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Projeto de lei torna obrigatório serviço de avaliação psicológica a gestantes

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Aproximadamente 25% das mães no Brasil apresentam sintomas de depressão no período entre 6 e 18 meses após ao nascimento do bebê

Foto: Fablício Rodrigues / Secretaria de Comunicação Social

Para o deputado estadual Dr. Gimenez, autor da proposta, instituir o acompanhamento como uma exigência no pré-natal salvará muitas vidas e preservará famílias

Foto: JLSIQUEIRA / ALMT

Aproximadamente 25% das mães no Brasil apresentam sintomas de depressão no período entre 6 e 18 meses após ao nascimento do bebê, conforme estudo da Escola Nacional de Saúde Pública Sergio Arouca (Ensp/Fiocruz). Com o objetivo de reverter este quadro, o Projeto de Lei 970/2019 visa instituir a avaliação psicológica durante o pré-natal na saúde pública de Mato Grosso.

Conforme o deputado estadual Dr. Gimenez (PV), autor dessa proposição, em cada quatro mães mais de uma apresenta sintomas de depressão, prevalência maior que a estimativa feita pela Organização Mundial de Saúde (OMS) para os países de baixa renda. “Como o estudo foi feito em 2011/2012 e vivemos um quadro de pandemia da Covid-19, a tendência é que esteja muito pior”.

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O projeto de lei foi aprovado em segunda votação na sessão de quarta-feira (9) e segue para sanção. A proposta é detectar precocemente os fatores de risco para encaminhamento imediato da gestante a um serviço de aconselhamento e psicoterapia. Para tanto, o Poder Executivo poderá fazer convênios com outras secretarias ou com iniciativa privada. “É imprescindível que o Estado priorize a rotina de cuidados também na área da saúde mental”, afirma o deputado. 

A depressão pós-parto (DPP) acomete mulheres no período puerperal, definido como instável após o nascimento da criança, caracterizado por ser uma etapa de alteração no âmbito social, psicológico e físico da mulher. Entre os sintomas estão: insônia, perda de apetite, irritabilidade, dificuldade para criar um vínculo com o bebê, ansiedade, culpa, descontentamento, desesperança, mudanças de humor, raiva, solidão e/ou tristeza.

Já os fatores de risco são a idade da mãe inferior a 16 anos, histórico de transtorno psiquiátrico prévio, eventos estressantes experimentados nos últimos 12 meses, conflitos conjugais, desemprego, gravidez não planejada e a falta de apoio do companheiro, má evolução de gestações anteriores (abortamentos espontâneos ou induzidos, crianças doentes), etc.

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 “Devemos estar atentos aos relatos de pensamentos indesejados, pesadelos ou privação de sono, algumas mulheres ganham mais peso, outras perdem peso, enfim, um conjunto de sintomas pode aparecer e acarretar, por exemplo, um suicídio ou outras tragédias familiares, por isso é fundamental instituir o acompanhamento como uma exigência no pré-natal, pois estaremos salvando vidas”, finaliza o deputado. 

Fonte: ALMT

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Poder Legislativo busca soluções efetivas e de longo prazo para o Pantanal

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Destruição pelas chamas causa impactos incalculáveis sobre a fauna e a flora

Foto: MARIO FRIEDLANDER / ALMT

Com mais de 20% de sua área destruída pelas chamas e impactos incalculáveis sobre a fauna e a flora, o Pantanal passa a ser foco do Poder Legislativo em âmbito estadual e federal. Neste sábado (19), uma comitiva de senadores, deputados federais e estaduais, técnicos legislativos e imprensa vai ver de perto a situação do Pantanal mato-grossense e conversar com a comunidade local. Este será o segundo passo da Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT) em busca de soluções para a atual situação na região e de prevenir novos incêndios futuramente. Na quinta-feira (17), uma audiência pública abriu a programação da frente parlamentar da Câmara Federal, do Senado e da ALMT.

Devido à gravidade da situação e a preocupação com relação ao tema, foram criadas três comissões, uma na Câmara, uma no Senado e uma na Assembleia Legislativa, porém esta primeira diligência é articulada entre as três casas. Outros trabalhos conjuntos, entretanto, deverão ocorrer ao longo de todo o processo, como destacou o presidente da ALMT, deputado Eduardo Botelho (DEM). “Vamos trabalhar nesse projeto, a Assembleia Legislativa vai estar à frente dele, junto com a Comissão de Meio Ambiente desta Casa de Leis. Vamos elaborar propostas tanto para a Câmara Federal, como Senado e Assembleia Legislativa”, destacou.

A coordenadora da Comissão Temporária Externa na Câmara Federal, deputada Rosa Neide (PT-MT), explica que a iniciativa legislativa deverá acompanhar e promover uma estratégia nacional para enfrentar as queimadas em biomas brasileiros. “Vamos envidar esforços conjuntos e dialogados que envolvam autoridades públicas, cientistas, organizações da sociedade civil, proprietários rurais, comunidades tradicionais e toda a população. A finalidade é articular esforços para enfrentar a crise, contextualizar bem as raízes do problema e indicar o que pode ser feito para enfrentar e evitar queimadas”, explicou a deputada.

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Cerca de 3 milhões de hectares do Pantanal já foram consumidos pelas chamas

Foto: Karen Malagoli / Secretaria de Comunicação Social

O senador Wellington Fagundes (PL-MT) vai presidir a comissão no Senado e destacou que os trabalhos poderão resultar, inclusive, num estatuto para o Pantanal. “Partimos do princípio de que não tem uma norma federal, um estatuto que contemple princípios, objetivos e diretrizes que orientem o desenvolvimento socioeconômico sustentável da região”, afirmou o senador.

Neste sábado (19), o grupo político deverá partir logo cedo para o Pantanal, onde ficará até domingo. Na programação estão previstos um sobrevoo à região atingida, conversa com as equipes em campo e contato com lideranças locais de trabalhadores rurais e urbanos, povos indígenas, quilombolas e comunidades tradicionais. 

A previsão é que os trabalhos das comissões sejam realizados por um período de até 90 dias, porém algumas medidas de curto prazo poderão ser apresentadas e propostas para respostas imediatas ao problema atual.

Integração – Para a professora doutora e pesquisadora do Departamento de Botânica e Ecologia do Instituto de Biociência da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), Viviane Layme, a construção de uma legislação específica para ordenar a ocupação e as atividades socioeconômicas no Pantanal pode contribuir muito para evitar que tragédias como a registrada este ano voltem a ocorrer. Mas, segundo ela, para que seja realmente eficiente e realista, é preciso ouvir todos as partes envolvidas, inclusive pesquisadores, comunidades tradicionais, pecuaristas e políticos.

 “Precisamos desenvolver um trabalho integrado de longo prazo. Não adianta cada parte ficar isolada, é hora de tirarmos proveito dessa tragédia para trabalhar de forma integrada”. De acordo com a pesquisadora, os povos tradicionais e indígenas precisam ser incluídos no processo porque muitas vezes são os mais atingidos.

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Do ponto de vista do médico-veterinário e produtor rural em Poconé (a 102 km de Cuiabá) Ricardo Figueiredo Arruda, o excesso de restrições legais para o uso do Pantanal afastou o humano, deixando a região altamente preservada, porém vulnerável a incêndios como o registrado neste ano. De acordo com Ricardo, o desenvolvimento sustentável da região requer um equilíbrio ambiental, econômico e social. “Uso restrito não pode ser uso impedido. As atividades econômicas geram renda e podem ser desenvolvidas em harmonia com o meio ambiente. Vimos que atender só um lado desta tríade não dá certo”, afirma.

Em Mato Grosso, existem atualmente 2,8 milhões de cabeças de gado em uma área de 5,3 milhões de hectares. Isso representa 14,79% do rebanho total em 87,74% da área de total do Pantanal.

Integrante do Comitê Popular do Rio Paraguai há mais de 20 anos, Vanda Aparecida Santos afirma que a falta de infraestrutura e de logística deixa as comunidades lindeiras sem nenhum amparo. “Não temos carros bombeiros, equipes. Semana passada, o fogo atingiu uma comunidade que precisou se mobilizar e combater o fogo sozinha. Já estamos sofrendo com a estiagem, não precisávamos do fogo”, afirma.

Sob diferentes óticas, os três entrevistados defendem a ampla discussão e inclusão de todos os agentes na construção de uma legislação específica para o Pantanal.

Incêndio histórico – Dados do Centro Nacional de Prevenção e Combate aos Incêndios Florestais (Prevfogo) apontam que 20% de todo o Pantanal já foram consumidos pelas chamas, atingindo cerca de 3 milhões de hectares. O Instituto Nacional de Pesquisa Espacial (Inpe) identificou 15.756 focos de calor no Pantanal, maior registro para o período desde 2005.

Fonte: ALMT

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