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    Biodiversidade em perigo: pesquisa sinaliza alerta vermelho para diversas espécies da fauna de Mato Grosso

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    Um estudo recente realizado pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) revelou a preocupante situação de várias espécies da fauna brasileira que estão em risco de extinção. A análise, realizada por meio do Sistema de Avaliação do Risco de Extinção da Biodiversidade (SALVE), apontou diversas espécies de aves, mamíferos, répteis e peixes ameaçadas em diferentes biomas do país, incluindo a região de Mato Grosso.

    Crédito: Pablo Cerqueira. Aburria cujubi ocorre na Amazônia brasileira e em áreas do Cerrado fortemente impactada na área de contato ao sul da Amazônia.

    No estado do Mato Grosso, a biodiversidade é rica e abriga uma grande quantidade de espécies endêmicas, tornando-se um importante refúgio para a fauna brasileira. No entanto, muitas dessas espécies estão sob sério risco de extinção devido a fatores como desmatamento, caça ilegal, tráfico de animais e mudanças climáticas.

    Dentre as aves ameaçadas encontradas em Mato Grosso, destaca-se a águia-cinzenta (Urubitinga coronata). É uma espécie rara, com grande área de vida, cerca de 500 km2 por casal, e que já foi registrada na Chapada dos Guimarães. Estima-se que no Brasil existam entre 600 e 1.000 indivíduos maduros, distribuídos em cerca de 300 localidades de ocorrência.

    Fonte: Museu do Cerrado. Créditos: Álvaro César de Araújo

    Infelizmente, a águia-cinzenta enfrenta diversas ameaças que colocam em risco sua sobrevivência. A perda de habitat, especialmente devido à expansão agrícola, a perseguição, o tráfico ilegal e a contaminação por defensivos agrícolas têm levado a um declínio populacional continuado. Mesmo as grandes áreas remanescentes onde a espécie é encontrada no Brasil não suportam subpopulações maiores que 250 indivíduos maduros. A avaliação da espécie não é alterada quando se verifica a influência da população oriunda de outros países. Com base nos critérios C2a(i), a águia-cinzenta foi categorizada como Em Perigo (EN), assim como a ave cabeça-de-prata (Lepidothrix iris), espécie endêmica do Brasil, com ocorrência restrita aos estados do Pará, Maranhão e Mato Grosso. Sua distribuição se sobrepõe a áreas de intenso desmatamento, incluindo áreas de influência da BR-163. Baseado em perda de habitat suspeita-se que houve perda populacional maior que 50% em três gerações (13 anos). Desta forma, L. iris foi categorizada como Em Perigo (EN) pelo critério A2c.

    Dentre as aves pode-se citar também a cujubi (Aburria cujubi), os registros desta espécie ao longo da sua área de distribuição vêm declinando, sendo necessário monitoramento populacional. A espécie muito procurada por caçadores, sofrendo também com a destruição do seu habitat, uma vez que é sensível a alterações ambientais. As perdas populacionais em três gerações passadas, baseadas em níveis reais ou potenciais de exploração, podem ser consideradas maiores que 30%. Por estas razões, A. cujubi foi categorizada como Vulnerável (VU) A2d, além da tovaca-estriada (Chamaeza nobilis fulvipectus), a choca-de-garganta-preta (Clytoctantes atrogularis), o tiê-bicudo (Conothraupis mesoleuca) e o uirapuru-dos-flancos-cinza (Cyphorhinus griseolateralis). Essas espécies, classificadas como vulneráveis (VU) e em perigo (EN), têm enfrentado perda de habitat e redução das populações.

    Entre os mamíferos, o destaque vai para o lobo-guará (Chrysocyon brachyurus), um dos maiores canídeos da América do Sul. Esse majestoso animal é conhecido por sua pelagem vermelha e juba negra e tem seu habitat comprometido pelas atividades humanas, principalmente o desmatamento e a expansão agrícola.

    Crédito: Alan Bolzan. O cervo-do-pantanal Blastocerus dichotomus distribui-se pelas planícies alagáveis e outras áreas úmidas de ambiente aberto da região centro-Sul da Ámerica do Sul.

    O cervo-do-pantanal (Blastocerus dichotomus), cujas principais ameaças para espécie são a perda e degradação de habitat, caça, implantação de hidrelétricas e transmissão de doenças.

    Considerando o provável declínio populacional de 25% em função das projeções de redução das chuvas e a redução da ordem de 7% das áreas inundáveis pela implantação de uma hidrovia prevista para o Rio Paraguai no Pantanal (maior contingente da espécie no Brasil), bem como a perspectiva de redução mais severa nas demais populações no país, projeta-se declínio populacional de, pelo menos, 30% nos próximos 18 anos (3 gerações). Este cenário permite a classificação da espécie no critério A3, baseado em índice de abundancia apropriado para o táxon (b) e declínio na qualidade do habitat (c). Portanto, B. dichotomus foi categorizada como Vulnerável (VU) pelo critério A3bc.

    A onça-pintada (Panthera onca), o tamanduá-bandeira (Myrmecophaga tridactyla), o macaco-prego (Sapajus cay), o cuxiú (Chiropotes utahickae), também conhecido como macaco-de-cheiro, o cachorro-do-mato-vinagre (Speothos venaticus ), o macaco-barrigudo (Lagothrix cana cana), o morceguinho-do-cerrado (Lonchophylla dekeyseri), a anta (Tapirus terrestris) e o queixada (Tayassu pecari) são também mamíferos ameaçados cujo habitats podem ser encontrados no estado de MT. Essas espécies estão classificadas como vulneráveis (VU) e têm sua sobrevivência ameaçada.

    A situação dos répteis e peixes também é preocupante em Mato Grosso. O peixe pintado (Pseudoplatystoma corruscans) está classificado como vulnerável, e o calango (Ameiva parecis), um pequeno réptil encontrado no Cerrado e Amazônia, e que era muito comum de se encontrar pelos quintais das casa, está surpreendemente classificado como em perigo (EN), assim como o peixe annual killifish (Simpsonichthys cholopteryx). Ambas as espécies sofrem com a degradação de seus habitats naturais e a poluição das águas.

    Essa alarmante realidade exige ações urgentes para preservar a biodiversidade mato-grossense. É fundamental o estabelecimento de áreas protegidas, a fiscalização rigorosa contra o tráfico de animais e a conscientização da população sobre a importância da conservação ambiental. Além disso, projetos de restauração de habitats e medidas para reduzir o desmatamento são cruciais para garantir a sobrevivência dessas espécies ameaçadas.

    O estado de Mato Grosso é um verdadeiro tesouro natural e precisa ser protegido para que as futuras gerações possam desfrutar da riqueza e diversidade de sua fauna. Cabe a todos nós, sociedade e governantes, assumir a responsabilidade de cuidar do nosso patrimônio natural e garantir um futuro sustentável para a vida selvagem e para o planeta como um todo.

    Para combater a crescente ameaça à biodiversidade em Mato Grosso, é crucial uma cooperação entre órgãos governamentais, organizações não governamentais, comunidades locais e a sociedade em geral. O envolvimento de todos é essencial para enfrentar os desafios que afetam essas espécies em risco.

    Reprodução

    Projetos de conservação e pesquisa científica também desempenham um papel fundamental na proteção desses animais. Estudos que analisam a ecologia, os hábitos e as necessidades dessas espécies ameaçadas são essenciais para desenvolver estratégias eficazes de conservação.

    O ICMBio, em parceria com outras instituições, tem buscado intensificar ações para proteger a fauna do estado. Além disso, o monitoramento contínuo e a atualização das informações no Sistema de Avaliação do Risco de Extinção da Biodiversidade (SALVE) são fundamentais para entender melhor a situação dessas espécies e direcionar os esforços de conservação.

    Mato Grosso é conhecido por sua imensa riqueza natural, com diferentes biomas que abrigam uma infinidade de espécies. No entanto, essa diversidade também é acompanhada de uma grande responsabilidade em proteger e preservar a fauna que depende desses ambientes para sobreviver.

    Cada pessoa pode fazer a sua parte para ajudar na conservação da biodiversidade. Pequenas ações, como evitar o descarte irregular de lixo, respeitar as áreas de preservação, não contribuir com o tráfico de animais e apoiar iniciativas de proteção ambiental, fazem a diferença.

    O tempo é essencial. É preciso agir agora para garantir que essas espécies ameaçadas tenham um futuro no estado de Mato Grosso. A biodiversidade é um patrimônio de todos, e a proteção dessas espécies é uma responsabilidade compartilhada. Preservar a fauna é não apenas uma questão ambiental, mas também uma forma de garantir a qualidade de vida para as gerações futuras.

    A preservação da vida selvagem é uma causa urgente para assegurar que essas espécies continuem a habitar as florestas e rios de MT. A diversidade biológica é um dos tesouros mais valiosos do país, e é dever de todos protegê-la, cuidá-la e celebrá-la para as gerações presentes e futuras.

     

     

    Fonte: ICMBio, 2023. Sistema de Avaliação do Risco de Extinção da Biodiversidade – SALVE. Disponível em: https://salve.icmbio.gov.br/. Acesso em: 02 de Aug. de 2023.

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