Na última semana o Fórum da Indústria, promovido pela Federação das Indústrias de Mato Grosso, discutiu um dia inteiro como sobreviver aos tempos atuais e como as empresas devem rever a sua gestão pra se manterem no mercado.
A tese é a de que 2022 é um ano extremamente difícil. Tem aumento exponencial de custos. Somam-se a carência de matérias primas, como aço, por exemplo. Além, é claro, do imenso problemas que se tornou o fator pessoas pra trabalhar. A partir dessas constatações surgiu a tese de que uma empresa hoje tem que conviver em dois ambientes: um externo. Nesse ela pouco pode influenciar e gera os aumentos de custos. E a outra, a interna que impõe um olhar de exatidão pra gestão. Se não pode influenciar da porta pra fora, que se cuide a empresa pra dentro.
Na área do pessoal, recomenda-se olhar os recursos humanos com lupa, atrair e reter as pessoas. E mais; como desenvolver essa mão de obra e cuidar da sua saúde física e mental. É uma forma de lidar com a escassez de recursos humanos. O ideal é mostrar é à equipe que a empresa precisa dela e se importa com o seu bem estar.
Outros pontos abordados no fórum foram o aumento dos custos causados por fatores fora de controle, como a pandemia, os lockdowns, a guerra na Ucrânia, por exemplo. No aspecto da porta pra dentro das empresas, a redução dos custos será inevitável por ações como melhoria dos processos e dos produtos pra baratear, e a inovação. Um dos exemplos citados é o da energia elétrica que hoje representa muito nos custos. Bem administrada proporciona enorme economia de dentro pra fora.
Outro ponto é a substituição de equipamentos antigos por novos, reduzindo o consumo de energia. Além da melhora dos produtos. Isso, sem considerar a busca de alternativas como energia solar, eólica, biomassa e resíduos. São soluções locais.
Está bem claro que estabilidade não existe nos negócios atuais. Fatores poderosos vindos de fora e fora do controle, impactam todas as atividades empresariais. Exemplo que me foi relatado pelo superintendente do Sistema Fiemt, Mauro Santos. Uma empresa industrial contratou produtos no total de R$ 500 mil. Ao entregar, dois meses depois, o custo estava em R$ 700 mil. No geral a falta da estabilidade impõe visões novas especialmente na gestão. Se não pode controlar o que vem de fora, controla-se o que está dentro.
Espera-se que nessa fase em que a economia se reinicia sob novos parâmetros hajam políticas fiscais e monetárias mais adequadas pra completa retomada econômica do país. Se ainda há escassez de matérias primas e dificuldades para o acesso, o custo crescente, ambos fora do controle das empresas, resta controlar dos portões para dentro.
As dores estão aí e não vão sumir de imediato. Até lá, o olhar deve ser como o de dona da casa: com foco nos detalhes que impactam custos. Por mínimos que sejam.
Onofre Ribeiro é jornalista em Mato Grosso
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