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Bolsonaro endossa Mourão e nega racismo: “Sou daltônico, todos têm a mesma cor”

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Presidente Jair Bolsonaro ignorou Dia da Consciência Negra e morte de negro em Carrefour em texto nas redes sociais

No Dia Da Consciência Negra e após espancamento até a morte de um homem negro motivar uma onda de protestos pelo Brasil , o presidente Jair Bolsonaro publicou texto em suas redes sociais minimizando o racismo no Brasil. “Como homem e como Presidente, sou daltônico: todos têm a mesma cor. Não existe uma cor de pele melhor do que as outras”, defendeu Bolsonaro, endossando o vice-presidente Hamilton Mourão, que também nesta sexta-feira (20) afirmou que “não há racismo no Brasil” .

Em sua publicação, Bolsonaro ignorou o Dia da Consciência Negra e também a morte de João Alberto Silveira Freitas, de 40 anos, espancado até  morrer por asfixia por um policial militar e um segurança da unidade do bairro Passo D’Areia, em Porto Alegre, do supermercado Carrefour.

“O Brasil tem uma cultura diversa, única entre as nações. Somos um povo miscigenado . Brancos, negros, pardos e índios compõem o corpo e o espírito de um povo rico e maravilhoso. Em uma única família brasileira podemos contemplar uma diversidade maior do que países inteiros. Foi a essência desse povo que conquistou a simpatia do mundo. Contudo, há quem queira destruí-la, e colocar em seu lugar o conflito, o ressentimento, o ódio e a divisão entre classes, sempre mascarados de “luta por igualdade” ou “justiça social”, tudo em busca de poder”, publicou Bolsonaro.

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Segundo o presidente, o Brasil tem problemas, mas segundo ele são “muito mais complexos” do que questões raciais. “Estamos longe de ser perfeitos. Temos, sim, os nossos problemas, problemas esses muito mais complexos e que vão além de questões raciais. O grande mal do país continua sendo a corrupção moral, política e econômica. Os que negam este fato ajudam a perpetuá-lo”, defendeu.

“Não adianta dividir o sofrimento do povo brasileiro em grupos. Problemas como o da violência são vivenciados por todos, de todas as formas, seja um pai ou uma mãe que perde o filho, seja um caso de violência doméstica, seja um morador de uma área dominada pelo crime organizado. Existem diversos interesses para que se criem tensões entre nosso próprio povo. Um povo unido é um povo soberano, um povo dividido é um povo vulnerável. Um povo vulnerável é mais fácil de ser controlado. E há quem se beneficie politicamente com a perda de nossa soberania “, citou.

Bolsonaro citou a suposta manipulação feita por grupos políticos, que não foram citados, na luta contra o racismo. “Não nos deixemos ser manipulados por grupos políticos. Como homem e como Presidente, sou daltônico : todos têm a mesma cor. Não existe uma cor de pele melhor do que as outras. Existem homens bons e homens maus. São nossas escolhas e valores que fazem a diferença”, pregou.

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“Aqueles que instigam o povo à discórdia, fabricando e promovendo conflitos, atentam não somente contra a nação, mas contra nossa própria história. Quem prega isso, está no lugar errado. Seu lugar é no lixo!”, finalizou Bolsonaro.

Números põem em xeque visão do presidente

Enquanto Bolsonaro fala em igualdade diz que são as escolhas e valores que fazem a diferença, a desigualdade brasileira e números de diferentes áreas levantam suspeita sobre essa realidade livre do racismo. Para além da violência e a injúria, o racismo é estrutural.

Nos últimos oito anos, de acordo com dados do DataSUS consultados pelo UOL, as mortes de negros causadas por violência física aumentaram 59% no Brasil, incidência 45 vezes maior do que a taxa medida em relação à população branca neste mesmo período. O número anual de vítimas negras no país saltou de 694, em 2011, a 1.104, em 2018. A média é de uma morte a cada 7 horas.

De acordo com dados da Pnad, pesquisa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), os pretos e pardos têm mais dificuldade de acesso à moradia : 7 a cada 10 que moram em casas com inadequação são negros.

No mercado de trabalho , segundo estudo divulgado pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS), feito em parceria com a Rede de Observatórios da Dívida Social na América Latina (RedODSAL), trabalhadores negros recebem, em média, 17% menos do que trabalhadores brancos que têm a mesma origem social.

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Crime contra humanidade: juristas buscam acionar Bolsonaro em Corte fora do país

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Crime contra humanidade: juristas buscam acionar Bolsonaro em Corte fora do país
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Crime contra humanidade: juristas buscam acionar Bolsonaro em Corte fora do país

Em reunião virtual com integrantes da CPI da Covid, o grupo de juristas que tem auxiliado os trabalhos da comissão sustentou que há elementos suficientes para a comissão denunciar o  presidente Jair Bolsonaro (sem partido) ao Tribunal Penal Internacional por crime contra a humanidade.

“Crime contra humanidade ocorre também em tempos de paz, quando o governo se volta contra a sua população civil, com uma política desastrosa, sistemática, intencional, maldosa e dolosa de propagação de uma pandemia. Um ataque sistemático e generalizado fazendo parte da política de Estado”, disse Eloisa Machado, professora de Direito da FGV, presente ao encontro.

Os especialistas já haviam entregado aos senadores um parecer em que listam sete crimes que teriam sido cometidos pelo presidente da República durante a pandemia de Covid-19. O documento, ao qual o Globo teve acesso, aponta indícios de prevaricação, infração de medida sanitária, charlatanismo, incitação ao crime, crime de responsabilidade, crime de epidemia e contra a humanidade. O material deverá embasar o parecer do relator, Renan Calheiros (MDB-AL), previsto para ser apresentado no final da semana que vem.

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Embora tenha adentrado a reta final, a CPI ainda não formou consenso a respeito dos próximos passos a serem dados. Entre os principais pontos de discordância estão algumas dos depoimentos que deverão ser colhidos até a conclusão dos trabalhos, o que deve ocorrer no final deste mês.

Renan Calheiros voltou a defender ontem a convocação do atual ministro da Defesa, Braga Netto, que já foi o coordenador do comitê de enfrentamento à pandemia do governo federal na época em que comandava a Casa Civil de Bolsonaro.

“Eu acho que seria importante ouvirmos o general Braga Netto, que foi o coordenador do comitê. Aliás, ele já esteve uma ou duas vezas na Câmara dos Deputados. Isso torna absolutamente natural sua vinda para depor na CPI. Mais do que qualquer um, por ter sido o coordenador do comitê de enfrentamento à Covid, eu acho que ele precisa vir. Esse é o ponto de vista do relator. Para que seja o ponto de vista da comissão, precisa ter maioria”, argumentou o relator.


Outra personagem que divide opiniões no colegiado é a advogada Ana Cristina Siqueira Valle, ex-mulher do presidente Jair Bolsonaro e mãe de um de seus filhos, Jair Renan. A CPI já aprovou o requerimento para a sua convocação. O objetivo é apurar as relações dela com o lobista Marconny Faria, que atuou para a Precisa Medicamentos no Ministério da Saúde e depôs na quarta-feira na CPI. Alguns parlamentares não enxergam ligação direta de Ana Cristina como os temas investigados.

“Foi aprovado, mas não há ainda nenhum consenso para encaminhamento dentro da própria comissão”, disse Renan.

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