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Pesquisa da USP descobre como vírus deixa leishmaniose mais agressiva

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Agência Brasil

Pesquisa desenvolvida pela Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo (FMRP-USP) mostrou como um determinado vírus faz com que a leishmania – protozoário causador da leishmaniose – torne-se mais agressiva aos humanos. A leishmaniose tegumentar, transmitida ao ser humano pela picada das fêmeas do mosquito palha, causa lesões localizadas na pele.

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Leishmaniose arrow-options
Creative Commons/Wikimedia

Leishmaniose é causada pelo mosquito palha

No entanto, em casos mais graves, quando há a disseminação das feridas, as lesões passam a aparecer também nas mucosas, frequentemente no nariz, boca e garganta, podendo desfigurar o rosto do paciente. Neste estágio, conhecido como o  leishmaniose mucocutânea, a doença pode se tornar letal.

Os pesquisadores já tinham conhecimento de que leishmania, quando infectada com o vírus LRV (Leishmania RNA virus), era capaz de desenvolver os casos mais graves da doença. A pesquisa da USP mostrou agora como o vírus possibilita ao protozoário se desenvolver de forma agressiva.

“Quando a leishmania infecta as pessoas fica uma queda de braço. Ela querendo sobreviver e nosso sistema imunológico tentando eliminar o parasita. Mas, quando a leishmania tem o vírus, ele’ desliga’ alguns dos mecanismos do nosso sistema imunológico que combatem o parasita”, destaca o autor da pesquisa, Renan Carvalho, cientista do Departamento de Biologia Celular e Molecular e Bioagentes Patogênicos da FMRP-USP.

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De acordo com a pesquisa, quando a leishmania , infectada com o LRV, invade o corpo humano, o vírus ativa um receptor nas células chamado TLR3, o que faz com que o sistema imunológico comece a produzir a substância interferon do tipo 1. O interferon, por sua vez, induz a autofagia das células humanas, ou seja, o processo de degradação e reciclagem de componentes da célula.

Com isto, as células humanas ficam mais vulneráveis, já que a presença do interferon impede a ação do inflamassoma, um conjunto de proteínas do sistema imunológico que combate a leishmania.

“Como essa proteína que mata a leishmania está sendo silenciada pelo vírus, a leishmania consegue sobreviver melhor, proliferar melhor e causar aquela forma da doença mais grave que é a leishmaniose mucocutânea. O parasita migra para o rosto das pessoas, tanto para a boca quanto para o nariz, e desfigura o rosto do paciente”, destaca Carvalho.

Estudo abre caminho para avanços na prevenção da doença

De acordo com o pesquisador, o estudo abre caminho para novas formas de combater a leishmaniose e tratar os pacientes. “A gente propõe que, a partir de agora, o paciente que chegue com suspeita de leshmaniose, ele seja diagnosticado não apenas para ver se tem a leishmania, parasita, mas que seja também feita uma análise molecular para ver se a leishmania possui o vírus”, diz Carvalho.

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Segundo o cientista, caso diagnosticado com a leishmania portadora do vírus, o paciente deverá receber, além do tratamento convencional contra a leishmaniose, drogas capazes de combater também a ação do vírus. Essa medicação, no entanto, ainda está em fase de pesquisa.

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No Brasil, segundo o Ministério da Saúde, são registrados anualmente cerca de 21 mil casos de leishmaniose tegumentar. A região Norte apresenta o maior número de casos, seguida das regiões Centro-Oeste e Nordeste.

Fonte: IG SAÚDE

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União estuda repasse para o Rio por unidades de saúde municipalizadas

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O ministro em exercício da Saúde João Gabbardo disse, durante o repasse de R$ 152 milhões para auxiliar à prefeitura do Rio a pagar os servidores terceirizados da área da saúde, que a União vai fazer um esforço para equilibrar a situação da média e alta complexidade dos hospitais da rede pública de saúde do município.

Além do acordo assinado nesta sexta-feira (13), será discutida em breve a incorporação de R$ 225 milhões ao teto do município, como ressarcimento pelas ações de média e alta complexidade. Segundo o ministro, o governo federal reconhece que ainda tem parte da dívida, mas equipes da pasta e do município estão analisando o valor que a União deve repassar ao longo do próximo ano.

“O valor máximo é R$ 225 milhões mas, com certeza, não chegará a tanto. Tão logo esteja definido, vamos negociar com a prefeitura a forma de repasse desses recursos.” Gabbardo disse ainda que o município tem dívida de governos anteriores, porque essas unidades foram passadas para a prefeitura há mais de 20 anos. Segundo ele, “não foi cumprido o acordo em que o governo federal deveria recompor recursos.”

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Reivindicação antiga

O pagamento da dívida pela União era reivindicado pelo município desde 1995. A prefeitura do Rio havia entrado com ação judicial para devolver as unidades ao governo federal, mas o acordo firmado agora prevê a regularização dos repasses federais.

O senador Flávio Bolsonaro, presente ao encontro, e um dos articuladores do acordo, disse que o presidente Jair Bolsonaro sempre esteve sensível à questão da saúde no Rio. “A solução do Ministério da Saúde foi fazer com que uma dívida líquida e certa da União com o município pudesse ser paga”, afirmou.

As unidades do Ministério da Saúde que passaram para o município do Rio nos últimos anos e terão a verba liberada anualmente para custeio e manutenção são as seguintes: Hospital da Piedade, Hospital Raphael de Paula Souza, Hospital Álvaro Ramos, Hospital Municipal Francisco da Silva Telles, Instituto Juliano Moreira, Instituto Nise da Silveira, Instituto Philippe Pinel, Hospital Maternidade Carmela Dutra, Hospital Maternidade Alexander Fleming, Policlínica Antônio Ribeiro Netto, Policlínica José Paranhos Fontenelle, Policlínica Newton Alves Cardozo, Policlínica Rodolpho Rocco, Policlínica Newton Bethlem, Policlínica Manoel Guilherme da Silveira Filho, Policlínica Carlos Alberto do Nascimento, Policlínica Lincoln de Freitas Filho, Policlínica Hélio Pellegrino, Centro Municipal de Saúde (CMS) Oswaldo Cruz, CMS Dom Hélder Câmara, CMS Maria Cristina Roma Paugartten, CMS Cesar Pernetta e CMS Alberto Borgerth.

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Edição: Denise Griesinger
Fonte: EBC Saúde

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Cresce número de idosos com HIV no Brasil; entenda motivo e como se prevenir

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Grande parte das campanhas de conscientização sobre HIV e Aids tem os jovens como público-alvo, o que criou a impressão de que somente eles estão expostos ao risco de contrair o vírus. Mas pessoas mais velhas também estão vulneráveis. Prova disso é que, a cada ano, está aumentando o número de idosos com HIV no Brasil. E o agravante é que isso não acontece apenas pelo envelhecimento dos pacientes, segundo os médicos.

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Em 11 anos, o número de HIV em idosos triplicou

De acordo com o último Boletim Epidemiológico do Ministério da Saúde sobre HIV /Aids, o número de pacientes diagnosticados com HIV com mais de 60 anos em 2007 era de 168. Após 11 anos, o número triplicou.

Em 2018, foram registrados 627 diagnósticos. “O HIV não tem idade e atinge todas as faixas etárias. Tanto idosos como jovens correm riscos e os dados mostram isso”, afirma a infectologista e diretora médica da Gilead Sciences, Anita Campos.

Por que o número de idosos com HIV aumentou?

Os especialistas apontam que o aumento no número de casos se deve em parte ao envelhecimento daqueles que foram infectados quando ainda eram jovens ou adultos. “Com os medicamentos e tratamentos atuais, pessoas com HIV têm uma expectativa de vida tão longa quanto qualquer um.

Por isso, é esperado que os pacientes que tenham o vírus desde jovens se tornem idosos”, explica Vivian Avelino-Silva, infectologista do Departamento de Moléstias Infecciosas e Parasitárias da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP).

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Por outro lado, o crescimento também é resultado das novas infecções nas pessoas já em idade mais avançada. Vivian acredita que alguns fenômenos sociais que estão surgindo facilitam novas parcerias sexuais, o que vale para todas as idades.

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Já Anita destaca que os avanços tecnológicos na área de saúde, os tratamentos de reposição hormonal e as medicações para impotência têm permitido o redescobrimento do sexo entre idosos. “Mas ainda há grande ocorrência de práticas sexuais inseguras, já que os idosos não têm o costume de usar camisinha. Isso contribui para que essa população se torne mais vulnerável à infecção pelo HIV e outras ISTs”, afirma.

Mas ainda há grande ocorrência de práticas sexuais inseguras, já que os idosos não têm o costume de usar camisinha. Parte do problema se deve ao fato de que os idosos de hoje em dia ainda vêm de uma geração com dificuldade para conversar abertamente sobre sexualidade.

Muitos iniciaram a vida sexual em uma época em que pouco se falava sobre aids. Por isso, nunca tiveram o hábito de usar preservativo nem se consideram um grupo vulnerável ao vírus. Muitos também viveram uma época em que as dificuldades de ereção e os efeitos da menopausa eram quase intransponíveis, o que os afastava ainda mais do sexo.

Prevenção

No entanto, hoje o cenário é diferente. Com as medicações corretoras desses problemas, os idosos passaram a se sentir mais encorajados a ter relações sexuais. “Precisamos falar abertamente sobre a prevenção e oferecer mais opções para que a pessoa possa usar as que mais se encaixem no seu estilo de vida e nas suas escolhas de felicidade. O Ministério da Saúde hoje fala em uma ‘mandala’ da prevenção, e não mais apenas na camisinha”, afirma Vivian.

Precisamos falar abertamente sobre a prevenção e oferecer mais opções para que a pessoa possa usar as que mais se encaixem no seu estilo de vida e nas suas escolhas de felicidade. A mandala da prevenção é o esquema que representa a prevenção combinada. Trata-se uma estratégia que associa vários métodos de prevenção de forma simultânea.

Entre os métodos estão o teste regular para HIV e outras ISTs, a profilaxia pré-exposição (PrEP) e a profilaxia pós-exposição (PEP), a prevenção da transmissão vertical (quando o vírus é passado para o bebê durante a gestação), a imunização para hepatites A e B e para o HPV, programas de redução de danos, uso dos preservativos masculino e feminino e o tratamento de pessoas que já vivem com o HIV.

Anitta destaca que é necessário que haja diálogo em casa e nos consultórios médicos. Também é preciso criar estratégias educativas através da adoção de políticas de saúde pública que concentrem a atenção na população mais velha e na realização de programas de prevenção.

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“Assim, vamos conseguir promover uma mudança no comportamento dos idosos, principalmente quanto às formas de prevenção do HIV em idosos. É preciso fazer com que percebam sua vulnerabilidade e entendam a necessidade de se fazer sexo seguro”, reforça a médica.

Fonte: IG SAÚDE

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