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    Revolução industrial no Cerrado

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    REVOLUÇÃO INDUSTRIAL NO CERRADO

    Vivaldo Lopes

    A economia de Mato Grosso vive atualmente uma verdadeira “Revolução Industrial Verde” com a expansão das indústrias de etanol de milho e biodiesel. Esse processo industrial pode ser a ponte para a travessia do atual estágio da economia estadual baseado na produção de bens agropecuários e florestais primários para uma economia mais industrializada que promova desenvolvimento econômico sustentado social e ambientalmente.

     

    A indústria de biocombustíveis em Mato Grosso prosperou a partir da legislação federal que determinou, por meio de Resoluções da Agência Nacional de Petróleo (ANP), a adição de óleos vegetais ou animais no óleo diesel em território nacional.

    A medida estimulou o aumento da produção de soja, principal matéria prima utilizada para fabricação de biodiesel em escala industrial.

    Na esteira, veio a produção de etanol de milho. A primeira usina de etanol de milho foi inaugurada em novembro de 2006, na cidade de Barra do Bugres, construída pela usina Barracool, que fabricava açúcar e álcool de cana de açúcar. A segunda experiência, em 2012, foi uma biorrefinaria da Usimat, localizada no município de Campos de Júlio (MT). As indústrias adaptaram suas plantas de açúcar e álcool de cana de açúcar, para o modelo “flex”, que produz etanol de milho e de cana-de-açucar, conforme a oferta em períodos diferentes do ano.

    O sucesso atraiu grandes empresas multinacionais para o modelo de negócio. Como a americana FS (Fuel Solutions) e a paraguaia Inpasa.

    A FS associou-se a produtores locais para construir sua primeira planta industrial na cidade de Lucas do Rio Verde (MT). Posteriormente construiu mais duas biorrefinarias nas cidades de Sorriso e Primavera do Leste, consolidando-se como líder nacional na produção de etanol exclusivamente de milho.

     

    A Inpasa, que começou suas operações no Paraguai, construiu fábricas nas cidades de Sinop, Nova Mutum e tem plantas em construção nas cidades de Rondonópolis, Querência e Campo Novo dos Parecis.

    O caso do etanol de milho é uma verdadeira “Revolução Industrial Verde”, dentro da Revolução Agropecuária que acontece em nosso estado desde os anos 1990.

    Entre 2017 e 2025, a produção de etanol em fábricas exclusivamente de milho no estado saltou de zero para 6 bilhões de litros, levando Mato Grosso a ocupar a posição de liderança nacional em produção de etanol de milho, respondendo por 68% da produção nacional.

    O avanço da produção do etanol à base de milho impulsionou a produção desse produto agrícola em Mato Grosso. No período de 2016 a 2025 a produção de milho evoluiu de 19 para 55 milhões de toneladas, ultrapassando a produção de soja.

    O modelo de negócios do etanol de milho em Mato Grosso sustenta-se em um tripé bastante competitivo: i) grande oferta de milho a preços baixos; ii) moderna e eficiente tecnologia de processamento; e iii) crescente demanda nacional e internacional.

     

    Durante o processo de industrialização do etanol, é produzido um resíduo rico em proteínas, fibras e outros nutrientes, chamado DDG (Dried Distillers Grains- grãos secos de destilaria) na sigla em inglês, utilizado na alimentação animal (bovinos, suínos, peixes, aves e pets) e importante insumo para o sistema de confinamento de gado. Encurta o tempo de engorda dos animais e libera áreas de pastagens para o cultivo agrícola.

     

    As cadeias agropecuária e industrial não são concorrentes ou excludentes. Ao contrário, são complementares. O aumento da produção de etanol deu-se pela expansão do plantio de milho e não com o desvio da produção de alimentos para a fabricação de biocombustível. A expansão da produção de milho não concorre com a soja, pois ocupam as mesmas áreas em períodos sucedâneos do ciclo agrícola.

    O processamento da produção agropecuária em nosso próprio território cria mais valor às commodities agrícolas, aumenta emprego, renda e arrecadação tributária, amplia mercados, fomenta os setores do comércio e serviços e qualifica o crescimento da economia estadual.

    A literatura econômica tem muitos exemplos de economias que não modernizaram suas matrizes econômicas e definharam no longo prazo. Aliar a grande força produtiva e econômica do agronegócio ao desenvolvimento de cadeias industriais é a chave para garantir a evolução do desenvolvimento econômico do estado, com reais possibilidades de redução de desigualdades regionais e sociais ainda muito presentes na economia do estado.

     

     

     

     

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