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Em parceria com Governo de Mato Grosso, Hospital de Câncer inaugura 10 novos leitos de UTI pediátrica

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Com o apoio do Governo de Mato Grosso, o Hospital de Câncer inaugurou, na manhã desta segunda-feira (02.08), 10 novos leitos de UTI pediátrica oncológica em Cuiabá. As vagas já foram disponibilizadas para a regulação estadual do Sistema Único de Saúde (SUS).

 A  Secretaria Estadual de Saúde (SES-MT) repassou R$ 3 milhões à unidade, após indicação da Assembleia Legislativa. O Hospital de Câncer também contou com o auxílio de organizações e pessoas que atuam em parceria com o hospital.

Atualmente, o Hospital de Câncer também disponibiliza de 10 leitos adultos de UTI pelo SUS em Mato Grosso. De 2019 a 2021, o Governo do Estado ainda destinou cerca de R$ 21 milhões para a unidade, em manutenção aos serviços prestados ao Sistema Único, por meio do Fundo Municipal de Saúde de Cuiabá.

De acordo com o diretor presidente da unidade filantrópica, Laudemi Nogueira, o Governo do Estado coopera com as iniciativas da unidade.

“Tínhamos aspectos burocráticos que dificultavam os repasses para o Hospital de Câncer e conversamos com o secretário Gilberto Figueiredo. Sensibilizado, o governador Mauro Mendes disse imediatamente que o recurso viria, porque tinha uma finalidade específica. Assim, o Governo destinou recurso próprio ao hospital”, contou o gestor.

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Presente na solenidade de inauguração dos novos leitos, o secretário Gilberto Figueiredo parabenizou a iniciativa do Hospital de Câncer e reforçou a importância da disponibilização de mais vagas de UTI pediátrica.

“Esse é um importante marco na saúde do estado de Mato Grosso. A assistência em UTI pediátrica já é muito importante, mais ainda no que se refere à área oncológica, de leitos especializados no tratamento de pacientes com câncer. Um ganho importantíssimo para todo o nosso Estado”, disse Gilberto Figueiredo.

O deputado estadual e presidente da Assembleia Legislativa, Max Russi, também mencionou a parceria do Governo do Estado no envio de repasses indicados pelo Poder Legislativo.

“Expresso a nossa alegria nesta inauguração. É uma vitória importante para o Hospital de Câncer e para Mato Grosso. A Assembleia Legislativa, através de todos os seus deputados, conseguiu fazer uma economia sem o aumento de orçamento. Esse recurso a gente tem devolvido ao Executivo e fizemos uma indicação em comum acordo. Foi unânime a destinação para o Hospital do Câncer. A Secretaria Estadual de Saúde fez a sua parte e repassou o valor ao município”, salientou o parlamentar.

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Projeto registra e ensina cantos tradicionais da etnia wauja às novas gerações

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“Wauja Onapã – Canto Wauja” é idealizado e realizado pela aldeia Piyulaga-MT 

A música é uma expressão sagrada na cultura Wauja, o que motivou a aldeia Piyulaga, localizada no Território Indígena do Xingu, a criar o projeto Wauja Onapã, que tem por objetivo o registro e o ensino das tradicionais canções da etnia para as atuais e futuras gerações. A proposta foi contemplada no edital MT Nascentes, realizado pela Secretaria de Estado de Cultura, Esporte e Lazer (Secel-MT) com recursos da Lei Aldir Blanc.

“Para o povo Wauja, a música está em todo lugar. Sem música não tem dança, não tem ritual, não tem cultura. A música traz a festa e a alegria inebriantes para todo o mundo e alegra também os apapaatai, os espíritos protetores de nossos recursos”, explica Piratá Waurá, um dos responsáveis pelo projeto realizado pela Associação Indígena Tulukai (AIT) com apoio do Instituto Homem Brasileiro (IHB).

A comunidade identificou que este conhecimento vem se tornando, apesar de sua imensurável relevância cultural, restrito aos anciões, o que coloca em risco a continuidade desta tradição. “É importante repassar esse conhecimento ancestral para as novas gerações. Estamos fazendo aulas de música com os professores e praticando a aprendizagem em pequenas cerimônias na comunidade”, relata Piratá.

Os Apaiyekene (professores/músicos/cantores) têm dado aulas para jovens aprendizes, e estes são avaliados durante festividades tradicionais nas quais as músicas possuem um sentido ritualístico. E além de aprender as canções, eles também vivenciaram a experiência de construir flautas, tambores (tõka) e chocalhos (wãu) com elementos tradicionais, como a cabaça e o bambu.

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Aliás, neste processo de coleta da matéria-prima até a confecção do produto final, tiveram que viajar de barco até a aldeia Kuikuro para recolher um bambu específico, pois este estava em falta na região, e aproveitaram para trazer mudas que irão garantir instrumentos para as futuras gerações.

E como a música tradicional é um conhecimento pautado pela oralidade, optou-se, também, em fazer registros audiovisuais para compor um material didático de apoio ao ensino wauja.“Com estes registros, os alunos podem assistir as aulas sempre que quiserem”, destaca Piratá.

Akari, Talakumai, Atakaho, Tarukaré, Yapatiama e Kalueuku são os únicos Apaiekene cantores da aldeia. E como algumas músicas já desapareceram e outras estão em vias de desaparecer, o projeto contribui para o reconhecimento da sua importância por parte da comunidade, reativando a memória coletiva e repassando um conhecimento em risco de extinção.

Kagapa e Yamurikumã

A diversidade musical da cultura wauja é muito rica, não por acaso os rituais são marcados pela forte presença dessa expressão artística. Recentemente, os jovens tiveram a oportunidade de aplicar o aprendizado das aulas em duas cerimônias tradicionais do povo Wauja. A festa Kagapa serviu para avaliar o desempenho dos rapazes, enquanto Yamurikumã é uma celebração destinada às mulheres.

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A Kagapa é constituída por mais de 80 músicas, cada uma com significado e história específicos. O cantor principal fica de pé cantando e tocando o chocalho, enquanto outro cantor fica sentado com o tambor acompanhando o ritmo. Os dançarinos acompanham as batidas do chocalho e do tambor.

Kagapa significa lambari, pois a cerimônia se realiza para o espírito deste peixe ficar alegre. “Quando o espírito do lambari não está contente, ele causa doença. O pajé vai reconhecer qual o espírito que está causando a doença e vai contar para o pessoal. O pajé vai fazer pajelança e a comunidade vai fazer a festa Kagapa para que o lambari não volte a prejudicar a saúde da pessoa”, revela Piratá.

Esta celebração, de acordo com a cosmologia wauja, alegra o espírito do lambari (apapaatai). Não por acaso todos participam dançando: homens, mulheres e crianças. E em algumas ocasiões, durante a celebração, também podem acontecer casamentos. Já o Yamurikumã é um ritual feminino no qual só mulheres cantam e dançam. Os cantos do Yamurikumã são os únicos que se destinam a jovens mulheres que tenham interesse em aprendê-los e tornarem-se cantoras. “O povo Wauja vem preservando suas tradições e conhecimentos, aprendendo através da prática e oralidade, escutando as histórias dos anciões, as músicas, memorizando e praticando, e assim levando nosso conhecimento milenar para as novas gerações”, conclui Piratá. —

Túlio Paniago

 

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