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Mundo novo, novo mundo

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            Em todas as regiões do mundo estão acontecendo fenômenos sociais estranhos. Vamos citar os de Hong Kong lá no extremo Oriente. Mas passam pela Europa, exemplo a França na luta com os seus coletes amarelos. Não há país no mundo onde o estopim não esteja aceso. É só uma questão de tempo pra explodir. Os fósforos já estão nas mãos das massas de milhões de pessoas.

            Na América Latina o fogo vem se alastrando com muita rapidez. Cada país com as suas razões. Embora as ideologias tentem assumir o protagonismo, na verdade, tudo é muito maior. As razões pelas quais os coletes amarelos lutam, não diferem muito dos jovens de Hong Kong e muito menos do Chile. Na Venezuela as razões são claras, mas em questão de tempo sairão do poder governamental pra racionalidade que já se alastrou no resto do mundo.

            Então, o que há por detrás desses movimentos? Voltam no tempo. Desde o fim da segunda guerra mundial o mundo todo entrou num processo de reconstrução econômica, política e social. Chegou ao agora. Países ricos, países pobres. Países desenvolvidos, países atrasados. Justiça social nuns, injustiça noutros. Industrialização nuns, atraso nos outros. Distribuição de riqueza social nuns, pobreza distribuída noutros.

            O que gostaria de registrar é que ao longo desses 64 anos o mundo construído em cima das consequências das duas grandes guerras (1914-1918 e 1939-1945), tornou-se esse mundo que ai está. Profundamente desigual e conflitado. No meio as ideologias de direita e de esquerda tentando assumir o novo protagonismo. Mas as sociedades não querem mais as ideologias que trouxeram o mundo até aqui.

            O que querem as pessoas do mundo? Querem se tratadas como protagonistas da razão de se viver no planeta. Não querem ser tratadas como manadas sociais. Aí está a razão de tantas movimentações sociais no mundo na forma de protestos. No Chile o exemplo é gritante. País equilibrado não bastou. Povo na rua em profunda discórdia. Os governos interpretam errado enxergando-se o problema único. Não são! O problema é que as pessoas querem ter direito a serviços públicos, seus impostos bem usados, novas visões do Estado, novas visões da política, da economia e da cidadania. Mais igualdades.

            Com algum exagero pode-se dizer que desejam algo parecido com a anarquia.

            Essa nova linguagem para a existência humana está em construção e os establishements governamentais e econômicos não perceberam. Até a equalização entre o que hoje existe e o que poderá advir. Em outras palavras: as pessoas do mundo querem viver por si mesmas!

Onofre Ribeiro é jornalista em Mato Grosso

[email protected]  www.onofreribeiro.com.br

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Vírus educativo

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           Na minha concepção, do ponto de vista médico, o corona vírus já está por demais conhecido. Mas do ponto de vista dos comportamentos das pessoas ele está começando a mostrar as suas consequências.

            Vamos lá. Aos poucos a economia foi atingida pelo fechamento de shopping centers, de fábricas, de comércio, de portos, aeroportos, prejuízos aos transportes públicos e a medida extrema: confinar pessoas em isolamento social. Junto vieram o desemprego e insegurança social. Do seu lado, empresas fortes se viram descapitalizadas. Noutra ponta o governo teve que tomar medidas sanitárias, políticas e econômicas, mas perdeu muito a arrecadação dos impostos. É outro com grandes problemas daqui pra frente.

            Mas quero ater-me às pessoas. De repente uma família tem a sua rotina completamente transformada. De um sistema de individualidades casualmente unida pela rara presença, se vê suportando uns aos outros confinados. Mães e pais que não conheciam os filhos terceirizados pra creches ou escolas e as atividade extracurriculares. De repente precisaram conviver com esses seres estranhos chamados de filhos e eles com esses ultrapassados pais. Juntos, com frequência avós ainda mais complicados do que os pais. Se no dia a dia eles são ignorados, agora não tem como. É preciso conviver. Mas como conviver com gente velha, antiga e burra?

            Acordar pela manhã, escovar os dentes, olhar no espelho e enxergar essa pessoa estranha que quase nunca é vista por ela mesma. Uma ruga aqui, outra ali, um fio de cabelo branco, uma marca na pele…meu Deus! Como isso aconteceu e eu não vi? É preciso pintar o cabelo, mas o salão está fechado. De repente não se pinta o cabelo e se descobre uma pessoa muito diferente daquela da rotina anterior!

            Ou, o marido e a mulher descobrirem habilidades ou temas comuns há muito esquecidos, jogados á margem da vida pelos sucessivos conflitos que lhe rege a vida até agora…

            Por isso o vírus mistura a sua questão sanitária com uma poderosíssima questão comportamental e começa a reeducar as pessoas para elas mesmas e para as suas famílias…

            Logo o vírus passa. Mas deixará pessoas se enxergando diferente. E se assim acontecer, elas serão capazes de fazer grandes mudanças nessa sociedade consumista e individualista. Terá sido preciso uma doença importada do outro lado da Terra pra nos ensinar aqui como viver como humanos…!

Onofre Ribeiro é jornalista em Mato Grosso

[email protected]   www.onofreribeiro.com.br

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A crise vai passar

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O físico Albert Einstein, um dos maiores gênios do Século XX, escreveu que “a crise é a maior benção que pode acontecer às pessoas e aos países, porque a crise traz progressos. É na crise que nascem os inventos, os descobrimentos e as grandes estratégias”.

No início de janeiro o mercado imobiliário via no horizonte uma esperança de retomada do crescimento. Os números, ainda que singelos, pela primeira vez nos últimos anos apontavam para o lado positivo.

Redução da taxa de juros, oferta de crédito, novos empreendimentos, preços convidativos, aumento de vendas. Era o melhor cenário dos últimos 5 anos para os segmentos de construção civil e imobiliário. Estávamos a todo vapor, cheios de planos e elevando as metas.

Menos de 60 dias depois estamos todos num outro cenário, no meio de uma crise e tentando entender o tamanho do impacto que terá para todos os segmentos.

O setor imobiliário é um dos primeiros a sentir a retração econômica porque a reação inicial das pessoas é deixar de fazer negócios e investimentos.

Mas sou um otimista inveterado e não quero aqui ficar falando dos problemas. Eles virão e precisaremos enfrenta-los. Assim como Einstein, eu acredito que todas as grandes crises geram também grandes oportunidades e devemos ficar atentos para encontrar as melhores soluções.

Para o segmento de construção e incorporação, vale lembrar que em momentos de instabilidade econômica as pessoas buscam ativos reais e os imóveis continuam sendo vistos como moeda forte. Se as pessoas não podem sair de casa, as empresas do setor precisam se modernizar e investir mais no potencial digital para exibir seus empreendimentos, receber documentos e efetivar negócios. A tecnologia vai mudar os processos de venda ou aluguel para facilitar a vida de todos, e essas mudanças vieram para ficar.

Para quem tem um recurso guardado e liquidez de caixa, essa pode ser uma boa oportunidade para negociar e adquirir um imóvel.

As primeiras projeções preveem uma recuperação tímida ainda no segundo semestre e uma alavancada da economia em 2021. Para construtoras ou consumidores, imóveis sempre são um bom investimento a longo prazo. A construção civil gera empregos e aquece a economia de maneira rápida. Acredito que as políticas para aquecimento do crédito serão reforçadas e facilitadas para que o setor possa ser retomado.

Ainda temos muitos desafios pela frente. Precisamos ficar atentos, avaliar as rápidas mudanças de cenários e tomar decisões embasadas. Mas podemos ter uma certeza: a crise vai passar, vai trazer novas oportunidades e o que aprendermos com ela será uma lição de vida. Como diria Einstein, “a única crise ameaçadora é a tragédia de não querer lutar para superá-la”.

Ramiro Azambuja
Diretor-Presidente da EMHA Construtora e Incorporadora

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