A cafeicultora do município de Três Pontas, no sul de Minas Gerais, esperava para o final de setembro as chuvas que sempre marcam a fase da florada do café.
Mas a chuva pegou a todos de surpresa, e se antecipou em pelo menos 30 dias, pegando um período fundamental para a uniformidade e a produtividade dos frutos.
No mês de agosto, a planta se encontra num ciclo natural denominado gema floral. Essa é uma fase de dormência sem água por um bom período. O estresse hídrico é bom para o café quando se estende até a primavera, estação que traz a chuva na hora certa e abre uma florada uniforme nos cafezais.
Os problemas climáticos do ano passado desorganizaram não só o período da florada, mas todo calendário da safra. Com a chuva fora de época, não houve maturação única.
A mesma lavoura tinha, lado a lado, plantas com estágios muito diferentes de desenvolvimento. Algumas estavam ainda virando grãos, outras tinham grãos já secando, e num estágio mais avançado, havia grãos caindo no chão de tão maduros.
“A safra passada vai ser de baixa qualidade. Ao contrário da penúltima safra, ano em que o clima ajudou e o calendário foi perfeito. O estresse hídrico se prolongou até setembro e a chuva caiu na hora certa. Foi lindo, o processo da florada todo uniforme, os grãos se desenvolvendo ao mesmo tempo”, lembra a cafeicultora Carmem Lúcia, que está terminando de colher o café, em meio a plantas que ainda estão florescendo. “Este ano de 2019 o calendário virou uma bagunça”, resumiu Carmem Lúcia.
Fungicida na hora certa
Um dos complicadores que a desorganização do calendário traz para os produtores de café é saber a hora certa de fazer as aplicações de fungicidas durante o período da florada.
Normalmente as pulverizações ocorrem na pré-florada e na pós-florada, num intervalo de 20 a 25 dias. A antecipação das chuvas causa dúvidas entre os agricultores. “Aplicar antes de abrir ou fazer tudo depois? Esta é uma grande preocupação para quem enfrenta esse tipo de problema”, afirma Bruno Takay, gerente de café da Syngenta.
Segundo o engenheiro agrônomo, a desorganização climática deixa os cafezais mais vulneráveis a doenças que normalmente atacam a lavoura durante o ciclo da florada, como a mancha de phoma, mancha aureolada e a cercosporiose.
“Essas doenças estão diretamente ligadas a condições de temperatura e umidade, quando chove fora de hora é preciso estar ainda mais atento para proteger a florada e chumbinhos. Por isso, a presença de um profissional habilitado junto ao cafeicultor é determinante para a saúde da safra e o sucesso da colheita”, diz Takay.































