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Sem teste para coronavírus, mortes em SP são citadas como “causa indeterminada”

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Agência Pública

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Há uma semana sem realizar autópsias, o Serviço de Verificação de Óbitos da cidade de São Paulo (SVOC) segue recebendo corpos de mortes por causas naturais, confirmou à Agência Pública um funcionário do órgão. De acordo com ele, o serviço tem recebido corpos de pessoas que faleceram em suas residências, mas também em algumas Unidades de Pronto Atendimento (UPA). Nesses casos, ele relata que é assinado o óbito sem realização de mais testes que possam comprovar ou descartar morte pelo novo coronavírus.

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“Não vai ter laudo. Os casos que estão vindo de [mortes na] residência, o médico já está assinando o óbito. Não está fazendo autópsia”, afirmou à reportagem. Ele não soube precisar quantos corpos passaram pelo serviço nesta semana.

Segundo o funcionário, toda a equipe da secretaria de laudos e administração está sem trabalhar. A situação é reflexo da decisão do Governo Estadual do último dia 20 de março. Na data, uma portaria definiu que corpos envolvendo mortes suspeitas por Covid-19 ficam sob responsabilidade do serviços de verificação. Contudo, para proteção dos profissionais, eles podem evitar exames invasivos e registrar as mortes como “causa indeterminada neste momento”.

“Se o exame interno do cadáver não for necessário, a necropsia pode ser feita de forma indireta e com uso de outros elementos baseando-se em: exames externos, radiografia, tomografia computadorizada, descrição da cena, entre outros, para devida emissão da Declaração de Óbito , e do laudo necroscópico, devendo nessa situação no campo ‘a’ do item 49, Causas da Morte, Declaração de Óbito, o termo ‘causas indeterminadas neste momento'”, determina o texto.

No dia 17 de março, a Folha de S. Paulo anunciou que seriam empregadas técnicas de autópsia de modo minimamente invasivo para confirmação de mortes por coronavírus no Hospital das Clínicas em São Paulo. Segundo o funcionário ouvido pela Pública , a coleta de material chegou a ser feita no início da crise, porém não está sendo realizada no momento.

“Estávamos fazendo no início [autópsia] de suspeitas de Covid, colhendo material para mandar para o [instituto] Adolfo Lutz. O resultado final [dessas autópsias] a gente nem ficou sabendo”, acrescentou o funcionário. Segundo ele, atualmente, os corpos “ficam o menor tempo possível por aqui”, disse.

O médico Paulo Saldiva, professor de Patologia da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP), considera acertada a decisão do governo de São Paulo. “Essas medidas protegem a equipe. Para você fazer uma autópsia de Covid-19, precisa ter uma sala de proteção nível 3, no mínimo, contra infecção. Não tem como fazer essas autópsias e garantir [a segurança de] todo o ciclo, desde o transporte do cadáver até a entrega à família, porque o corpo é aberto, fluidos orgânicos ficam mais acessíveis às superfícies externas. Esse é um risco tanto para quem faz a autópsia, como para a família”, afirma. Saldiva é o coordenador do projeto que desenvolveu, nos últimos seis anos, as técnicas de autópsia minimamente invasivas que estão sendo utilizadas no HC.

A Pública questionou a Secretaria Municipal de Saúde , responsável pelo serviço de óbitos da capital, sobre uma possível subnotificação de casos de mortes por coronavírus , mas não obteve resposta até a publicação da reportagem.

A reportagem confirmou com a Secretaria Estadual de Saúde que a determinação é não realizar autópsias em pessoas falecidas por causas naturais para proteção dos trabalhadores, já que, segundo o governo, não há condições de realizá-las em massa sem risco de infecção. O órgão informou que apenas futuramente será possível informar quantas mortes ocorreram nessa situação ou estimar possíveis relações com o coronavírus.

A secretaria reforçou que resolução do governo estadual cita que “as determinações internacionais desaconselham a realização da necropsia em casos de suspeita de Covid-19” e acrescenta que “exames necroscópicos não têm sido realizados em casos de rotina nos países mais afetados pela Covid-19, como se verifica na China, Itália e Espanha”, descreve.

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O Serviço de Verificação de Óbitos recebe apenas corpos de mortes por causas naturais para as quais não foi definida a doença ou situação que levou à morte. Não chegam no órgão mortes violentas, por exemplo, envolvendo acidentes ou assassinato — essas são direcionadas a unidades do Instituto Médico Legal ( IML ).

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Jornal Nacional usa dados de estados para driblar atraso dos números do  Saúde

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funcionários colocam corpo em saco
Yan Boechat

Segundo Bonner, o JN passará a divulgar informações levantadas junto às secretarias


Com atraso dos dados oficiais sobre a Covid-19 no Brasil, o Jornal Nacional divulgou hoje, 4, levantamento realizado junto às Secretarias de Saúde dos Estados sobre o avanço do novo coronavírus. Segundo o telejornal, país tem 33.884 óbitos e 612.862 casos da doença confirmados.

“Desde o início da pandemia, o Jornal Nacional tem registrado os dados oficiais do Ministério da Saúde, você talvez ainda lembre. No começo, os dados eram atualizados às 17h, imediatamente da entrevista diária do então ministro Henrique Mandetta. Com a saída de Mandetta, as entrevistas deixaram de ser diárias e a divulgação dos dados foi sendo retardada”, afirmou no telejornal o apresentador William Bonner.

“A partir de hoje, o Jornal Nacional vai apresentar os dados das secretarias estaduais de saúde, totalizados pelo G1. E também os números totalizados do Ministério da Saúde quando forem divulgados à tempo”, informou.

O boletim epidemiológico do Ministério da Saúde, com divulgação prevista às 19h, foi divulgado na noite de ontem às 22h.

Ainda segundo o levantamento realizado pelo Portal G1, 274.997 pacientes estão recuperados e 986.365 testes foram realizados em todos os estados.

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Ainda segundo o levantamento realizado pelo Portal G1, 274.997 pacientes estão recuperados e 986.365 testes foram realizados em todos os estados.

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