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Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema-MT) realiza palestra em Colniza sobre a importância das Unidades de Conservação

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A Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema-MT) promoveu uma palestra em Colniza (1.022 quilômetros de Cuiabá) com o objetivo de conscientizar a população sobre a importância das Unidades de Conservação da região, e alertar sobre a necessidade do cumprimento da legislação ambiental. O evento aconteceu na última terça-feira (26.07), no salão da igreja do Distrito Guariba.

O evento também explicou as consequências jurídicas, administrativas e sociais aos causadores de danos às áreas protegidas. Participaram proprietários rurais, donos de serrarias e moradores de comunidades tradicionais da região do Distrito Guariba.

Na ocasião, o tenente-coronel Querubino Soares, apresentou o trabalho desempenhado pela Sema no combate ao desmatamento ilegal. “A conscientização também é uma parte importante do combate aos crimes ambientais. O mais importante foi esclarecer que a Sema, a Polícia Militar, e a Funai são parceiras da sociedade e apoiam o desenvolvimento econômico com a devida responsabilidade social e ambiental, pensando sobretudo no bem estar das presentes e  futuras gerações”, explica.

Através do monitoramento da vegetação por satélite de alta precisão, o sistema Planet, os agentes conseguem flagrar os danos ambientais causados em tempo real.  As equipes integradas, com apoio das forças policiais, vão ao local onde é identificado o desmatamento por satélite e apreendem maquinários, embargam áreas, aplicam multas e iniciam o processo de responsabilização do infrator.

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O coordenador da Fundação Nacional do Índio (Funai), Jair Condor, também participou da palestra e relatou sobre o trabalho desenvolvido pela instituição ao proteger o meio ambiente, garante um habitat seguro aos índios que vivem isolados na região. A Reserva Extrativista Guariba Roosevelt está localizada próxima à terra indígena Kawahiva, do Rio Pardo. A parceria entre a Sema e a Funai é de extrema relevância para o controle e o monitoramento dessas áreas, para que a proteção etnoambiental seja feita de maneira eficaz.

Unidades de Conservação

A região possui quatro Unidades de Conservação. As Estações Ecológicas, Rio Roosevelt e Rio Madeirinha são áreas de proteção integral. Já o Parque Estadual Tucumã e a Reserva Extrativista Guariba Roosevelt são de uso sustentável. Colniza é a cidade de Mato Grosso que possui o maior índice de desmatamento ilegal.

Operação Amazônia

A Operação Amazônia intensifica as ações de fiscalização de crimes ambientais com o reforço das forças de Segurança, o monitoramento em tempo real por satélite de todo o território de Mato Grosso, o embargo de áreas, a apreensão e remoção de maquinários flagrados em uso para o crime, e a responsabilização de infratores.
Integram a iniciativa as Secretarias de Estado de Meio Ambiente, de Segurança Pública, Polícia Militar, Polícia Judiciária Civil, Corpo de Bombeiros Militar (CBMMT), Centro Integrado de Operações Aéreas (Ciopaer), Instituto de Defesa Agropecuária (Indea), Ministério Público de Mato Grosso (MPMT), Ministério Público Federal (MPF) e Ibama.

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Denúncias

O desmatamento ilegal e outros crimes ambientais podem ser denunciados por meio da Ouvidoria Setorial da Sema: 0800-65-3838.

Orientação de Lorena Bruschi

Fonte: GOV MT

 

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Projeto registra e ensina cantos tradicionais da etnia wauja às novas gerações

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“Wauja Onapã – Canto Wauja” é idealizado e realizado pela aldeia Piyulaga-MT 

A música é uma expressão sagrada na cultura Wauja, o que motivou a aldeia Piyulaga, localizada no Território Indígena do Xingu, a criar o projeto Wauja Onapã, que tem por objetivo o registro e o ensino das tradicionais canções da etnia para as atuais e futuras gerações. A proposta foi contemplada no edital MT Nascentes, realizado pela Secretaria de Estado de Cultura, Esporte e Lazer (Secel-MT) com recursos da Lei Aldir Blanc.

“Para o povo Wauja, a música está em todo lugar. Sem música não tem dança, não tem ritual, não tem cultura. A música traz a festa e a alegria inebriantes para todo o mundo e alegra também os apapaatai, os espíritos protetores de nossos recursos”, explica Piratá Waurá, um dos responsáveis pelo projeto realizado pela Associação Indígena Tulukai (AIT) com apoio do Instituto Homem Brasileiro (IHB).

A comunidade identificou que este conhecimento vem se tornando, apesar de sua imensurável relevância cultural, restrito aos anciões, o que coloca em risco a continuidade desta tradição. “É importante repassar esse conhecimento ancestral para as novas gerações. Estamos fazendo aulas de música com os professores e praticando a aprendizagem em pequenas cerimônias na comunidade”, relata Piratá.

Os Apaiyekene (professores/músicos/cantores) têm dado aulas para jovens aprendizes, e estes são avaliados durante festividades tradicionais nas quais as músicas possuem um sentido ritualístico. E além de aprender as canções, eles também vivenciaram a experiência de construir flautas, tambores (tõka) e chocalhos (wãu) com elementos tradicionais, como a cabaça e o bambu.

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Aliás, neste processo de coleta da matéria-prima até a confecção do produto final, tiveram que viajar de barco até a aldeia Kuikuro para recolher um bambu específico, pois este estava em falta na região, e aproveitaram para trazer mudas que irão garantir instrumentos para as futuras gerações.

E como a música tradicional é um conhecimento pautado pela oralidade, optou-se, também, em fazer registros audiovisuais para compor um material didático de apoio ao ensino wauja.“Com estes registros, os alunos podem assistir as aulas sempre que quiserem”, destaca Piratá.

Akari, Talakumai, Atakaho, Tarukaré, Yapatiama e Kalueuku são os únicos Apaiekene cantores da aldeia. E como algumas músicas já desapareceram e outras estão em vias de desaparecer, o projeto contribui para o reconhecimento da sua importância por parte da comunidade, reativando a memória coletiva e repassando um conhecimento em risco de extinção.

Kagapa e Yamurikumã

A diversidade musical da cultura wauja é muito rica, não por acaso os rituais são marcados pela forte presença dessa expressão artística. Recentemente, os jovens tiveram a oportunidade de aplicar o aprendizado das aulas em duas cerimônias tradicionais do povo Wauja. A festa Kagapa serviu para avaliar o desempenho dos rapazes, enquanto Yamurikumã é uma celebração destinada às mulheres.

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A Kagapa é constituída por mais de 80 músicas, cada uma com significado e história específicos. O cantor principal fica de pé cantando e tocando o chocalho, enquanto outro cantor fica sentado com o tambor acompanhando o ritmo. Os dançarinos acompanham as batidas do chocalho e do tambor.

Kagapa significa lambari, pois a cerimônia se realiza para o espírito deste peixe ficar alegre. “Quando o espírito do lambari não está contente, ele causa doença. O pajé vai reconhecer qual o espírito que está causando a doença e vai contar para o pessoal. O pajé vai fazer pajelança e a comunidade vai fazer a festa Kagapa para que o lambari não volte a prejudicar a saúde da pessoa”, revela Piratá.

Esta celebração, de acordo com a cosmologia wauja, alegra o espírito do lambari (apapaatai). Não por acaso todos participam dançando: homens, mulheres e crianças. E em algumas ocasiões, durante a celebração, também podem acontecer casamentos. Já o Yamurikumã é um ritual feminino no qual só mulheres cantam e dançam. Os cantos do Yamurikumã são os únicos que se destinam a jovens mulheres que tenham interesse em aprendê-los e tornarem-se cantoras. “O povo Wauja vem preservando suas tradições e conhecimentos, aprendendo através da prática e oralidade, escutando as histórias dos anciões, as músicas, memorizando e praticando, e assim levando nosso conhecimento milenar para as novas gerações”, conclui Piratá. —

Túlio Paniago

 

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