A cassação da prefeita reeleita de Barra do Bugres, Maria Azenilda Pereira (Republicanos), e de seu vice, Arthur José Franco Pereira, por suspeita de compra de votos, segue gerando embates jurídicos e políticos. A decisão, proferida pelo juiz Arom Olímpio Pereira, determinou a inelegibilidade de ambos por oito anos, além da realização de novas eleições em janeiro de 2025. No entanto, a defesa contesta a sentença, alega imparcialidade do magistrado e busca reverter a decisão nos tribunais superiores.
Maria Azenilda Pereira e seu vice tiveram os mandatos cassados após denúncias de compra de votos envolvendo familiares da prefeita e da chapa reeleita. Segundo o processo, Carlos Luiz Pereira Neto, filho de Maria e ex-secretário de Administração do município, teria oferecido R$ 2 mil e outros benefícios a uma eleitora em troca de voto e apoio político. A denúncia incluiu também Arnaldo Pereira, marido da prefeita, e Rosandria Cardoso da Silva, esposa do vice-prefeito, que teriam prometido vantagens adicionais, como a construção de um muro e a oferta de um emprego melhor.
O juiz Arom Olímpio Pereira destacou que as provas apresentadas, incluindo mensagens de WhatsApp e depoimentos, demonstraram o abuso de poder econômico e político. Ele classificou a conduta como “grave violação da lisura do pleito”, resultando na cassação da chapa e na convocação de novas eleições.
Em resposta à sentença, os advogados de Maria Azenilda apresentaram uma exceção de suspeição contra o juiz responsável pelo caso, alegando parcialidade na condução do processo. De acordo com a defesa, Arom Olímpio teria tomado decisões prévias que indicam falta de imparcialidade.
Além disso, a equipe jurídica interpôs embargos de declaração para questionar supostas contradições e omissões na sentença, argumentando que a decisão carece de fundamentação sólida. Os advogados classificaram a denúncia de compra de votos como “inverossímil” e afirmaram que irão recorrer ao Tribunal Regional Eleitoral (TRE) para reverter a cassação.
“A prefeita reeleita tomará posse no cargo enquanto aguardamos o julgamento dos recursos. Confiaremos na justiça para corrigir esta decisão”, afirmou a defesa em nota oficial.
Com a decisão de primeira instância, novas eleições estão programadas para janeiro de 2025. No entanto, caso os recursos sejam aceitos, o calendário eleitoral poderá ser alterado. A situação em Barra do Bugres permanece incerta, com a administração pública sob tensão enquanto se aguarda uma definição jurídica.
O caso expõe o impacto do abuso de poder nas campanhas eleitorais e reacende o debate sobre a ética política em municípios brasileiros. Enquanto isso, Maria Azenilda Pereira e sua equipe seguem contestando a decisão e buscando manter o mandato conquistado nas urnas.
Maria Azenilda Pereira, de 72 anos, é casada e tem ensino médio completo. Prefeita de Barra do Bugres desde 2020, foi reeleita nas eleições de 2024 com 8.987 votos, o equivalente a 51,88% dos votos válidos. Apesar de declarar não possuir patrimônio à Justiça Eleitoral, a prefeita era apontada como uma das principais lideranças políticas da região até ser atingida pelas acusações que levaram à sua cassação.
O desfecho do caso será acompanhado de perto pela população local, que aguarda a resolução da disputa judicial e a definição do futuro político do município.

































