Um laudo pericial da Perícia Oficial e Identificação Técnica de Mato Grosso (Politec-MT) apontou que o engenheiro agrônomo Daniel Bennemann Frasson, acusado de matar a esposa e tentar matar a filha, pode ser considerado inimputável em razão de quadro depressivo. O documento foi anexado ao processo, que estava suspenso durante o incidente de insanidade mental instaurado para avaliar as condições psicológicas do réu.
O crime ocorreu em 24 de junho, na residência do casal em Lucas do Rio Verde. Gleici Keli Geraldo de Souza, de 42 anos, foi assassinada com 16 facadas enquanto dormia ao lado do marido. A filha do casal, de 7 anos, também foi atingida, mas sobreviveu após passar vários dias internada na UTI. Atualmente, ela está sob os cuidados da irmã mais velha.
Daniel segue preso preventivamente e recebe medicação na unidade prisional. Segundo o laudo, a inimputabilidade significa que ele não possuía capacidade de compreender o caráter ilícito do ato nem de se autodeterminar no momento do crime. Com a conclusão, o processo deverá avançar para a fase de instrução, incluindo a oitiva de testemunhas e do próprio réu.
A Justiça poderá decidir entre pronunciar o acusado e levá-lo ao Tribunal do Júri ou aplicar medida de segurança, prevista para casos em que o réu é considerado inimputável por doença mental. A defesa solicitou o incidente de insanidade alegando que Daniel apresentava “perda de realidade, depressão e sintomas de pânico”.
O procedimento está previsto no artigo 149 do Código de Processo Penal, que determina exame médico-legal quando houver dúvida sobre a integridade mental do acusado.
Histórico do caso
Daniel responde por feminicídio consumado e tentativa de homicídio qualificado contra menor de 14 anos, em contexto de violência doméstica. No dia do crime, ele ainda tentou suicídio, sendo encontrado no corredor da casa com ferimentos no tórax e em estado de choque, mas sobreviveu.
A residência do casal, localizada em bairro de alto padrão, também abrigava o salão de beleza onde Gleici trabalhava. A filha atingida por sete facadas foi internada na UTI do Hospital Santa Rosa, em Cuiabá, recebendo alta somente em julho, quando a guarda foi transferida para a irmã.
Daniel recebeu alta hospitalar dias após o crime e, desde então, permanece detido na Cadeia Pública de Sorriso.































