Mato Grosso pode ganhar um novo atrativo turístico e científico de grande importância. O Domo de Araguainha, maior cratera de asteroide da América do Sul, está prestes a se tornar um geoparque, um título que ajudaria a preservar a área e incentivar o turismo. O Ministério de Minas e Energia (MME) anunciou que o Serviço Geológico do Brasil (SGB) concluirá, ainda neste mês, um estudo essencial para essa transformação.
A cratera, que tem cerca de 40 km de diâmetro, fica no sudeste de Mato Grosso, entre os municípios de Ponte Branca, Araguainha e Alto Araguaia, e também se estende por três cidades do estado vizinho, Goiás. Mas a maior parte – cerca de 60% – está em território mato-grossense.
Um impacto de 250 milhões de anos
O impacto que formou a cratera aconteceu há aproximadamente 250 milhões de anos, no período chamado de Permiano. Estudiosos acreditam que essa colisão pode ter ajudado a desencadear uma das maiores extinções da história do planeta, quando cerca de 90% da vida marinha e 70% da vida terrestre foram extintas.
A descoberta da cratera aconteceu em 1973, quando os cientistas Robert Dietz e Bevan French, da NASA, identificaram que a formação geológica era, na verdade, resultado do choque de um asteroide com a Terra. Desde então, pesquisadores brasileiros e estrangeiros estudam o local para entender mais sobre os impactos de grandes colisões espaciais.
O que significa ser um geoparque?
O título de geoparque ajudaria a proteger a cratera, incentivar estudos científicos e fortalecer o turismo na região. Além disso, a área poderia ser reconhecida pela UNESCO, entrando para uma rede global de locais de grande importância geológica. Hoje, o Brasil já tem três geoparques reconhecidos: o Geoparque Araripe (CE), o Geoparque Seridó (RN) e o Geoparque Caminho dos Cânions do Sul (RS/SC).
Com a criação do geoparque, espera-se que mais pessoas conheçam a história do Domo de Araguainha e que a região ganhe investimentos para melhorar a infraestrutura turística. Guias especializados, trilhas, museus e centros de visitantes poderiam ser criados para contar a história do impacto que marcou Mato Grosso e o mundo.
Agora, com os estudos avançando, a expectativa é que a cratera se torne, oficialmente, um dos principais patrimônios geológicos do Brasil, unindo ciência, preservação e desenvolvimento econômico para a região.
































