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    Descoberta inédita de fósseis articulados em Chapada dos Guimarães revela novo capítulo da paleontologia em Mato Grosso

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    A Chapada dos Guimarães, a 65 quilômetros de Cuiabá, acaba de reafirmar sua importância como uma das janelas mais preciosas para o passado geológico e biológico do Brasil. Pesquisadores da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) anunciaram a descoberta de fósseis de dinossauros com um nível de preservação inédito na região. O achado, classificado como “surpreendente” pela equipe, marca a primeira vez que um conjunto de ossos articulados ou semiarticulados é encontrado com essa qualidade de conservação em território mato-grossense.

     

    A pesquisa, coordenada pelos professores e geólogos Caiubi Kuhn e Rogério Rubert, revela que a escavação trouxe à tona restos fósseis de ao menos duas espécies distintas, entre elas o mais completo dinossauro carnívoro já registrado no estado e possivelmente o mais completo do período Cretáceo Superior em todo o país.

     

    “É muito raro encontrar fósseis articulados ou semiarticulados, então é muito mais comum encontrar um ou outro osso disperso. Aqui estamos encontrando os ossos todos muito próximos um do outro, o que permite descrever com muito mais detalhe os animais que estão aqui enterrados”, explicou o geólogo Caiubi Kuhn. A configuração encontrada sugere que os corpos não foram completamente desmembrados pela ação do tempo, o que aumenta significativamente o potencial científico da descoberta.

     

    Ao contrário de outros achados que se limitam a fragmentos isolados, a equipe da UFMT deparou-se com estruturas preservadas em conexão anatômica, um indicativo de que os animais fossilizados podem ter morrido em um curto intervalo de tempo, em condições geológicas que favoreceram sua conservação.

     

    Durante a escavação, os cientistas identificaram fósseis pertencentes a diferentes grupos de dinossauros. O principal exemplar trata-se de um terópode, um dinossauro carnívoro de locomoção bípede. Segundo o professor Rogério Rubert, trata-se do fóssil mais completo do estado e um dos mais expressivos do Brasil em sua faixa temporal. “Também se tem fragmentos do saurópode, aqueles herbívoros quadrúpedes de porte maior, e existem evidências de algum animal menor”, detalhou Rubert.

     

    A presença de fósseis de espécies tão distintas no mesmo sítio paleontológico aponta para um ecossistema diversificado há cerca de 70 milhões de anos. Essa complexidade ecológica reforça a relevância científica da região da Chapada dos Guimarães, conhecida por conter formações geológicas do Cretáceo, período em que os dinossauros dominaram os continentes.

     

    Além do valor acadêmico, a descoberta lança luz sobre o potencial paleontológico de Mato Grosso, um estado ainda pouco explorado nesse campo em comparação a outras regiões brasileiras, como o Triângulo Mineiro e o interior do Rio Grande do Sul. O avanço das pesquisas pode, inclusive, estimular políticas de preservação e incentivo ao turismo científico na região.

     

    Os fósseis agora seguem para análise detalhada no laboratório da UFMT, onde passarão por processos de limpeza, restauração e catalogação. O próximo passo é a publicação dos resultados em revistas científicas especializadas, o que permitirá o reconhecimento formal do achado pela comunidade internacional.

     

    Enquanto os cientistas desvendam os segredos ocultos sob os arenitos da Chapada, cresce a expectativa de que novos fragmentos do passado ainda estejam à espera. A cada centímetro escavado, renasce uma parte da pré-história brasileira — e com ela, a certeza de que o solo mato-grossense guarda histórias ainda não contadas.

     

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