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Harry Potter Prisioneiro de Azkaban: David Thewlis, Emma Thompson e o elenco adulto que elevou a saga

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Harry potter prisioneiro de azkaban introduziu no universo cinematográfico de Harry Potter uma geração de atores adultos que elevaram o nível de performance geral da franquia de formas que os filmes anteriores haviam apenas prometido. A chegada de Gary Oldman, David Thewlis e Emma Thompson ao elenco, somada à direção de Alfonso Cuarón que soube usar esses talentos de formas que exigiam mais dos atores do que decorar falas e reagir a efeitos especiais, transformou o terceiro filme num produto genuinamente diferente dos dois que o precederam.

Emma Thompson como Professora Trelawney

Emma Thompson como a Professora Sybilla Trelawney é um dos casos mais bem calibrados de comédia dentro da saga Harry Potter, com a atriz encontrando o equilíbrio exato entre personagem ridícula e personagem que a narrativa precisa que o espectador leve a sério no momento certo. Thompson construiu Trelawney com um conjunto de maneirismos que eram engraçados mas que não caricaturam a personagem a ponto de torná-la impossível de acreditar quando o roteiro exige que sua profecia seja tratada como elemento central da narrativa.

A cena da aula de Adivinhação no Prisioneiro de Azkaban, onde Trelawney prevê a morte de Harry com uma regularidade que o torna uma piada recorrente da aula, é uma das mais eficazes em termos de comédia de toda a franquia, e Thompson entregou as falas com o timing de uma atriz formada em comédia de palco que entende que a seriedade absoluta é o que torna o absurdo da situação engraçado.

O Professor Lupin representa no Prisioneiro de Azkaban a primeira conexão real que Harry consegue com a geração dos seus pais, já que Lupin havia sido amigo próximo de Lily e James Potter quando estudantes em Hogwarts. Essa dimensão do personagem, que David Thewlis explorou com uma melancolia específica que tornava cada referência ao passado dos pais de Harry genuinamente emocionante, elevou a função do professor além do papel de mentor de habilidades mágicas para o de vínculo com uma história que Harry precisava conhecer.

Por que Prisioneiro de Azkaban marcou uma virada madura na saga

A cabana de Hagrid e a geografia mutável de Hogwarts

Uma curiosidade que fãs atentos notaram é que Cuarón moveu a cabana de Hagrid de posição em relação aos filmes anteriores, colocando-a numa encosta com o Salgueiro Lutador visível ao fundo. A mudança não tem explicação narrativa e foi uma escolha puramente estética do diretor, que queria criar uma paisagem com mais profundidade e mais camadas visuais.

Essa liberdade em relação à continuidade estabelecida gerou reclamações de fãs mais puristas, mas os filmes seguintes mantiveram a nova geografia, confirmando que a visão de Cuarón havia sido absorvida pela franquia como padrão.

Cuarón introduziu no terceiro filme uma série de elementos visuais que se tornariam recorrentes na franquia, incluindo o grande relógio de pêndulo no pátio e a ponte de madeira que aparece em momentos-chave dos filmes seguintes. O relógio funciona como preparação visual para a temática de tempo que o terceiro ato desenvolve, aparecendo em cena muito antes que o Vira-Tempo seja mencionado.

Essa construção de vocabulário visual antecipatório é característica de um diretor que pensa o filme como sistema coerente em vez de sequência de cenas, e é parte do que separa Prisioneiro de Azkaban do resto da saga.

Emma Watson e o soco em Draco

A cena em que Hermione soca Draco Malfoy é uma das mais celebradas pelos fãs de toda a franquia, e Emma Watson a executou com uma raiva que estabeleceu definitivamente que a personagem não era apenas a estudante aplicada dos dois primeiros filmes. O momento marca uma virada no arco de Hermione, que passa a ser tratada pela narrativa como alguém capaz de ação direta em vez de apenas de solução intelectual.

Tom Felton comentou posteriormente que a cena exigiu múltiplas tomadas porque Watson tinha dificuldade em executar o movimento de forma convincente, e que a versão final foi resultado de horas de trabalho com o coordenador de dublês.

O terceiro filme foi o ponto em que a franquia Harry Potter aceitou definitivamente que seu público havia crescido junto com o protagonista e que a maravilha do primeiro livro precisava dividir espaço com questões mais sombrias. A traição dentro de amizades de décadas, a injustiça do sistema de justiça mágico, o preço do trauma e da perda, e a capacidade de pessoas boas fazerem escolhas terríveis são todos temas que o Prisioneiro de Azkaban introduz com uma seriedade que os filmes anteriores não haviam precisado enfrentar, e Cuarón encontrou a forma cinematográfica adequada para cada um deles.

O terceiro filme foi o ponto em que a franquia aceitou definitivamente que seu público havia crescido junto com o protagonista, dividindo o espaço da maravilha com questões mais sombrias. A traição dentro de amizades de décadas, a injustiça do sistema de justiça mágico e a capacidade de pessoas boas fazerem escolhas terríveis são temas que o Prisioneiro de Azkaban introduz com uma seriedade que os anteriores não haviam precisado enfrentar, e Cuarón encontrou a forma cinematográfica adequada para cada um deles.

A relação entre Harry e a memória dos pais, que o terceiro filme desenvolve com mais profundidade do que qualquer outro da saga, é o eixo emocional que sustenta a narrativa. O Patrono que Harry produz no clímax tem a forma de um cervo, o mesmo animal que era a forma animaga de seu pai, e essa revelação conecta o feitiço mais poderoso do personagem diretamente à herança que ele nunca conheceu.

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