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‘Boteiros’: os ladrões que roubam cargas de drogas de traficantes no RJ

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Apreendido e mais três homens foram acusados de sequestro e homicídio
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Apreendido e mais três homens foram acusados de sequestro e homicídio

O encontro foi marcado às 20h, num prédio de frente para a Praia de Copacabana, bairro do Rio de Janeiro . Os três homens aguardavam os visitantes na entrada — na mochila de um deles, com sotaque de fora da cidade, havia um quilo de skunk, uma derivação da maconha.

Os dois compradores chegaram no horário combinado, numa caminhonete blindada. Na entrada do prédio, quando os visitantes foram convidados a entrar, um deles, de boné e máscara, sacou uma pistola e gritou: “Polícia!”. Dois dos vendedores correram para ruas próximas. O terceiro, com a mochila, se rendeu, entregou a droga e foi liberado em seguida.

Tratava-se da ação dos “boteiros” — numa referência à palavra “bote” —, como são conhecidos os integrantes de quadrilhas especializadas em roubar cargas de entorpecentes de alto padrão na Zona Sul do Rio. A ação aconteceu na última semana de setembro de 2020.

Ação foi reconstituída com base em depoimentos dados à polícia tanto pelos donos do carregamento quanto pelos ladrões, dentro da investigação da Delegacia de Homicídios da Baixada Fluminense (DHBF) sobre outro crime: o assassinato do estudante de Farmácia da UFRJ Marcos Winícius Tomé Coelho de Lima, de 20 anos — morto em 8 de outubro do ano passado.

Vítima por engano

Segundo o inquérito, Marcos Winícius foi sequestrado e executado com quatro tiros porque era amigo dos “boteiros” e estava presente quando a venda da droga foi acertada, num encontro na Urca horas antes do roubo. Após o “bote”, os ladrões foram dividir o butim de R$ 40 mil num hotel de São Conrado.

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Na semana seguinte, fugiram para São Paulo — onde realizaram outros roubos, conforme dito em mensagens a amigos. Marcos Winícius ficou no Rio. Seu corpo foi encontrado em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense, no dia 9. Os assassinos pensavam que ele integrava o bando.

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O crime foi desvendado graças ao depoimento de um dos “boteiros”, um morador da Urca de 20 anos, amigo do estudante. Ele chegou a ser preso durante as investigações como suspeito do homicídio, mas foi solto ao revelar à polícia como se deu o “ bote ” e como agia a quadrilha, além de apontar as vítimas do roubo como responsáveis pelo homicídio. Segundo seu depoimento, a quadrilha também pratica golpes convencendo traficantes a entregar os entorpecentes mediante promessa de pagamento — que nunca é cumprida.

O grupo também criou uma estratégia para roubar dinheiro de traficantes que desejam comprar droga. Os integrantes anunciam o entorpecente pela internet e, no encontro com o comprador, entregam uma bolsa pesada, mas sem o produto. Antes que a carga seja examinada, uma falsa ação policial é encenada para que o pagamento seja levado. O grupo só negocia drogas de alto padrão, como skunk, haxixe e uma variedade de maconha de qualidade superior apelidada de “Colômbia”.

O “boteiro” também explicou à polícia que o grupo tem membros que atuam “na inteligência”, com a função de encontrar novos traficantes sobre os quais aplicam os “botes”. Segundo ele, na maior parte das vezes, policiais militares que integram o grupo são os responsáveis por dar os “botes” — por vezes, até fardados.

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Participação de PMs

A participação de PMs é relatada em outros depoimentos. Uma testemunha, que não faz parte da quadrilha, mas conhece integrantes, afirmou que os traficantes do bando só informam “para policiais que haverá uma compra de entorpecentes em determinado dia” para que os agentes possam dar o “bote” na carga.

Mais de uma testemunha ouvida na DHBF afirmou que PMs integraram o “bote” que culminou no homicídio do estudante. Mas não são policiais os homens que um dos traficantes que tiveram a carga roubada reconheceu como os responsáveis pela abordagem. Em depoimento, a vítima do “bote” disse que a dupla que o abordou mencionou ter uma “equipe” na retaguarda, pronta para agir caso necessário.

Quatro homens acusados pelo homicídio de Marcos Winícius tiveram suas prisões decretadas pela Justiça: Denner Dias Barcia Alves, Jaul Carvalho Carneiro de Mendonça, José Ricardo dos Santos Pontes Junior, o Russão da Ilha, e Igor Moreira Dantas. Segundo o inquérito, Denner e Russão são dois dos que levaram o “bote” e mataram Marcos Winícius em represália. Com o inquérito sobre o homicídio finalizado, a DHBF abriu outra investigação que agora tem os “ boteiros ” como alvo.

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Câmara dos Vereadores aprovam com urgência o Projeto de Lei Henry Borel

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Menino de 4 anos chegou sem vida em hospital no Rio de Janeiro
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Menino de 4 anos chegou sem vida em hospital no Rio de Janeiro

Na terça-feira (13), a Câmara dos Deputados aprovou com urgência um Projeto de Lei 4626/20, intitulada como Lei Henry Borel . Ação foi enviada pelo deputado Hélio Lopes (PSL-RJ) e tem como intuito aumentar a punição para quem colocar a vida em risco ou a saúde de pessoa sob seus cuidados, como crianças e idosos, abusando dos meios de disciplina. As informações foram apuradas pelo Uol.

De acordo com o documento, pena agora passa de quatro a 12 anos para oito a 14 anos de reclusão, se as ações resultarem em morte. Documento foi enviado em janeiro e visa mudar o artigo 121 do Decreto-Lei nº 2.848 do Código Penal e o Estatuto do Idoso . Quando enviado, Lopes se manifestou dizendo que as penas existentes atualmente são “amenas” e causam a impunidade. No momento, o projeto de lei leva o nome do  menino Henry, assassinado no Rio de Janeiro, no mês de março e proposta deve ser votada em plenário nesta quarta-feira, as 13h55.

Ao falar sobre o pedido de urgência no projeto , Lopes ressalta que “o número de homicídios de adolescentes hoje no Brasil é maior do que em países afetados por conflitos, como Síria e Iraque. O homicídio contra crianças reveste-se de uma crueldade inimaginável, que por si só, já merece uma reprimenda do Estado, mas quando essa crueldade é praticada justamente por ascendentes, padrastos, madrastas ou com quem coabitem com esses menores e que tem a obrigação diária de cuidar e proteger torna-se exponencialmente mais grave e repugnante”.

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Documento propõe agravar a pena existente atualmente por abandono de incapaz, punição de seis meses a três anos de reclusão, agora passa para dois a cinco anos de detenção. Caso o abandono resulte em lesão corporal, a pena é de três a sete anos de prisão. Hoje, a pena no Código Penal para tal crime é de um a cinco anos. Se o abandono resultar em morte do incapaz, a punição que atualmente é de quatro a 12 anos, passa a ser de oito a 14 anos.

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Novo PL 4626/20 muda a pena para o crime de maus-tratos para quem colocar em perigo a vida ou a saúde da pessoa sob os cuidados, guarda ou vigilância, para vida educacional, de ensino, custódia ou tratamento. Atualmente, a punição é de dois meses a um ano de reclusão, ou multa que agregaria de dois a cinco anos de prisão.

Caso crime resulte em lesão corporal grave da vítima, a pena passa a ser de três a sete anos de reclusão. Hoje, ela é de um a quatro anos de prisão. Caso os maus-tratos resultem em morte, a punição que atualmente é estimada em 4 a 12 anos de prisão, passa a ser de oito a 14 anos de reclusão.

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Mudanças no Estatuto do Idoso também são ressaltadas como, por exemplo, alterar a pena para quem colocar em perigoso, pessoas acima dos 60 anos, submetendo os idosos a situações humilhantes e desumanas. Atualmente, a punição é de dois meses a um ano de reclusão e multa, passaria a ser uma reclusão de dois a cinco anos. 

Em caso de lesão corporal grave, a pena que é de um a quatro anos de prisão , passaria a ser de três a sete anos de reclusão. Caso a pessoa venha a óbito, a pena de quatro a 12 anos, passa a ser de oito a 14 anos de prisão.

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