ele.

A câmera do Redmi Note 10 Pro

O principal recurso presente neste smartphone, sem dúvida, é o conjunto de câmeras traseiras. O modelo traz uma lente principal de 108 MP com abertura maior que promete boas fotos noturnas, telemacro de 5MP, ultra angular de 8MP e um sensor de profundidade de 2MP.

A câmera frontal de 16 MP também surpreende bastante, com imagens nítidas e com a cor certa. Além das especificações, a Xiaomi usa muita inteligência artificial para tornar as fotos ainda melhores. São muitos recursos presentes, incluindo o modo profissional, o que torna a experiência bastante atrativa para quem gosta de fotos.

Começando pelos recursos mais comuns, a câmera macro é muito boa e faz fotos de objetos próximos com bastante riqueza de detalhes. O modo retrato, também conhecido como “efeito bokeh” é, sem dúvidas, um dos melhores que eu já testei. O recorte no rosto da pessoa fica perfeito, e o fundo fica desfocado na medida certa. As fotos a seguir foram feitas com a câmera frontal:

Fotos sem e com o modo retrato
iG Tecnologia/Dimítria Coutinho

Fotos sem e com o modo retrato

Indo para características mais exclusivas de celulares mais avançados, a Xiaomi trouxe para o Redmi Note 10 Pro o efeito de longa exposição, que permite captar rastros de movimento e fotos do céu durante a noite, por exemplo. O recurso é bastante interessante e funciona bem.

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Outro atrativo são os clones, recurso da Xiaomi que permite que uma mesma pessoa apareça várias vezes em uma foto ou vídeo. Nos testes, tive problemas de acertar o uso do recurso, porque algumas vezes o celular não entendeu direito onde a pessoa estava. Cenários com fundo liso são onde o recurso realmente funciona (e é bastante impressionante, duplicando até as sombras).

Mas tudo isso pode ser feito sem uma câmera de 100 MP. Afinal, por que a Xiaomi apostou nessa lente (que, sem dúvidas, torna o celular mais caro) no Redmi Note 10 Pro ? Além da nitidez das imagens que são entregues (não tenho do que reclamar sobre isso), outra promessa é o modo noturno : a maior abertura da lente deveria fazer boas imagens em baixa luminosidade.

Você viu?

A verdade é que eu não achei que esse recurso funciona tão bem. Em ambientes escuros para fotografar pessoas, o celular realmente entrega fotos que não granulam, mas elas continuam escuras e as cores ficam um pouco distorcidas. Para fotos de paisagem à noite, o recurso me desagradou ainda mais: o ambiente clareia tanto que parece que a foto foi feita de dia. Confira:

Modo noturno do Redmi Note 10 Pro
iG Tecnologia/Dimítria Coutinho

Modo noturno do Redmi Note 10 Pro

A câmera do Redmi Note 10 Pro ainda promete zoom de até 10x e câmera ultra angular. O zoom funciona e traz detalhes, mas a qualidade é bastante perdida. No que diz respeito às imagens com plano maior, o recurso funciona bem. Na imagem abaixo, confira um mesmo cenário na ultra angular, modo padrão e zoom de 10x:

Comparação dos três modos
iG Tecnologia/Dimítria Coutinho

Comparação dos três modos

Por fim, a câmera ainda conta com um modo de inteligência artificial que promete melhorar as cores das fotos, tornando-as mais bonitas. Para o meu gosto, as cores realçadas ficaram um pouco forçadas, parecidas com as imagens estilizadas do Google Fotos .

Fotos sem e com inteligência artificial
iG Tecnologia/Dimítria Coutinho

Fotos sem e com inteligência artificial

Design do Redmi Note 10 Pro

Para além da câmera, outra característica que chama a atenção é o design do Redmi Note 10 Pro. O celular é realmente muito bonito e a cor que eu testei, o cinza ônix, é uma mistura de cinza com preto que deixa o smartphone bastante elegante.

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O notch na parte frontal do dispositivo é tão discreto que, por vezes, me esqueci que ele estava ali enquanto jogava ou assistia a vídeos. O sensor de impressão digital na lateral do dispositivo funciona muito (muito!) bem e assume uma posição bastante confortável.

Design do Redmi Note 10 Pro
iG Tecnologia/Dimítria Coutinho

Design do Redmi Note 10 Pro

A respeito do design, eu só reclamaria de duas coisas. O módulo de câmeras saltado para fora dá aflição para os desastrados de plantão (eu!), e o vidro traseiro do celular fica com marcas dos dedos com muita facilidade.

Módulo da câmera é saltado para fora
iG Tecnologia/Dimítria Coutinho

Módulo da câmera é saltado para fora

Experiência no Redmi Note 10 Pro

O Redmi Note 10 Pro vem equipado com Android 11 e MIUI 12 , que traz uma interface bastante limpa, intuitiva e bonita. Mas a Xiaomi manda o celular de fábrica com muitos aplicativos instalados, desde Netflix, TikTok e Facebook até jogos, aplicativos Google e Xiaomi. É preciso fazer uma limpa logo que o celular chega para não ficar com tantos apps desnecessários consumindo espaço e bateria. Por falar nela, a bateria de 5.020 mAh e carregador rápido de 33W (que vem na caixa) dão conta do recado.

Um dos grandes atrativos que mais me chamou a atenção são os alto-falantes duplos, raros de serem encontrados em smartphones intermediários . O recurso torna a experiência de jogos e filmes bem mais imersiva. Além disso, a tela AMOLED com taxa de atualização de 120 Hz também impressionam na categoria.

Com tantos recursos premium, o Redmi Note 10 Pro vem equipado com um processador… intermediário. O Snapdragon 732G , da Qualcomm , é um bom processador, mas não é dos melhores. Testei jogos com gráficos pesados e o modelo, acompanhado dos 6GB de memória RAM, deu conta.

Em um uso a longo prazo, porém, pode ser que o processador decepcione os usuários mais frequentes, principalmente porque ele precisa dar suporte a tantos recursos presentes no celular.

Redmi Note 10 Pro: o veredicto final

Os recursos premium do Redmi Note 10 Pro são bastante interessantes e o celular é uma boa opção, sobretudo, para quem gosta de fazer fotos, vídeos e produzir conteúdos para as redes sociais .

A câmera realmente tem uma infinidade de opções e dá para “brincar” bastante com ela – algumas funcionam bem, outras nem tanto. O preço salgado do Redmi Note 10 Pro é justificado pelos seus recursos. Então, se você pode pagar por ele, este é um bom smartphone .

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Quem é Jorginho d’Orkut, o primeiro influenciador digital do Brasil

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Jorginho d'Orkut
Arquivo pessoal

Jorginho d’Orkut



No início de 2020, Jorge Batista Bento da Paz estava em um shopping em Belo Horizonte (MG), quando percebeu que um casal o estava encarando. Depois de um tempo, a dupla se aproximou e perguntou: você não é o  Jorginho d’Orkut ? O próprio.

Jorginho, como é chamado pelos amigos e familiares, fez sucesso na rede social em meados de 2006, quando fez sua campanha eleitoral para deputado estadual por Minas Gerais completamente online – uma inovação para a época. O político, hoje sem mandato, garante que é reconhecido nas ruas pela sua fama no Orkut até hoje, principalmente na sua amada Guaxupé.

“Muitos acreditam que a primeira campanha a utilizar fortemente as redes sociais foi a de Obama, em 2008, mas a minha que foi a pioneira”, afirma Jorginho, que também diz ser o primeiro influenciador digital do Brasil. Ele conta que, em 2006, chegou a ter quase 500 mil amigos no Orkut distribuídos em diversos perfis, já que a rede social não permitia mais que mil amigos por conta. Procurado pela reportagem, o Google , então dono do Orkut, não quis confirmar se o número é verdadeiro.

Campanha 100% virtual

A relação de Jorginho com o Orkut começou alguns anos antes da campanha de 2006, quando ele percebeu que a rede social poderia ser uma boa forma de conseguir votos para o sonhado cargo de deputado estadual. Sem dinheiro para realizar uma boa campanha física, a virtual foi o investimento escolhido.

“Ali, eu enxerguei uma ferramenta poderosa e eficiente que poderia ajudar a realizar uma campanha pela internet. Até então, o que os candidatos faziam era criar um site, com a biografia e as principais propostas de campanha. Ali eu vi um leque muito rico para fazer campanha”, lembra.

Com seus 20 e poucos anos, ele decidiu, então, chamar seu irmão e mais alguns amigos para ajudá-lo. “Todo mundo achou que ia ser uma boa ideia”, conta Thiago Bento, irmão mais novo de Jorge.

O aspirante a influenciador, então, comprou computadores e reformou o fundo da casa onde morava com os pais. “Parecia uma lan house”, lembra. Os amigos eram pagos com algo em torno de um salário mínimo para ficarem trabalhando na imagem de Jorginho d’Orkut.

Site da campanha eleitoral de Jorginho d'Orkut em 2006
Arquivo pessoal

Site da campanha eleitoral de Jorginho d’Orkut em 2006

O nome foi escolhido para associar, ao máximo, Jorge à rede social. Pelo mesmo motivo, seu site de campanha tinha o layout da plataforma, como na imagem acima. Cada um dos membros da equipe improvisada ficava responsável por uma certa quantidade de perfis no Orkut , todos com o mesmo nome. O objetivo era entrar em comunidades de cidades de Minas Gerais e adicionar o máximo possível de pessoas.

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O time trabalhava de madrugada, quando a internet, ainda discada, era mais barata e rápida. “Pegamos a relação das 853 cidades de Minas Gerais, por ordem alfabética e criamos uma grande quantidade de perfis. A ideia era adicionar todos os membros da comunidade no Orkut de cada cidade mineira, um por um”, conta Jorginho. “Essa turma folgava só de sábado para domingo”, lembra.

Ele lembra que a estratégia para ‘hitar’ na rede social era baseada em três pilares. Além da imagem atrelada à do Orkut e do grande número de amigos, a interação também era essencial. Todos os amigos de Jorginho recebiam mensagens de aniversário e scraps do amigo virtual, que foi se tornando famoso na região.

Thiago lembra que a fama foi tanta que começaram a surgir comunidades sobre Jorginho. “Tinham várias engraçadas, porque muita gente de Minas Gerais recebia solicitação de amizade dele, aí ninguém entendia muito bem o que que era”.

Você viu?

‘Jorginho d’Orkut é um vírus’, ‘Sou amigo do Jorginho d’Orkut’, ‘Jorginho d’Orkut é carente’ e ‘Jorginho d’Orkut não existe’ eram algumas das comunidades, lembram os irmãos.

Campanha ficou para a história

Jorginho conta que sua fama extrapolou os limites do Orkut e, em passagens por outras cidades, como Belo Horizonte, chegou a ser reconhecido nas ruas e até a dar autógrafos. A campanha, conta ele, ficou famosa em todo o Brasil.

Depois de dois anos se popularizando na rede social , Jorginho partiu, de fato, para a campanha. Ele lembra que muitos políticos o contataram para tentar fazer campanhas parecidas. “Foi bem estruturado o trabalho e com bastante antecedência. Muito candidato procurou, na hora que o trem bombou, nas vésperas das eleições, querendo informações. Eu explicava: não é de agora, é um trabalho feito desde 2004”, afirma.

Até hoje, é possível encontrar referências à campanha de Jorginho em artigos científicos da área do direito e do marketing político. A advogada Ana Amelia Menna Barreto, que acompanha a legislação eleitoral a respeito de campanhas na internet desde 2004, lembra que Jorginho foi um  case de sucesso.

“A coisa foi muito grande. Ele ousou, ele virou um case porque ele ousou utilizar a rede social. Ele foi um precursor, se fala de Orkut e se lembra dele. Teve uma badalação muito grande acerca do candidato, que usou as redes sociais quando nem se usava. Depois que ele abriu esses caminhos, outros utilizaram. Ele definitivamente foi um case que ficou para a história, como o primeiro a ter usado as redes sociais como plataforma de campanha [no Brasil]”, afirma a advogada.

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Na ocasião, diz ela, a legislação eleitoral a respeito do uso de redes sociais ainda era muito nebolusa por estar em desenvolvimento. Por isso, alguns candidatos tinham medo por não saberem se era permitido, de fato, utilizar as plataforma digitais para este fim.

Campanha de sucesso? Quase!

O grande  case de sucesso de Jorginho d’Orkut é, também, uma grande frustração para Jorge. E nem foi porque a legislação eleitoral encontrou algum problema em sua campanha, mas sim porque o próprio Orkut derrubou todos os seus perfis. “Foi trágico”, afirma.

Banner da campanha eleitoral de Jorginho d'Orkut em 2006
Arquivo pessoal

Banner da campanha eleitoral de Jorginho d’Orkut em 2006

“Na reta final da campanha, o Orkut simplesmente apagou todos os perfis do Jorginho d’Orkut da plataforma. Todo o trabalho realizado em mais de dois anos havia sido apagado em um piscar de olhos, do dia para a noite. Não pude nem ao menos pedir o voto de confiança de seus amigos virtuais”, conta o político.

Jorginho conta que, na época, chegou a ir à sede do Google em Belo Horizonte e enviou um email a Orkut Büyükkökten , o fundador da rede social, mas não obteve retorno. “Até hoje, eu não sei o que aconteceu, simplesmente apagaram todos os perfis em um momento crucial”. Procurado pela reportagem, o Google optou por não comentar o caso.

“É lógico que não era todo mundo que iria votar. Mas se 5%, 10% retornassem em voto, seria mais do que o suficiente para ser eleito. Mas, infelizmente, aconteceu isso deles apagarem. Então, foi um balde de água fria na nossa campanha na última hora”, lembra. Ao todo, Jorginho conseguiu 16.360 votos, insuficientes para elegê-lo como deputado estadual por Minas Gerais. “Infelizmente, tudo se findou restando apenas uma boa história a ser contada”.

Hoje, Jorge segue na vida política, mas confessa que “ficou com trauma” das campanhas por redes sociais . Em 2020, tentou se eleger prefeito de Guaxupé, mas acabou em terceiro lugar na disputa.

Do Jorginho d’Orkut , restou apenas um fã saudosista da rede social mais amada pelos brasileiros. “Hoje é muito capitalista, aparece propaganda de muita coisa, então isso estraga as redes sociais. Eu ainda sou fã do Orkut, acho que deveria voltar uma versão com o nome Orkut mesmo. Eu sei que o dono criou uma outra rede social lá, mas acho que ele tinha que criar um Orkut versão 5G com o nome Orkut mesmo. Não sendo capitalista igual são as demais redes sociais, acho que ia ter mais graça”, opina.

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