POLÍTICA MT

Qual o papel da escola na pandemia do Covid-19?

Publicados

em


.

Foto: Marcos Lopes

A Comissão de Educação, Ciência, Cultura, Tecnologia, Cultura e Desporto da Assembleia Legislativa de Mato Grosso, e a Comissão Especial criada pela Casa de Leis para debater o retorno às aulas presenciais com segurança no estado, estão em constantes questionamentos que envolvem condições de aprendizado, metodologias pedagógicas e o papel da escola.

Neste ano em que se comemora o Centenário de Paulo Freire surge a pergunta: a afetividade é uma condição para aprendizagem humana? Bom, podemos entender afetividade humana, do ponto de vista de Wanderley Codo e Andrea Gazzotti, como “conjunto de fenômenos psíquicos que se manifestam sob a forma de emoções, sentimentos e paixões, acompanhados sempre de impressão de dor ou prazer, de satisfação ou insatisfação, de agrado ou desagrado, de alegria ou de tristeza.”

Para Henri Wallon, na teoria psicogenética da aprendizagem, “existe a dimensão afetiva no processo de aprendizagem e o desenvolvimento cognitivo de uma criança fazendo com que a sociedade seja responsável pelo seu desenvolvimento, uma vez que somente um bebê que se relaciona afetivamente é capaz manifestar suas necessidades, a princípio pelo choro que é decodificado pela mãe/pai/cuidador.”

“Dando continuidade ao seu desenvolvimento, a criança que antes era apenas orgânica passa a desfrutar da afetividade e adiante da racionalidade.” Com isso, Wallon defende que “afetividade e inteligência nascem no mesmo espaço e são entrelaçadas.”

No movimento dialético entre afetividade, emoção e sujeito, temos a teoria pedagógica que considera a interação social como parte da aprendizagem, da formação integral do sujeito, sendo intelectual, afetiva e social. Com isso, saímos do ensino mecânico e conteudista aplicado modernamente e desenvolvendo para o espaço escolar o seu papel transformador e libertador.

É bom lembrar que Paulo Reglus Neves Freire, o pernambucano patrono da educação brasileira, comemoraria no próximo ano, 100 anos de idade.  Educador e filósofo, com aproximadamente 48 títulos entre “honoris causa” e demais honrarias acadêmicas, escreveu diversas obras, destaque para “Pedagogia do Oprimido”. Nela, Freire defende o que foi chamado de movimento da pedagogia crítica: “ninguém educa ninguém; ninguém educa a si mesmo; os homens educam-se entre si, mediatizados pelo mundo”.

Leia Também:  Contemplados no edital de Literatura Estevão de Mendonça começam a receber premiação

A Escola Libertadora, por Freire concebida, dá ao aluno a possibilidade de aprender, entender seu papel, libertar-se e transformar o mundo à sua volta valorizando a cultura e fazendo que esse processo seja coletivo.

Quando triangulamos as opiniões de Wallon e de Freire com a pandemia do Covid-19 percebemos que discutir o retorno às aulas com segurança vai muito além de um calendário escolar; depende de como as atividades devem ser desenvolvidas para garantir ao aluno o direito constitucional de acesso a uma educação que lhe proporcione a dignidade da pessoa humana; fundamento da República Federativa do Brasil. Ou ainda nas palavras de Freire,  “uma educação centrada na priorização de valores que constroem a justiça social e liberta o homem do preconceito e da discriminação.”

O plano de trabalho da Comissão Especial da ALMT contou com dois seminários: “a centralidade de aspectos didático-pedagógicos, organização e desenvolvimento curricular, normatização e desafios específicos derivados das medidas de enfrentamento à pandemia do Covid-19” e “a centralidade em aspectos normativos,  pactuações interinstitucionais, protocolos de segurança sanitária, gestão educacional e condições de financiamento”. Contou ainda, com um núcleo temático sobre “as ações intersetoriais, interinstitucionais e interfederativas para a nova normalização da oferta escolar no estado de Mato Grosso”.

Também discutiu “a atualização da legislação e normatização contratual, contábil, fiscal e tributária para a nova normalização da oferta escolar no estado”;  “a gestão educacional, organização curricular e didático-pedagógica, protocolos de segurança sanitária, monitoramento e controle  do retorno da oferta escolar”; “os impactos financeiros e demandas por incrementos financeiros e orçamentários derivados das medidas necessárias ao retorno da oferta escolar no estado”.

Leia Também:  Apresentações de teatro, música e cordel marcam live da Escola Sanches Marques

Ao fim do trabalho, apresentamos um relatório que pontuou duas Propostas de Resolução e três Projetos de Lei. Eles visam a efetivação de apoio financeiro à construção e desenvolvimento de plataforma virtual de domínio público para o desenvolvimento de atividades educativas remotas em caráter complementar à oferta de ensino regular nas instituições;  apoio financeiro à realização de pesquisa aplicada ao monitoramento das iniciativas e resultados das estratégias educacionais adotadas no enfrentamento da pandemia no âmbito do sistema estadual de educação;  apresentam marcos legais para a construção de planos de retorno às atividades de ensino de forma presencial no sistema estadual de ensino. Também definem princípios e instâncias de decisão e implementação das estratégias de volta às aulas, regulamentam o trabalho docente na oferta de atividades não presenciais e a utilização de plataformas digitais no sistema estadual de ensino.

Como conclusão, sabe-se que a relação professor/aluno foi ressignificada, que Libâneo assim explica: “quando se fala na educação em geral, diz-se que ela é uma atividade pela qual professores e alunos, mediatizados pela realidade que apreendem e da qual extraem o conteúdo de aprendizagem, atingem um nível de consciência dessa mesma realidade.  A fim de nela atuarem num sentido de transformação social”.

Portanto, o mais importante não é quando retornarão as aulas, mas sim como retornarão as atividades escolares, uma vez que as influências para o aprendizado impactam diretamente no resultado final a ser alcançado. Não importa somente o ensino certificado, mas sim a transformação proposta pela escola para auxiliar que o sujeito aluno alcance sua liberdade e consciência de cidadania.

*Valdir Barranco é deputado estadual.

Fonte: ALMT

Propaganda

POLÍTICA MT

Domingo (27): Mato Grosso registra 120.641 casos e 3.400 óbitos por Covid-19

Publicados

em


.

A Secretaria de Estado de Saúde (SES-MT) notificou, até a tarde deste domingo (27.09), 120.641 casos confirmados da Covid-19 em Mato Grosso, sendo registrados 3.400 óbitos em decorrência do coronavírus no Estado.

Foram notificadas 267 novas confirmações de casos de coronavírus no Estado. Dos 120.374 casos confirmados da Covid-19 em Mato Grosso, 15.514 estão em isolamento domiciliar e 101.010 estão recuperados.

Entre casos confirmados, suspeitos e descartados para a Covid-19, 247 internações em UTIs públicas e 248 em enfermarias públicas. Isto é, a taxa de ocupação está em 58,81% para UTIs adulto e em 28% para enfermarias adulto.

Dentre os dez municípios com maior número de casos de Covid-19 estão: Cuiabá (23.535), Várzea Grande (8.947), Rondonópolis (8.766), Lucas do Rio Verde (5.459), Sorriso (5.127), Sinop (5.078), Tangará da Serra (4.873), Primavera do Leste (3.948), Cáceres (2.796) e Campo Novo do Parecis (2.676).

A lista detalhada com todas as cidades que já registraram casos da Covid-19 em Mato Grosso pode ser acessada por meio do Painel Interativo da Covid-19, disponível neste link.

Leia Também:  CGE alerta órgãos para novas regras de proteção de dados pessoais

O documento ainda aponta que um total de 96.444 amostras já foram avaliadas pelo Laboratório Central do Estado (Lacen-MT) e que, atualmente, restam 751 amostras em análise laboratorial.

Cenário nacional

No último sábado (26), o Governo Federal confirmou o total de 4.717.991 casos da Covid-19 no Brasil e 141.406 óbitos oriundos da doença. No levantamento do dia anterior, o país contabilizava 140.537 óbitos e 4.689.613 casos confirmados de pessoas infectadas pelo coronavírus.

Até o fechamento deste material, o Ministério da Saúde não divulgou os dados atualizados de domingo (27).

Recomendações

Atualmente, não existe vacina para prevenir a infecção pelo novo coronavírus. A melhor maneira de prevenir a infecção é evitar ser exposto ao vírus. Os sites da SES e do Ministério da Saúde dispõem de informações oficiais acerca do novo coronavírus. A orientação é de que não sejam divulgadas informações inverídicas, pois as notícias falsas causam pânico e atrapalham a condução dos trabalhos pelos serviços de saúde.

O Ministério da Saúde orienta os cuidados básicos para reduzir o risco geral de contrair ou transmitir infecções respiratórias agudas, incluindo o novo coronavírus. Entre as medidas estão:

Leia Também:  Unidade do Ganha Tempo da Praça Ipiranga não funciona nesta sexta-feira (25)

– Lavar as mãos frequentemente com água e sabão por pelo menos 20 segundos. Se não houver água e sabão, usar um desinfetante para as mãos à base de álcool;
– Evitar tocar nos olhos, nariz e boca com as mãos não lavadas;
– Evitar contato próximo com pessoas doentes;
– Cobrir boca e nariz ao tossir ou espirrar com um lenço de papel e jogar no lixo;
– Limpar e desinfetar objetos e superfícies tocados com frequência.

Fonte: GOV MT

Continue lendo

MOMENTO POLICIAL

MOMENTO DESTAQUE

MOMENTO MULHER

MOMENTO PET

MAIS LIDAS DA SEMANA