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‘Governo incentiva destruição dos indígenas’, diz cacique

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Almir Suruí, liderança indígena de Rondônia
Foto: Gabriel Uchida/ Kanindé

Almir Suruí, liderança indígena de Rondônia

Uma das principais lideranças dos povos originários do país, Almir Suruí afirmou nesta quarta-feira (16) que o governo federal trabalha para destruir os direitos coletivos dos índios brasileiros . O cacique se referia à tramitação do projeto de lei 490/2007, que trata da demarcação de terras indígenas e está na pauta da Comissão de Constituição e Justiça (CCJC) da Câmara dos Deputados.

Nesta quarta-feira, cerca de 700 indígenas de 25 povos fizeram um protesto em Brasília contra a tramitação da proposta . O grupo percorreu toda a Esplanada dos Ministérios e encerrou a manifestação em frente ao anexo II da Câmara.

O texto que tramita no Parlamento transfere da União para o Congresso a última palavra na demarcação das terras indígenas, com poder de rever as áreas já demarcadas e de proibir a ampliação das reservas já existentes.

— Esse projeto representa um retrocesso histórico, que vem ganhando força agora com esse governo que incentiva, em seu discurso e ações, a destruição dos direitos coletivos dos povos indígenas brasileiros — disse Suruí, em entrevista ao GLOBO.

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A tramitação do projeto de lei que rediscute a autonomia dos índios em seus territórios, garantida na Constituição, ganhou força na Câmara dos Deputados com o apoio de fazendeiros, mineradoras e do próprio governo federal.

— O governo brasileiro não tem visão para perceber que os direitos dos povos indígenas são um grande potencial. O mundo inteiro tem falado do papel da floresta, da vida sustentável, em especial da Amazônia, mas o governo quer destruir tudo. Não tem preocupação com equilíbrio climático, ambiental e cultural. O Brasil é respeitado porque tem floresta e o protagonismo de ainda ter floresta em pé é dos povos indígenas — criticou.

Em maio deste ano, Suruí foi alvo de um inquérito aberto pela Polícia Federal, a pedido da Fundação Nacional do Índio (Funai) , que alegou que a liderança indígena propagava “mentiras” contra o governo federal na internet. O cacique havia feito críticas públicas ao combate à pandemia nos territórios indígenas.

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O caso foi tratado pelas lideranças indígenas como tentativa de intimidação. O cacique chegou a ser intimado a depor, mas a PF pediu o arquivamento da investigação. Na ocasião, a liderança Sônia Guajajara também foi intimada a depor.

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Parlamento indígena

Suruí é coordenador nacional do Parlamento Indígena, também chamado de Parlaíndio. Reunido pela primeira vez em maio, o grupo de lideranças tem como desafio mais imediato a articulação para não deixar o projeto de lei 490/2007 prosperar na Câmara.

— Ainda estamos decidindo as ações prioritárias e a agenda comum, mas serão dentro da política ambiental e da saúde. Vamos acompanhar os projetos de lei que tramitam no Congresso, analisar quantos e quais podem afetar os direitos coletivos dos povos indígenas e acompanhar atentamente — explicou o cacique.

O Parlaíndio terá também uma comissão com representantes jurídicos para tomar providências caso os povos indígenas entendam que decretos ou projetos de lei desrespeitam direitos consagrados na Constituição.

A ideia de criar o Parlamento Indígena do Brasil surgiu em 2017 e foi inspirada no cacique Raoni Metuktire. O Parlaíndio servirá como uma instância para tomada de decisões e articulação com representantes dos povos indígenas brasileiros.

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Testemunha disse à polícia ter visto Ronnie Lessa matar rival do ex-vereador

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Ronnie Lessa
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Ronnie Lessa


Uma testemunha ouvida pela Delegacia de Homicídios da Capital (DHC) afirmou ter visto o policial reformado Ronnie Lessa atirando no ex-policial André Henrique da Silva Souza, o André Zóio. Segundo essa testemunha, cujo nome está sendo mantido em sigilo pela polícia por razões de segurança, o carro das vítimas chegou a dar marcha-ré, mas um Fiat Doblô branco, usado pelos autores do crime, interrompeu a passagem do veículo de Zóio.

Nesse momento, diz a testemunha, ela viu Lessa “caminhando com uma arma de fogo na mão”, um fuzil, e disparando contra os ocupantes. A testemunha já conhecia o sargento reformado da PM, que seria temido na Gardênia Azul. Nesta sexta-feira, o ex-vereador Cristiano Girão foi preso em São Paulo numa operação da DHC. Lessa, detido pela morte da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes, também foi alvo da ação.

Segundo as investigações da polícia, Girão teria contratado Lessa para executar Zóio e sua companheira, Juliana Sales de Oliveira, de 27 anos, em 14 de junho de 2014, devido a uma disputa pelo controle da Gardênia.

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O vínculo é considerado pela polícia e pelo Ministério Público do Rio de Janeiiro como um passo decisivo na elucidação do Caso Marielle. O ex-vereador foi denunciado pelo MP no último dia 9. Outros mandados de busca e apreensão estão sendo cumpridos por agentes da DHC no Rio e em São Paulo. Pouco depois das 10h, Girão foi levado ao Instituto Médico Legal (IML) para fazer exame de corpo de delito. O ex-vereador deve ser transferido ainda nesta sexta-feira para o Rio de Janeiro.

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Girão foi preso numa rua da capital paulista, após um trabalho de monitoramento e vigilância. As investigações mostraram que, nos últimos dias, ele não estava dormindo em casa, mas sim em uma loja, de onde saía diariamente antes das 6h, o horário regular para início de operações policiais. O ex-vereador foi surpreendido quando dirigia seu carro, após ter saído, ainda na madrugada, da loja. Segundo as investigações, ele passou a adotar tal rotina depois da veiculação de notícia que apontava que havia um pedido de prisão contra ele.

“Causa estranheza uma prisão ser decretada por fato ocorrido há 7 anos, mas preciso ter acesso aos autos para me manifestar sobre o mérito da acusação”, afirmou Zoser Hardman, advogado do ex-vereador, completando que vai pedir habeas corpus./

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