POLÍTICA NACIONAL

Proposta altera Orçamento de 2020 para cobrir gasto extra de R$ 3 bi no seguro-desemprego

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TV Câmara
SEGURO DESEMPREGO CARTEIRA DE TRABALHO
O desemprego no Brasil cresceu 27,6% durante a pandemia, segundo dados do IBGE

O Poder Executivo enviou ao Congresso Nacional proposta para reforçar com quase R$ 3 bilhões os pagamentos de seguro-desemprego devido à pandemia (PLN 40/20). Acabou nesta quinta-feira (15) o prazo para entrega de textos que atualizam o Orçamento de 2020.

Esse dinheiro representa 48% do total previsto no projeto, que destina crédito suplementar superior a R$ 6,2 bilhões para o reforço de dotações da Presidência da República e de dez ministérios e para a quitação de obrigações do Brasil com organismos internacionais.

O texto faz várias alterações na lei orçamentária, em receitas e despesas, a fim de cobrir gastos extras com seguro-desemprego e, ao mesmo tempo, assegurar o cumprimento da regra do teto dos gastos e de decisões recentes do Tribunal de Contas da União (TCU).

As despesas com seguro-desemprego e abono salarial somam juntas R$ 60,6 bilhões no Orçamento deste ano, mas projeções feitas em setembro pelo Ministério da Economia indicam que essas duas ações deverão consumir cerca de R$ 63,0 bilhões até dezembro.

 

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) constatou no mês passado que o desemprego no Brasil havia crescido 27,6% durante a pandemia, considerando os dados a partir de março. Em agosto, 12,9 milhões de pessoas estavam sem trabalho no País.

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Espaço fiscal
No último dia 7, o TCU decidiu que o governo poderá utilizar eventual espaço fiscal no teto de gastos para cobrir dispêndios extras causados por ações emergenciais em razão da Covid-19. Mas deverá ser mantido o limite do teto neste ano (R$ 1,455 trilhão).

Graças ao “orçamento de guerra”, medidas provisórias abriram créditos extraordinários que, na prática, acabaram substituindo dotações ordinárias. O auxílio emergencial de R$ 600, por exemplo, foi pago, devido ao maior valor, aos beneficiários do Bolsa Família.

Assim, alguns recursos previstos na lei orçamentária ficaram “empoçados”, sem atingir o destino. Inicialmente o TCU criou restrições, mas depois cedeu à equipe econômica e liberou o uso desse dinheiro “empoçado”, desde que em ações relacionadas à Covid-19.

Emendas parlamentares
Para reforçar o seguro-desemprego com os R$ 3 bilhões, a equipe econômica revisou quatro MPs de crédito extraordinário (924, 941, 942 e 967). Esses textos envolveram emendas parlamentares remanejadas após acordo entre deputados, senadores e governo.

“As MPs cancelaram R$ 7,7 bilhões em despesas dentro do teto e suplementaram dotações fora do teto, abrindo espaço fiscal em igual montante”, explicou o ministro da Economia, Paulo Guedes, na exposição de motivos que acompanha a proposta.

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Foram canceladas ainda dotações condicionadas no Orçamento à aprovação, neste ano, da Proposta de Emenda Constitucional 186/19. A chamada PEC Emergencial prevê o corte de salários e jornada de servidores a fim de liberar dinheiro para outros gastos.

Na última terça-feira (13), o secretário de Orçamento Federal, George Soares, afirmou em videoconferência que, sem a aprovação pelo Congresso dessas alterações neste ano, restará ao governo cortar despesas discricionárias (de livre utilização) do Executivo.

Tramitação
O reforço no seguro-desemprego e outras oito propostas formam pacote enviado nesta quinta que altera o Orçamento deste ano em R$ 10,2 bilhões. Os nove textos devem ser analisados pela Comissão Mista de Orçamento (CMO) e depois pelo Congresso.

A CMO ainda não foi instalada nesta sessão legislativa. Mas ato das Mesas da Câmara e do Senado regulamenta a deliberação de propostas orçamentárias durante a pandemia, em casos de urgência ou relacionados à Covid-19 e com apoio de líderes partidários.

Confira a íntegra do projeto

Reportagem – Ralph Machado
Edição – Pierre Triboli

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POLÍTICA NACIONAL

Frente Parlamentar da Agropecuária elogia revisão de norma sobre trabalho no campo

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Cleia Viana/Câmara dos Deputados
Comissão Geral para debater
Alceu Moreira: “a realidade da propriedade rural não pode ser confundida com o chão de fábrica, porque as atividades são distintas”

Integrantes da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) elogiaram, nesta quinta-feira (22), o anúncio feito pelo governo federal de desburocratizar a norma regulamentadora (NR 31) de atividades relacionadas ao trabalho no campo.

O presidente da FPA, deputado Alceu Moreira (MDB-RS), afirmou que as mudanças eram uma demanda do setor. “Fazer uma legislação que dê segurança jurídica, conforto para quem emprega e quem recebe é, simplesmente, uma questão de bom senso. A realidade da propriedade rural não pode ser confundida com o chão de fábrica porque as atividades são distintas. Essa compreensão não fere nenhum direito do trabalhador”, ponderou.

A estimativa do Ministério da Economia é de que as mudanças na NR 31 reduzam gastos de R$ 4,32 bilhões por ano ao setor rural. As novas regras entram em vigor um ano após a publicação da portaria.

Trabalho itinerante
Entre outras alterações, a nova norma passa a prever o trabalho itinerante. Um exemplo, segundo a FPA, é o trabalhador no setor de pecuária que precisa percorrer a propriedade ou do trabalhador que desempenha sua atividade em um trator. A NR 31 exigia a instalação de banheiros e refeitórios em todas as frentes de trabalho, o que, para os empregadores, é inaplicável no caso do trabalho itinerante.

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“Não basta o empreendedor brasileiro pagar dois salários para contratar um funcionário e ainda haver esse cipoal de normas. Quando a gente caminha rumo à simplificação, é bom para o trabalhador, bom para o Brasil, bom pra o empreendedor”, afirmou o deputado José Medeiros (Pode-MT).

Para o parlamentar, o regulamento atual da NR 31 desestimula o emprego e gera situações absurdas para o produtor rural. “Já chegamos ao ponto de ver produtor multado em R$ 30 mil ou R$ 40 mil porque passou 5 centímetros ou diminuiu 5 centímetros a altura de um chuveiro”, disse Medeiros.

O secretário especial de Previdência e Trabalho do Ministério da Economia, Bruno Bianco, afirmou que a revisão da norma representará menos multas, menos burocracia e mais empregos. “Faz sentido que um pequeno empresário cumpra os mesmos requisitos de uma grande propriedade rural ou uma empresa urbana? Faz sentido um pequeno produtor de leite, que tem dez vaquinhas, ter de elaborar um plano de prevenção de riscos ambientais todos os anos?”, questionou.

A NR 31 foi publicada em 2005 por meio da Portaria 86, do então Ministério do Trabalho e Emprego. Em 2019, o governo federal iniciou um processo de revisão de todas as normas regulamentadoras, com a participação de representantes dos empregadores e dos trabalhadores.

Essa revisão, no entanto, foi suspensa por uma liminar concedida a partir de uma ação civil pública impetrada pelo Ministério Público do Trabalho. No início do mês, a Advocacia-Geral da União (AGU) conseguiu, no Tribunal Superior do Trabalho (TST), suspender os efeitos dessa liminar e foi possível a conclusão das alterações na NR 31.

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Armazenamento de agrotóxicos
Outra alteração na norma refere-se ao armazenamento de pesticidas. A NR 31 atual determina que esses produtos sejam acondicionados a 30 metros de qualquer instalação, o que, segundo os produtores rurais, torna impraticável seu cumprimento em pequenas propriedades.

Com a revisão, essa distância foi reduzida para 15 metros, com todas as garantias de segurança no armazenamento. E, para quantidades até 100 litros ou 100 kg de produto, será permitido o uso de um armário que atenda aos requisitos de segurança, como pinturas antichamas e sinalização.

Gerenciamento de risco
As novas regras também alteram a gestão do risco da atividade rural. Para estabelecimentos com até 50 trabalhadores, o Ministério da Economia vai colocar à disposição uma ferramenta de análise de risco em que o empregador informará as peculiaridades da sua atividade e o governo vai entregar um programa com as medidas de prevenção.

O objetivo é evitar que o produtor rural contrate um profissional para elaborar esse programa, que hoje custa R$ 1.300 ao pequeno proprietário e precisa ser renovado a cada três anos.

Da Redação
Com informações da Agência FPA
Edição – Pierre Triboli

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