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Traumas podem ser passados para outras gerações? Especialista explica

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Produções que abordam o trauma geracional têm ganhado popularidade
Pexels/Liza Summer

Produções que abordam o trauma geracional têm ganhado popularidade

O que “Gilmore Girls”, “Red: Crescer é uma Fera” e “Encanto” têm em comum? Todas essas produções audiovisuais trazem, entre outros demas, o debate sobre traumas transgeracionais; ou seja, que uma dor ou medo pode ser passada de geração para geração dentro da mesma família, afetando sua estrutura.

Uma das perguntas centrais sobre essa possibilidade é de que maneira esse trauma é perpetuado por gerações. Em 2015, um estudo foi realizado pela Escola de Medicina do Hospital Mount Sinai, nos Estados Unidos, com descendentes de vítimas do Holocausto. Foi possível constatar que os traumas interferiam na epigenética de diversos voluntários, apresentando uma alteração nas respostas ao estresse. 

“A ideia de que há um sinal epigenético em descendentes de sobreviventes de traumas pode ter múltiplos significados”, aponta Rachel Yehuda, coautora da pesquisa. Diversos grupos marginalizados também apresentam sinais parecidos, como pessoas negras, que performam ciclos de comportamentos causados pelo trauma do racismo. 

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Outros estudos também se aprofundaram na temática. Cientistas da Universidade Emory, também nos Estados Unidos, estudaram a transmissão do trauma pelo cheiro. A pesquisa expôs ratos ao aroma de cereja enquanto eles eram eletrocutados. Com o tempo, as cobaias associaram o aroma da cereja a dor. 

No entanto, quando os filhotes desses ratos nasceram, algo chamou a atenção dos pesquisadores: apesar de eles nunca terem sido expostos às correntes elétricas, os filhotes também ficavam assustados com o cheiro de cereja. Embora os atuais resultados já sejam bastante promissores, o estudo da área ainda está em andamento e necessita de pesquisas com um maior índice de voluntários. 

Fatores sociais 

O fator genético não é o único que pode perpetuar os traumas. Segundo a psicóloga Sheila Giannini, quando não existe um diálogo sobre essas experiências traumáticas ou uma preocupaçã  com a saúde mental, eles podem ser transmitidos às próximas gerações.

“Acredita-se que em um ambiente onde não se dialoga sobre os traumas vividos pelas gerações anteriores, tendo apenas as consequências em ações, pode ser desenvolvido medos e anseios, naqueles que não viveram essas experiências traumáticas”, explica a psicóloga. 

Ela também crítica a cultura de se ignorar os traumas, o que pode ser um agravante em potencial. A especialista pontua que essa cultura interfere significativamente nas relações entre pais e filhos, levando muitas vezes à reprodução inconsciente de comportamentos negativos.

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“Há uma cultura de não falar sobre o problema e só repassar as proibições, muitas vezes pela ausência de conhecimento e diálogo sobre o evento traumático. Esse tipo de atitude pode causar reações nessa nova geração, acarretando em curiosidade, questionamentos, falta de compreensão e muitas vezes reprodução”, diz Sheila. 

Solidão das mulheres brasileiras 

De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), quase metade dos lares brasileiros são chefiados por mulheres, algo em torno de 34,4 milhões de famílias. Além disso, mesmo quando existe a presença de uma figura masculina, a mulher ainda é majoritariamente a principal cuidadora dos filhos.

Para Giannini, é importante refletir como esse abandono vivido afeta essas mulheres e crianças. Esse trauma pode criar um ciclo vicioso de comportamentos. 

“É importante pensarmos o porquê de termos tantos lares matriarcais. É incontestável o fato de que existe um abandono destas mulheres e que os traumas vividos pelas mais velhas serão repassados às demais gerações. É difícil romper esse ciclo”, fala Giannini. 

A psicóloga analisa ainda que essa transmissão de traumas não costuma ser algo consciente e que possui muitas variações, já que cada pessoa têm a sua própria realidade e histórico psicossocial. 

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Fonte: IG Mulher

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#EuTambémFaloDePolítica: mulheres na política contra o assédio sexual

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Movimento apoia campanha contra assédio na política
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Movimento apoia campanha contra assédio na política

Neste ano de eleições o Me Too Brasil lança uma campanha contra o assédio sexual na política. A apresentação da hashtag #EuTambémFaloDePolítica acontecerá nesta quinta (11), às 19h, em evento híbrido com a participação de parlamentares e pré-candidatas. O evento será transmitido pelo Instagram do Me Too Brasil.

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A campanha busca combater a violência e o assédio sexual na política, tanto na frente das câmeras quanto nos bastidores, e acolher as vítimas para que se sintam preparadas para romper o silêncio e denunciar os abusadores. A organização entende que a política deve ser um espaço seguro para todos e todas.

“As marcas da violência sexual sofrida por parlamentares é apenas a ponta do iceberg. Existem muitas servidoras, assessoras, jornalistas terceirizadas envolvidas no espaço político que sofrem sem termos a dimensão ou a devida visibilidade”, explica Mariana Luz, psicóloga e diretora do Me Too Brasil.

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Acompanhe também perfil geral do Portal iG no Telegram ! Confirmaram presença no evento as pré-candidatas a deputada federal por São Paulo, Cidinha Raiz (PSD), Erika Hilton (PSOL) e Mônica Rosenberg (Novo); e as pré-candidatas a deputada estadual do mesmo estado, Adriana Vasconcellos (MDB), Gabriela Sabino (PSB), Isabela Rahal (PSB), Marina Helou (Sustentabilidade) e Patrícia Bezerra (PSDB). O evento é uma parceria do Me Too Brasil com a organização não-governamental Vamos Juntas e conta com o patrocínio do Free Soul Food e Chef Jamal.

Fonte: IG Mulher

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