Embora a atenção do mercado de soja e milho esteja voltada para a nova safra de grãos dos Estados Unidos, os produtores brasileiros estão cada vez mais focados no planejamento da temporada 2023/24. Com os preços em queda, atingindo os níveis mais baixos em pelo menos três anos, as estratégias de investimento estão sendo revisadas.
Analistas e consultores de mercado observam uma redução considerável nos custos de produção em comparação com a temporada 2022/23, principalmente devido à queda nos preços de produtos químicos e fertilizantes, que alcançaram níveis historicamente elevados no último ano. No entanto, essa redução pode não ser suficiente para incentivar os produtores de soja brasileiros a aumentar sua área de cultivo ou até mesmo mantê-la.
De acordo com o Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária (IMEA), o Custo Operacional Efetivo (COE) da safra 2023/24 teve uma queda de 5,7% em relação à safra anterior. A maior redução ocorreu nos custos de produção, com uma queda de 12,91% em relação à safra 22/23, impulsionada pela diminuição nos preços de fertilizantes, corretivos e sementes. Essa redução nos custos é resultado da desvalorização dos insumos nos últimos meses, devido à menor demanda e a um cenário mais otimista de oferta no mercado externo, bem como à queda mensal do dólar.
No entanto, o instituto também apontou que a contínua desvalorização dos preços da soja está reduzindo a margem de lucro da atividade, levando-a a atingir R$ 109,83 por saca, um aumento de 8,47% em relação à safra passada, segundo o último levantamento realizado até 19 de maio.
Esse cenário semelhante é observado em outros estados produtores, e algumas consultorias já acreditam que o Brasil poderá registrar uma diminuição na área cultivada nesta próxima temporada, algo que não acontecia desde a safra 2000/01, de acordo com o gráfico da Pátria Agronegócios.
Nos últimos 23 anos, a área cultivada com soja no Brasil apresentou crescimento safra após safra, com exceção das transições de 2004/05 para 2005/06 e de 2005/06 para 2007, quando foram registradas reduções de 2,4% e 9,1%, respectivamente. Portanto, pela primeira vez em 17 anos, é possível que ocorra uma nova redução, após um aumento de 5,6% da safra 2021/22 para 2022/23.
Diante desse contexto, é importante considerar a sobrevivência em 2024. O diretor da Pátria Agronegócios, Matheus Pereira, destaca a desvalorização da soja e os preços abaixo de R$ 100,00 por saca tanto para a safra atual quanto para a safra de 2024. Nesse sentido, pensar nos custos de produção e nas margens é fundamental. Embora mais baixas do que nos últimos anos, é necessário fazer uma análise minuciosa para identificar as melhores opções para o próximo ciclo.
No período de junho de 2022 a junho de 2023, os preços de referência do MAP (fosfato monoamônico) apresentaram uma queda acumulada de 57%, passando de US$ 1075,00 para US$ 460,00 por tonelada, de acordo com o analista de fertilizantes da Agrinvest Commodities, Jeferson Souza. Somente nas últimas semanas de maio e início de junho, houve uma queda adicional de 10%.
Luiz Fernando Gutierrez, analista da Safras & Mercado, considera pouco provável uma redução na área cultivada e espera, no mínimo, uma manutenção. Segundo ele, em alguns estados, mesmo com a queda na margem de lucro, os produtores não deixarão de plantar. No entanto, é possível que o crescimento da área de cultivo no Brasil desacelere, mas uma redução significativa é improvável pelo menos no momento atual.
O diretor geral do Grupo Labhoro, Ginaldo Sousa, compartilha dessa opinião e espera que pelo menos a área cultivada com soja seja mantida no Brasil, devido à necessidade dos produtores de plantar, mesmo que os custos ainda sejam considerados elevados em relação aos preços atualmente praticados para a oleaginosa brasileira. No entanto, Sousa faz um alerta, mencionando que a safra do próximo ano não terá a mesma qualidade de plantio nem o mesmo investimento em tecnologia e insumos, tanto para a soja quanto para o milho.
Sousa destaca que os produtores brasileiros provavelmente aguardarão mais informações sobre a nova safra dos Estados Unidos antes de tomarem decisões sobre a próxima temporada. Afinal, as lavouras americanas estão em fase inicial de desenvolvimento e ainda existem muitas incertezas. As chuvas esperadas para junho e julho serão determinantes para os preços em Chicago. Se confirmadas e melhorarem, os preços podem reagir positivamente. Portanto, o cenário nos Estados Unidos terá um impacto importante nos indicativos do mercado brasileiro.
O consultor em agronegócios, Ênio Fernandes, da Terra Agronegócios, destaca a escolha entre a soja e o milho como mais um dilema para os produtores brasileiros na safra 2023/24. Ele menciona que o milho terá um grande volume de produção, e os preços podem cair devido à oferta americana. Por outro lado, o custo de produção do milho é maior em comparação com a soja. No entanto, as oportunidades de hedge com o milho na B3 podem ser eficazes para a gestão dos produtores brasileiros.

Em resumo, a próxima safra de soja e milho no Brasil enfrenta desafios e incertezas. Os preços em queda e a redução nos custos de produção estão levando os produtores a repensar suas estratégias. Embora seja improvável uma redução significativa na área cultivada, espera-se um possível desaceleramento no crescimento. Os produtores também precisam considerar a escolha entre a soja e o milho, tendo em mente os custos e a gestão de riscos. O desempenho da safra americana será um fator determinante para os preços e indicativos do mercado brasileiro.
Fonte: Notícias Agrícolas






























