POLÍTICA NACIONAL

Especialistas constatam alta letalidade de crianças internadas com Covid-19 no Brasil

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Estudos apresentados à Comissão Externa da Câmara de enfrentamento à Covid-19 mostram letalidade em torno de 10% para as pessoas de 0 a 19 anos de idade com diagnóstico confirmado da doença. O médico intensivista Arnaldo Prata chegou a esse índice ao dividir os 759 óbitos pelos 7.436 pacientes internados dessa faixa etária até 22 de agosto, quando o país registrava um total de mais de 111 mil mortos por Covid. Na faixa até cinco anos de idade, foram 371 mortes. Nos Estados Unidos, por exemplo, esse número não chega a 100. Prata, que também é pesquisador do Instituto D’Or, apresentou um resumo dos estudos sobre crianças contaminadas com o novo coronavírus internadas nas UTIs do País. Segundo ele, a chamada síndrome inflamatória multissistêmica pediátrica tem sido um dos agravantes desses óbitos.

Michel Jesus/Câmara dos Deputados
80ª Reunião Técnica por Videoconferência - Casos Graves de Covid-19 em Crianças. Dep. Carmen Zanotto (CIDADANIA - SC), dep. Dr. Luiz Antonio Teixeira Jr. (PP - RJ) e dep. Pedro Westphalen(PP - RS)
Comissão Externa de ações contra o coronavírus debateu mortalidade das crianças com Covid-19

“Entre pessoas de 0 a 19 anos de idade, menos de 1% necessita de internação hospitalar. Porém, das que internam, a mortalidade pode ser alta. A presença de comorbidades aumenta em quase seis vezes a chance de gravidade e essa doença inflamatória multissistêmica pode acontecer em torno de 10% a 15% dos casos”, explicou.

Essa síndrome associada à Covid-19, também conhecida como SIM-P, é uma doença autoimune marcada por febre persistente, cefaleia e vários problemas cardiovasculares, renais, gastrointestinais e neurológicos. O alerta internacional surgiu em maio. No início de agosto, a Sociedade Brasileira de Pediatria elaborou um manual de diagnóstico e tratamento. O Ministério da Saúde só passou a recomendar a notificação desses casos em julho. Desde então, foram oficialmente registrados 197 casos de síndrome inflamatória multissistêmica pediátrica associada à Covid-19 até o dia 22 de agosto. Ceará (41), Pará (24) e Rio de Janeiro (22) lideram a lista de casos, mas os especialistas afirmam que há subnotificação. O diretor do departamento de ações programáticas estratégicas do Ministério da Saúde, Antônio Braga Neto, informou que o órgão ainda está concluindo o protocolo de atendimento e pode exigir a obrigatoriedade de notificação.

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“O Ministério da Saúde está monitorando os casos e tem procurado garantir os leitos hospitalares necessários. Ainda é uma doença nova e o que temos de garantir, na atenção primária, é a capilaridade das informações”, disse. “Quando uma criança chega à atenção primária com histórico de febre há três dias e tem alguns dos sintomas – como náusea, cefaleia, conjuntivite, excluindo causas de sepse – e apresenta alterações laboratoriais, ela deve ser encaminhada para uma atenção especializada, pois a gente pode estar diante de um caso de inflamação multissistêmica pediátrica”.

Divulgação/Agência Brasília
Saúde - doenças - coronavírus Covid-19 pandemia prevenção contágio hospitalar neonatal bebês EPIs equipamentos de proteção individual (recém-nascidos usam protetores faciais no HRAN, em Brasília)
Bebês internados em UTI neonatal

Segundo Braga Neto, o ministério também tem procurado garantir a aquisição de imunoglobulina, que é o principal medicamento para essa síndrome, mas que se tornou escasso e caro diante do aumento da demanda mundial.

Leitos disponíveis
Vice-presidente da Associação de Medicina Intensiva Brasileira (Amib), Marcelo Brandão manifestou preocupação quanto à disponibilidade de leitos, profissionais capacitados, medicamentos e insumos para enfrentar a síndrome. Os casos mais graves, por exemplo, necessitam de oxigenação por membrana corpórea, um equipamento hoje presente em poucas UTIs pediátricas de referência. Segundo Brandão, o avanço da pandemia para o interior do país e a futura reabertura de escolas e creches também são preocupantes.

“A gente não sabe exatamente como vai ser a evolução, já que a gente está aprendendo no decorrer da pandemia. Em algum momento, haverá a abertura das escolas e o encontro das crianças outra vez, então, a gente prevê que deve ter um aumento no número de pacientes que vão internar em UTI”.

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Intensivistas
Eventuais sequelas da síndrome inflamatória multissistêmica pediátrica ainda estão em estudo. O debate em torno do tema foi solicitado pela bancada feminina da Câmara. A relatora da comissão externa, deputada Carmen Zanotto (Cidadania-SC),  destacou a necessidade de reforço no quadro de profissionais da medicina intensiva, que hoje conta com apenas 18.600 pessoas, incluindo médicos, enfermeiros e técnicos de enfermagem.

“Essa pandemia precisa deixar o legado de a gente ter mais profissionais intensivistas nas UTIs neonatais e nas UTIs pediátricas. Muitas vezes, o resultado do tratamento está diretamente ligado à equipe que faz o atendimento”.

De acordo com a Associação de Medicina Intensiva Brasileira, o país tem 796 UTIs neonatais e 613 UTIs pediátricas, que oferecem em torno de 13 mil leitos para crianças. No entanto, quase metade deles está concentrada na região Sudeste. Para o presidente da comissão, deputado Dr. Luiz Antônio Teixeira Jr. (PP-RJ), o cuidado precoce deve ser a base do combate a essa síndrome pediátrica.

“Essa é uma sugestão: que tenha uma urgência pediátrica qualificada para esses diagnósticos e possa fazer algum tipo de acompanhamento, seja por telemedicina ou levando a criança para lá, de forma precoce, para evitar o agravamento do caso”.

O Ministério da Saúde informou que estuda a inclusão de crianças com comorbidades na lista prioritária para a futura vacina contra a Covid-19.

Reportagem – José Carlos Oliveira
Edição – Ana Chalub

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POLÍTICA NACIONAL

Comissão Mista de Orçamento será instalada nesta terça-feira

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A Comissão Mista de Orçamento (CMO), responsável por debater e votar as leis orçamentárias para 2021, será instalada nesta terça-feira (29) às 9h. De acordo com informações prestadas pela Presidência do Senado, a reunião será semipresencial. Os membros vão eleger o presidente do colegiado, que deverá ser um deputado, seguindo a regra de alternância para ocupação do cargo entre Câmara e Senado.

Entre as funções da comissão está a análise e votação do Projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA) de 2021, o PLN 28/2020, enviado pelo governo federal no final de agosto. O relator da proposta é o senador Marcio Bittar (MDB-RO), que terá a missão de apresentar um relatório com a previsão de receitas e despesas da União para o ano que vem considerando os impactos econômicos e sociais da pandemia de covid-19.

LDO

Entre outras matérias orçamentárias, a CMO também é responsável por analisar o projeto da Lei de Diretrizes Orçamentárias para 2021 (PLDO – PLN 9/2020), que estabelece os parâmetros do orçamento para o ano que vem e que foi enviado pelo Poder Executivo em 15 de abril. Diante dos efeitos da pandemia nas contas públicas, a equipe econômica sugeriu na LDO a adoção de uma meta fiscal flexível em 2021, diferentemente dos objetivos fixos adotados em anos anteriores.

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Criada pela Constituição de 1988, a Comissão de Orçamento examina e emite parecer sobre projetos orçamentários e contas apresentadas anualmente pelo presidente da República. Também exerce o acompanhamento e a fiscalização do Orçamento da União. Ela é composta por 42 parlamentares titulares, sendo 31 deputados e 11 senadores, e possui igual número de suplentes.

O colegiado analisa também o Plano Plurianual (PPA). No ano passado, a comissão aprovou o PPA para os anos de 2020 até 2023, que virou a Lei 13.971, de 2019. Ou seja, um novo PPA só terá que ser elaborado em 2023, para orientar os anos de 2024 até 2027. Também é atribuição da CMO dar parecer sobre os projetos de lei do Congresso Nacional (PLNs) que tratam de créditos orçamentários extraordinários.

 

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

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