Lucas do Rio Verde -MT está se tornando um novo polo cinematográfico no Brasil, impulsionando a descentralização da produção audiovisual no país. Recentemente, a produtora Focus Filmes iniciou as filmagens do filme “Dezesseis” na cidade, levando oportunidades culturais e econômicas para uma região que geralmente é deixada de lado nesse aspecto.

O produtor cultural luverdense Luiz Valotta é o idealizador do filme “Dezesseis” e tem alimentado o sonho de concretizar essa produção há anos.
“A gente ainda tem muita coisa da cidade para estar mostrando também. Eu acho importante, porque a escola e casa, a gente tem em todo lugar, que são as nossas locações. Nosso principal desejo é realmente mostrar um pouco de Lucas do Rio Verde e levar para o Brasil e para o mundo. Porque a gente sabe que o audiovisual não tem fronteira. Então, a gente espera aí que a gente alcance o maior número de pessoas com esse produto. É um produto que, como eu disse, eu acho que vai surpreender todo mundo, principalmente pelo fato de ser gravado aqui”, revela Luiz Valotta, idealizador do filme.
Luiz também comenta sobre a seleção do elenco, que inclui tanto atores locais quanto profissionais de fora da cidade: “A gente está com o elenco de mais ou menos cinquenta, sessenta jovens das escolas de Lucas do Rio Verde que também vão fazer parte desse produto, e também gente dentro do elenco principal que é daqui de Lucas do Rio Verde, a exemplo meu, exemplo do Pretu Nascimento e da Helen Louzada. Então, a gente está valorizando o trabalho da equipe local. Colocando esse pessoal para contracenar com gente que já está na cena, com gente que já está no mercado, então a gente também está valorizando o pessoal de fora, recebendo e valorizando nossa cidade. Porque não é sempre, infelizmente, que a gente tem grandes nomes nacionais dentro do nosso município”.
Agora, iniciadas as gravações, ‘Dezesseis’ conta com um elenco talentoso e diversificado, trazendo nomes de renome de todo o país contracenando com atores locais, com a direção de Hansa Wood, famoso pela sua trajetória, tendo trabalhado em projetos como “Os Dez Mandamentos”, “Jezabel”, “José do Egito”, “Vidas em Jogo”, “A Lei e o Crime” e “Vidas Opostas”.

Hansa Wood, que participa do filme, descreve sua experiência em Lucas do Rio Verde: “Foi uma experiência muito agradável vir para Lucas, porque encontrei aqui na Focus uma estrutura maravilhosa. É um pioneirismo trazer o audiovisual para cá, mas já é o segundo projeto deles, e eles conseguiram realmente criar uma infraestrutura muito boa. Providenciaram todos os equipamentos que precisávamos, e a cidade é maravilhosa, muito bonita e organizada. Está sendo um prazer estar aqui e firmar esse ótimo projeto. Assim que recebi, falei: ‘Cara, quero, quero sim’. Vai ser difícil, vai, mas vamos nessa. Aí convidei o Arakem, que é um velho parceiro aqui, ele também abraçou o projeto e está ficando lindo, com belas imagens.”
O diretor de fotografia, Arakem Dourado, expressa sua satisfação com o filme: “Tecnicamente, é um filme que já veio pronto. Quando o Hansa me convidou para fazer o filme e me mandou o roteiro, na hora eu falei que era o projeto que eu adoraria fazer. A gente recebe muitos roteiros, e este já veio esteticamente pronto, com muitas nuances e possibilidades estéticas nos personagens. A direção de fotografia é um instrumento a favor da narrativa, fazendo com que a gente passeie por caminhos que não são muito fáceis, mas esse projeto já veio muito completo. E a cidade é muito propícia para isso, com todas as locações e o elenco que está aqui conosco. Toda a estrutura que nos foi apresentada é uma fortuna. É uma sorte poder contar com tudo isso, uma verdadeira experiência.”
Hansa Wood também compartilha sua perspectiva sobre o filme e a relevância de abordar certos temas: “Eu acho que hoje em dia é uma coisa muito necessária. Estamos vivendo uma época em que a depressão é um mal do século, e estamos vendo crianças e pais sendo afetados por isso. O bullying tem tomado proporções muito doentias, então precisamos debater isso e conscientizar as pessoas. Elas também precisam entender que a terapia não é apenas para ‘loucos’, é justamente para evitar que você fique ‘louco’. Então, todo mundo deveria ter acesso a isso, assim como todo mundo tem um clínico geral para cuidar da saúde física. A saúde mental também precisa ser cuidada e não pode ser negligenciada. É muito difícil enfrentar certas perdas, perdas que retratamos neste filme. Uma criança ou adolescente cheio de vida e possibilidades amplas pode se deixar levar pela depressão por ter perdido uma amiga e não ter recebido o devido cuidado e tratamento para superar esse trauma.”
O filme conta com um elenco talentoso e diversificado, reunindo nomes conhecidos e promissores do cenário brasileiro. O renomado ator Sérgio Marone é um dos protagonistas e expressou sua admiração pela escolha de gravar um filme fora do tradicional eixo Rio-São Paulo, ressaltando a importância de descentralizar a produção cinematográfica no Brasil.

“Trabalhar fora dos grandes centros, como o eixo Rio-São Paulo, é desafiador. O deslocamento até aqui é difícil. A produção cinematográfica é mais fácil nos grandes centros, mas descentralizar é fundamental. A cultura não deve ser restrita apenas ao Rio, deve estar presente em todo o Brasil, pois é crucial para a identidade do país. A cultura brasileira é uma identidade que se espalha pelo mundo. A cultura salva”, afirmou.
O ator conta sobre sua preparação para atuar em “Dezesseis”, um tema sensível: “Para fazer um filme como esse, é preciso estar aberto, se entregar à história emocionante e atual que já está bem escrita. Minha preparação foi me apoiar no texto, entrar na história e estar disponível para me emocionar como o personagem do Haroldo.”
Ele descreve a experiência de gravar a última cena e a satisfação de participar da produção em Lucas, no Mato Grosso: “Gravamos a cena final, um dos maiores desafios da minha carreira, onde percebo que minha filha não está mais ali… Foi uma experiência incrível. Chegar em Lucas, ser bem recebido e ver essa produção acontecer nesta cidade distante do eixo Rio-São Paulo é gratificante. Descentralizar a cultura e trazer produções culturais para o Mato Grosso é importante, pois mostra a cidade para o Brasil e o mundo.”

Quando questionado sobre sua primeira impressão ao ler o roteiro, ele destaca a atualidade do tema do bullying e a importância de abordá-lo: “Fiquei impactado com o roteiro, que reflete o bullying e os desafios enfrentados pelos adolescentes, agravados pelas redes sociais e pela internet. Hoje, podemos falar abertamente sobre esses problemas, incluindo o suicídio entre os jovens. É um tema pesado, mas necessário. O roteiro traz uma mensagem potente, atual e essencial. Aceitei imediatamente interpretar o Haroldo porque acredito na importância dessa mensagem.”
Além de Marone, o elenco de “Dezesseis” também inclui Bia Arantes, Léo Belmonte, Bia Jordão, Anna Rita Cerqueira, Kiria Malheiros e Mafê Medeiros. Cada um desses talentosos artistas traz sua singularidade para a história, enriquecendo-a com suas performances e contribuições únicas.
Anna Rita Cerqueira compartilha sua visão sobre a importância da história do filme em relação à saúde mental: “Eu acho que essa história realmente vai fazer as pessoas refletirem sobre a importância de cuidar da nossa saúde mental. Também acredito que vai quebrar muitos paradigmas e preconceitos em relação às doenças psicológicas, mostrando que são doenças tratáveis. Acho que será de extrema importância, especialmente considerando o momento que estamos vivendo.”

Ela fala sobre sua experiência pessoal ao incorporar essa personagem: “Foi uma experiência pessoal bastante intensa, acredito. Eu sou alguém que já passou por uma depressão, e é algo que acontece com as pessoas, algo que precisa ser discutido e cuidado, especialmente nos dias de hoje. Portanto, foi uma experiência pessoal e artística muito significativa para mim, estando nessa fase em que estou bem e saudável, realizando esse trabalho. Também é de extrema importância para minha vida pessoal, pois acredito na importância desse cuidado e de como devemos olhar para o outro. Quando uma pessoa está enfrentando problemas de depressão, muitas vezes tem medo de falar sobre isso, mas é importante compartilhar, pois pode ajudar alguém a sair desse processo. Quando comentei que estava passando por esse processo, algumas pessoas estranharam. Sempre há essa reação, mas é exatamente isso, estamos nesta vida para vivenciar experiências e aprender com elas.”
Ela menciona que desde criança tinha referências e pessoas que acompanhavam sua vida, então sentia-se mal em esconder essa parte de sua realidade. Para ela, é importante falar sobre o assunto para se sentir mais leve.
Bia Arantes também descreve sua personagem no filme: “Eu interpreto a esposa do Sérgio, a ‘boadrasta’, que está muito preocupada com a situação dessa adolescente cheia de questões. Ela é genuinamente preocupada, mas ao mesmo tempo acho que é algo com que os pais podem se identificar, pois é difícil saber até onde se envolver na vida do outro, até que ponto o pai pode ser omisso. Lidar com um adolescente é sempre delicado e a personagem passa por isso.”
Sobre sua experiência de gravar fora do eixo Rio-São Paulo, ela diz: “É muito legal. Fico sempre muito feliz em ver a arte e o audiovisual se expandindo. Saber que podemos sair desse eixo e contar grandes histórias é gratificante. Sou do interior de Minas, de uma cidade pequena, então sempre que posso estar em um lugar diferente, contando histórias sobre outros olhares, é enriquecedor. Fico muito feliz em sair desse eixo, e é ótimo ver a arte se expandindo.”

A presença desse elenco talentoso em Lucas do Rio Verde não apenas fortalece o filme, mas também estimula o desenvolvimento da indústria cinematográfica local. A interação entre os atores e a comunidade pode proporcionar uma troca cultural enriquecedora, abrindo portas para novas oportunidades e parcerias no futuro.
A iniciativa de trazer produções cinematográficas para regiões fora do eixo convencional traz benefícios significativos para as comunidades locais. Além de impulsionar a economia local, a presença de uma produção cinematográfica gera oportunidades para artistas e profissionais locais, estimulando o desenvolvimento cultural e artístico da região.
Lucas do Rio Verde está trilhando um caminho promissor como novo polo cinematográfico no Brasil. A cidade se destaca por sua receptividade, cenários deslumbrantes e potencial de crescimento na indústria audiovisual. Com um elenco talentoso e uma equipe de produção dedicada, o filme “Dezesseis” representa um marco importante nesse processo de descentralização da produção cinematográfica brasileira.
A descentralização da produção cinematográfica brasileira é fundamental para a valorização da diversidade cultural do país. Ao explorar novos polos cinematográficos, como Lucas do Rio Verde, o Brasil amplia seu repertório cultural e dá voz a diferentes regiões, histórias e identidades. Isso contribui para a construção de uma indústria cinematográfica mais plural e inclusiva, capaz de retratar a riqueza cultural de todo o território nacional.
A cidade de Lucas do Rio Verde está pronta para receber o mundo do cinema de braços abertos, mostrando que a descentralização da produção cinematográfica é uma estratégia necessária para valorizar a diversidade cultural e fomentar o desenvolvimento artístico em todo o Brasil. Com o talentoso elenco de “Dezesseis” e a dedicação da equipe de produção, o filme promete ser mais um exemplo de sucesso nesse novo polo cinematográfico, deixando sua marca na história da indústria audiovisual brasileira.




























