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Mauro Carvalho deixa a Casa Civil e fecha ciclo marcado por confiança e protagonismo na articulação política

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Mauro Carvalho deixa a Casa Civil e encerra passagem marcada por confiança, articulação e lealdade

 

Mauro Carvalho Junior deixa a Secretaria-Chefe da Casa Civil de Mato Grosso nesta terça-feira (11), encerrando mais uma passagem por uma das posições de maior confiança dentro do grupo político que comanda o Estado.

A saída ocorre em meio à repercussão da Operação Heritage, mas a forma como o ex-secretário comunicou a decisão procurou deixar claro que o episódio não representa um rompimento com o governador Otaviano Pivetta nem com o grupo político ao qual permanece ligado há décadas.

Em uma carta publicada nas redes sociais, Carvalho agradeceu a confiança recebida, explicou que decidiu deixar o cargo para se dedicar à família, às empresas e à defesa de seu nome e, principalmente, reafirmou uma característica que atravessa sua trajetória política: a lealdade.

“Saio hoje pela mesma razão pela qual entrei: lealdade”, escreveu.

A frase não aparece por acaso. Ao longo dos anos, Mauro Carvalho construiu sua trajetória pública a partir de relações de confiança que antecederam os próprios cargos que ocupou. Sua proximidade com Mauro Mendes e Virginia Mendes, por exemplo, é de décadas.

Em 2023, ao assumir uma cadeira no Senado Federal, Carvalho fez questão de registrar publicamente que conhecia o casal havia mais de 40 anos e que sua entrada na política estava diretamente ligada à confiança construída com Mauro Mendes.

Foi essa relação que também o levou ao centro da administração estadual. À frente da Casa Civil durante o governo Mauro Mendes, Carvalho passou a exercer uma função que exige mais capacidade de negociação do que exposição: fazer a interlocução do Executivo com deputados, prefeitos, vereadores, instituições e diferentes setores da sociedade.

A secretaria acabou se tornando um dos espaços onde sua característica de articulador mais se evidenciou.

Carvalho se consolidou como um dos homens de confiança do grupo, alguém chamado para fazer a ponte em momentos de negociação e para representar o governo em conversas que exigiam proximidade, experiência e conhecimento dos bastidores da política mato-grossense.

Essa confiança não desapareceu quando deixou a Casa Civil.

Em 2023, Carvalho assumiu o mandato de senador como primeiro suplente de Wellington Fagundes. Permaneceu quatro meses no Congresso, utilizou o período para defender pautas relacionadas a Mato Grosso, participar de comissões e apresentar propostas.

Entre os assuntos que receberam sua atenção estiveram a reforma tributária, questões envolvendo aposentados e medidas voltadas à educação.

O retorno ao Executivo, porém, mostrou que sua principal força política continuava sendo a capacidade de articulação.

Quando Otaviano Pivetta assumiu o governo, Carvalho voltou a ser chamado para uma posição estratégica. Primeiro, passou a atuar na construção do projeto político do governador para 2026. Depois, reassumiu a Casa Civil.

A escolha dizia muito sobre a relação entre os dois.

Pivetta não estava apenas nomeando um secretário experiente. Estava recorrendo a alguém que conhecia profundamente o grupo político, seus integrantes, suas alianças e a história construída ao longo dos anos.

Na carta de despedida, Carvalho conta que inicialmente resistiu ao convite para retornar ao serviço público. O chamado veio de Pivetta e Mauro Mendes no final de 2025, mas ele só aceitou depois de algumas semanas.

A justificativa escolhida é reveladora.

“Respondi sim, por gratidão e por lealdade a um grupo político do qual nunca me afastei”, escreveu.

Meses depois, a mesma palavra aparece para explicar sua saída.

A diferença é que, desta vez, a lealdade se manifesta justamente na decisão de deixar o cargo.

Nos comentários, antigos companheiros de trabalho e pessoas próximas a Carvalho ressaltaram características que vão além da atuação política. As manifestações falam de amizade, honestidade, companheirismo, dignidade, competência e fidelidade.

Em diferentes mensagens, Carvalho é lembrado como alguém que permaneceu próximo das pessoas mesmo depois de deixar cargos, que ajudou colegas e que manteve relações construídas ao longo de anos.

Uma das características mais mencionadas é justamente o companheirismo.

Para quem acompanhou sua trajetória de perto, a lealdade não estaria apenas relacionada à política, mas à forma como Carvalho conduz suas relações pessoais. É a imagem de alguém que permanece ao lado dos seus aliados nos momentos de dificuldade, uma característica que também ajuda a explicar sua permanência dentro do mesmo grupo político ao longo de diferentes governos e conjunturas.

Essa reputação ganhou peso especialmente nos momentos em que o grupo enfrentou disputas.

Em junho, por exemplo, Carvalho saiu publicamente em defesa de Pivetta após críticas feitas por uma liderança nacional do PL. Na ocasião, classificou as declarações como uma “total falta de respeito”.

O episódio reforçou uma postura que seus aliados costumam associar a ele: quando considera alguém um companheiro, não costuma abandonar essa relação diante da primeira dificuldade.

É nesse contexto que a atual saída ganha um significado diferente.

Mauro Carvalho deixa justamente a secretaria que simboliza boa parte de sua trajetória política, mas faz questão de sair preservando as relações que o levaram até ela.

A Casa Civil, durante sua passagem, também ganhou importância dentro da estrutura administrativa do governo. Mudanças recentes ampliaram o conjunto de órgãos e estruturas vinculados à pasta, aumentando o peso político e administrativo do cargo.

Carvalho afirma que não participou do acordo entre Mato Grosso e a Oi que está sendo investigado e que não se beneficiou da operação. Também destaca que o pedido de afastamento formulado no âmbito da investigação foi rejeitado pelo Supremo Tribunal Federal.

“Investigação não é condenação”, escreveu.

Em outra passagem, resume a defesa que pretende apresentar:

“Meu nome figura por vínculo — e vínculo não é conduta.”

Ao deixar o cargo, Carvalho também busca criar espaço para se dedicar à própria defesa sem que a posição que ocupa no governo seja transformada em elemento adicional de pressão sobre a investigação ou sobre a administração estadual.

“Deixo o cargo para me dedicar inteiramente à minha família, às minhas empresas e esclarecer estes fatos e provar a minha inocência”, afirmou.

Ao comentar a saída, Pivetta manteve uma postura de confiança e deixou aberta a possibilidade de que ele volte a colaborar com o governo no futuro.

É uma demonstração importante porque confirma que, pelo menos politicamente, a relação entre os dois permanece preservada.

No fundo, a despedida de Carvalho da Casa Civil parece menos uma ruptura do que uma pausa.

Ele deixa o cargo, mas mantém os vínculos.

Deixa a função, mas preserva a relação com o governador.

Sai do centro da articulação administrativa, mas não abandona o grupo político ao qual se vinculou há décadas.

E faz questão de lembrar que sua trajetória não começou nem termina na Casa Civil.

Antes de ser secretário, foi empresário e construiu relações pessoais que posteriormente ganharam dimensão política. Depois, tornou-se articulador, secretário, senador e novamente secretário. Em diferentes momentos, ocupou posições de confiança sem romper com aqueles que estiveram ao seu lado no início dessa caminhada.

Mauro Carvalho construiu parte de sua força exatamente nesse território.

Agora, diante de uma situação que ele próprio classifica como um dos momentos mais difíceis de sua trajetória, escolhe sair da linha de frente.

Não faz disso um rompimento.

Não transforma a carta em um acerto de contas.

E não abandona aqueles que o conduziram até os principais cargos que ocupou.

Ao contrário, reafirma a gratidão, a amizade e a lealdade.

A investigação seguirá seu curso e deverá esclarecer as suspeitas que deram origem à Operação Heritage. Carvalho, por sua vez, terá de apresentar sua defesa e responder aos questionamentos que envolvem seu nome.

Mas, politicamente, sua saída deixa uma mensagem diferente.

Mauro Carvalho deixa a Casa Civil, mas não encerra sua história com o grupo.

Encerra, por enquanto, mais um capítulo de uma trajetória construída sobre confiança, articulação e relações que, para ele e para seus aliados, ultrapassam os limites de um cargo público.

A cadeira fica para trás.

A lealdade, não.

 

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