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ESQUECIDA

Em ano de Copa do Mundo, Cuiabá revive lembranças amargas de quando o Brasil sediou o mundial em 2014

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Em ano de Copa do Mundo, quando o futebol volta a despertar paixão, emoção e memórias entre torcedores, Cuiabá revive também lembranças que, para muitos, estão longe de representar orgulho.

A imagem da tradicional réplica da bola oficial da Copa do Mundo de 2014, a Brazuca, abandonada em frente ao Estádio Eurico Gaspar Dutra (Dutrinha), escancara uma realidade que ainda incomoda a população cuiabana: o legado prometido pela Copa nunca chegou por completo.

Pichada, deteriorada e marcada pelo vandalismo, a estrutura que um dia simbolizou o maior evento esportivo do planeta hoje representa frustração, abandono e o retrato de promessas não cumpridas.

Em 2014, Cuiabá foi escolhida como uma das sedes da Copa do Mundo no Brasil. Na época, a capital mato-grossense viveu um período de grandes expectativas. A promessa era de transformação: obras estruturantes, mobilidade urbana moderna, melhorias no trânsito e uma nova realidade para a cidade.

Mas, 12 anos depois, a sensação de boa parte da população é de decepção.

O que deveria ter se tornado motivo de orgulho acabou virando um capítulo marcado por atrasos, obras inacabadas, desvios, transtornos e investimentos questionados. Até hoje, Cuiabá convive com congestionamentos, lentidão no trânsito e impactos de intervenções que começaram durante aquele período e jamais entregaram o resultado esperado.

A Brazuca abandonada simboliza justamente isso.

Ela se tornou uma espécie de memorial silencioso de uma época em que Cuiabá sonhou alto, acreditando que a Copa deixaria mudanças concretas e duradouras.

Naquele período, Mato Grosso era administrado por Silval Barbosa. Sua gestão esteve diretamente ligada à condução de obras da Copa, muitas delas posteriormente alvo de investigações por suspeitas de irregularidades, superfaturamento e desvios de recursos públicos.

Anos depois, Silval Barbosa foi preso após investigações revelarem esquemas de corrupção que envolveram rombos milionários em contratos públicos, incluindo obras relacionadas ao período da Copa.

Hoje, a lembrança daquele momento carrega um sentimento amargo.

O Brasil sediou o maior evento esportivo do mundo diante dos olhos de milhões de pessoas. Era uma oportunidade histórica de mostrar desenvolvimento, organização e crescimento.

Em Cuiabá, porém, o que ficou para muitos foi a sensação de vergonha diante da forma como parte dos investimentos públicos foi conduzida.

A cidade que sonhava com modernização ainda convive com problemas antigos.

E a Brazuca, esquecida e deteriorada, parece resumir tudo isso: um símbolo de festa que, com o passar dos anos, acabou se tornando o retrato de um legado inacabado.

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