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Não faça botox nesta pandemia!

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Por Dr. Rosário Casalenuovo Júnior*

Falo no campo da comunicação e não da saúde. Recentemente, escrevi o artigo “O baile de máscaras na pandemia” e citei um amigo que encontrei no Aeroporto de Cumbica, em São Paulo. Como apenas olhava para sua testa e olhos, havia sugerido a ele fazer botox, pois estava com rugas. Mas, pensando bem passei a entender que a comunicação entre as pessoas, que antes olhavam para a boca, lábios e seus movimentos para ajudar a entender a sua fala. Isto tem até nome: leitura labial.

Vamos entender o que estou levantando neste momento de pandemia, porque temos que nos adaptar ao novo mundo que dizem que está vindo depois da pandemia.

Todos usando máscaras na boca e nariz. Você encontra algum conhecido no mercado, que é o único lugar que podemos ir para sair do isolamento, o qual está substituindo os shoppings. Apenas como observação, está havendo um grande número de carrinhos de compras abandonados nos corredores das gondolas, curiosamente o entendido foi que pessoas pegavam os carrinhos apenas para dar uma volta e enchendo de produtos que gostaria de comprar, depois de satisfeito com o passeio, larga o veículo sorrateiramente, indo pegar outro produto, sai à francesa. Veja como estamos carentes shoppings centers. (risos)

Voltando ao assunto do botox… A pessoa te cumprimenta falando mais alto e você consegue através do “olá” e de seu gesto ouvi-lo e entender que ele quer conversar um pouco. Ela te cumprimenta com o cotovelo e você deverá fazer o mesmo, tocar no dela. Assim, está realizando uma espécie de contato sinistro.  Ela dá um sorriso empacotado, que é percebido porque fecha e franze os olhos.  Bem aí ele ficará a uma distância de mais de um metro e, com o uso da máscara, você passa a ter dificuldade de ouvi-la. As palavras vão se misturando dentro do pano. Alguma vez, ela arruma a máscara que fica caindo sempre e acaba saindo por cima algumas letras e você tenta pegar com sua orelha o som.

Porque sugiro não usar botox na pandemia? Para você conseguir desenvolver um diálogo através das máscaras, como conversar com alguém dentro do carro com o vidro fechado. Vamos precisar das expressões da testa e dos olhos. Como se fosse uma leitura “testal”, ou “contextual”, quero dizer com o uso da testa. Se seu amigo pergunta alguma coisa e as palavras ficaram atrás do protetor viral, ele irá levantar as sobrancelhas e franzir a testa. Aí você desconfia que ele está perguntando. Se franziu o prócero (região entre as sobrancelhas), ele está dizendo que ficou bravo com alguma coisa. Assim, vai se conduzindo um diálogo, como se as rugas do frontal fossem lábios.

Agora, se o indivíduo está com botox, ele irá falar, você só vê a máscara se mexer, sem ouvir som, a testa e sobrancelhas congeladas, sem expressão, como um ventríloquo. Você aproxima dele para tentar ouvir e ele dá um passo para trás para manter a distância. Só que você não pode desistir para não passar como metido ou chato. Precisamos preservar a amizade pois depois da pandemia estaremos muito carentes.Teremos que desconstruir para reinventar tudo. Dentes feios, mau hálito, não têm a menor importância agora. Você pode bocejar sem colocar a mão para esconder a boca que já está tampada. Está vendo? Há vantagens também. Só não pode espirrar ou tossir em público, vão te olhar como um homem bomba biológica. O que achei o máximo foi ir ao banco mascarado. Já imaginou se você fosse passar pela roleta do banco de máscaras tempos atrás? Seria recebido a tiros.

“Migo ou miga, fica meu conselho, mantenha as rugas da sua testa. Se não, você se tornará um ser incomunicável.

*Dr. Rosário Casalenuovo Júnior é diretor Clínico do Instituto Machado de Odontologia, Presidente da ABOR-MT (Associação Brasileira de Ortodontia – SEC.MT). Contato: rosá[email protected]

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Viver bem com pouco

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            Este artigo certamente vai despertar muito incômodo. Mas julgo-o necessário neste momento de transformação que estamos vivendo. O título deveria trazer a palavra minimalismo. Mas achei melhor conversar sobre ela ao longo do texto.

            A pandemia do covid19 está transformando o modo de viver de todo mundo em todo o mundo. Fatores garantidos como o trabalho, o emprego, a economia, a política, a educação, a saúde, as políticas pessoais e públicas, estão rapidamente entrando em cheque.

            O minimalismo significa ter apenas cinco camisetas brancas, dois jeans e um sapato. Também não é jogar todos seus pertences fora e viver isolado. Então, não se assuste: ser minimalista diz muito mais sobre a maneira que você enxerga a vida e sua relação com os bens materiais. Tem a ver com a felicidade. Falo da felicidade individual.

            Vamos aos fatos. Trabalhamos muito, pra ter bens e atender a algumas carências pessoais. O home office está trazendo o minimalismo de maneira indireta. Viver em casa, acordar cedo sem pressa delirante, tomar café calmamente. Não precisar se produzir pra sair. Maquiar, fazer a barba, penteado, sapato de salto, roupas combinando, etc.etc. O ambiente confinado do trabalho. O ambiente conflituoso das convivências coletivas…

            Conversei com amigos e amigas. Por isso nasceu este artigo. A angústia e ao mesmo tempo a alegria de poderem viver de maneira mais simples, sem prejuízo da sensação de felicidade. Um amigo, empresário rico de família, disse-me ontem: “estou em home office e descobri que a felicidade está muito mais em ver o por do sol, do que passar pela garagem e ver meus carrões, ou olhar no armário tanta roupa de marca”.

            Minha irmã, Nice, que mora em Brasília, disse-me que tomar o café da manhã com calma é uma benção. E que tem vestidos e sapatos demais. No home office, usa apenas uma sandália, short e camiseta, cabelo preso, sem maquiagem. Almoça calma e cochila depois do almoço.  E disse-me uma coisa de arrepiar. Ver o por do sol todos os dias tornou-se obrigação de vida. Não dá mais pra não ver.

            Pessoalmente, em quarentena em Acorizal, Carmem e eu vivemos minimalistas. E olhamos o por do sol todos os dias. Felizes!

            O liquidificador da pandemia, depois a batedeira. O resultado será o bolo do futuro. Ninguém sabe como será depois que sair do forno. Mas nunca mais será como antes.

            Especialmente, será minimalista.

Onofre Ribeiro é jornalista em Mato Grosso

[email protected]   www.onofreribeiro.com.br

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Não sei o que dizer

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            Entrei pela primeira vez numa redação em 3 de fevereiro de 1973, no Jornal de Brasília, em Brasília. De lá pra cá já se passaram mais de 47 anos diariamente ali na velha máquina de escrever ou no computador. Milhares e milhares de páginas. Comecei a escrever artigos diariamente em 29 de junho de 1990, no jornal A Gazeta. Lá se vão 30 anos, completos ontem. Durante 26 anos escrevi diariamente. Hoje, uma vez por semana. Mas escrevo também pra uma série de sites da capital e do interior.

            Conto isso, porque quero fazer um desabafo. Nunca tive dificuldades pra escrever. Sempre li muito. Isso ajuda a dar norte aos temas. Mais um banco de viagens muito grande. Muitas entrevistas conceituais ao longo desses anos. Só em Mato Grosso são 44 anos. Dirigi muitos veículos de comunicação. Etc.etc.

            Porém, neste momento, não sei o que escrever!

            Por mais que uma série de assuntos pareça nos atropelar, pouco enxergo de útil neles. Ah. O vírus. Difícil porque está politizado e mergulhado no campo das incompetências públicas e privadas. Ah. A política. Nunca esteve em nível tão baixo. Ah. O futuro. Nunca esteve tão escuro como agora. Ah. Falar das pessoas. Nunca estiveram tão perdidas como agora. Ah. A juventude. Nunca esteve tão perdida como agora. Com a imensa responsabilidade de construir o seu futuro e o da humanidade, mas temos tão pouco a lhe ensinar.

            Puxa vida! Escrever o que, então? Juro que não sei. Em tempos de guerras formais, surgem líderes que conduzem o povo até as coisas se arrumarem. Hoje não se vê no mundo esse tipo de líder. Mesmo vivendo uma guerra. Mas é uma guerra estranha. De nós contra nós mesmos. Pra isso não tem líder que seja capaz de liderar.

            Encerro. Não virá mais de fora o sentido que deverá nos guiar. Virá de dentro de nós. Mas é preciso que se encerre essa fase política pra que tenhamos a consciência de que nada de fora nos ajudará. Cada um será o mestre de si mesmo. Sem cartilhas, sem manuais e sem líderes.  Ditado chinês diz: “quando o discípulo está pronto, o mestre aparece”. Só nós mesmos!

Onofre Ribeiro é jornalista em Mato Grosso

[email protected]     www.onofreribeiro.com.br

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