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Mão de obra já era!

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            Li recentemente e estou refletindo a respeito. As novas tecnologias substituirão cada vez mais a mão humana na maioria das atividades em que tradicionalmente foi usada nesses 40 mil anos do homo sapiens. Li também que se uma atividade for repetida três vezes pela mão, pode então ser substituída pela inteligência artificial. Li, também, que a educação já deveria estar voltada para o espírito, em vez de ser dirigida pras mãos.

            Essa parte do espírito me interessou muito. Na atualidade, na maioria dos casos, a criança sai de casa pra escola levando um smartfone e as suas próprias opções e escolhas. Rede sociais ou vídeos. Os pais pouco ensinam e esperam que a escola os substitua. O professor lá da escola vive os mesmos problemas de não educar os próprios filhos em casa.  Logo, a criança chega na escola e aprende uma série de atividades que não compreende e não vê como elas caibam dentro do seu universo do smartfone. O que a escola deveria ensina, então, se no futuro dessa criança não terá muita utilidade ter mãos pra fazer a maioria das coisas.

            A escola deveria ter foco muito forte nas coisas do espírito. Aquelas que passando o tempo que passar, continuarão existindo. O raciocínio. O livre arbítrio. A fala. Os sentimentos. As emoções. Aqui caberiam como disciplinas prioritárias da educação, a música, as artes, o respeito às emoções e o cultivo dos sentimentos. A essência do ser humano. Mas não. A educação continua ensinando coisas que morrem um pouco a cada dia.

            O espírito humano é o passaporte entre a vida e as vidas individuais e coletivas. Vai e vem e dita o viver de cada um de nós. Ele precisa ser descoberto. Cultivado. Aprimorado. O futuro será, obviamente, das máquinas digitais, biocelulares, nanoceulares, quânticas. Coisa muito complicada. Como os nossos jovens de amanhã enfrentarão tudo isso sem conhecerem o mínimo domínio das suas mentes através da música, da contemplação das artes? O leitor deve estar pensando que enlouqueci.

            Mas recordo que no passado, em todas as grandes transições da evolução humana, revoluções da arte precederam as mudanças. Agora muito mais, porque nunca se transformou tanto em tão curto tempo.

            Estou aqui muito angustiado com o que vejo: jovens apegados às coisas racionais que daqui a pouco não terão mais utilidade. E o espírito, onde reside a sua essência está morto pras sensibilidades que geraram essas mesmas transformações.

            Até ousaria deixar um recado aos pais e aos professores comprometidos. O espírito é permanente. Música, artes, sentimentos construtivos são essenciais. Os smartfones serão apenas peças de trabalho e de relacionamentos.

Onofre Ribeiro é jornalista em Mato Grosso

[email protected]     www.onofreribeiro.com.br

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Acordos e desacordos

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            O Brasil está terrivelmente polarizado. Falta um meio termo. O mundo está evoluindo pra fórmulas de Estado e de governos mais abertas e não presas de um estilo dividido e predatório como temos hoje no Brasil. Não se trata de nomes para o governo do país. Trata-se de um modelo de ideias e de propósitos dentro dos quais homens da política se enquadrem. O estilo de dividir pra governar já não responde mais como no passado.

            Vamos aos fatos de hoje. No dia 7 de setembro muitos milhares de pessoas foram às ruas se manifestar em favor do Brasil. Pelo visto, a maior parte dos que defenderam o presidente Bolsonaro defendiam antes o Brasil. Seu apoio dirigia-se à governabilidade mais do que ao homem. A camisa amarela conectava-se à bandeira nacional. Ela é um símbolo criado em 1889, com o início da República. O inconsciente coletivo brasileiro associa o verde amarelo com a noção de pátria. Por isso é importante relatar que nem todos os que foram às ruas no dia 7 foram pela pessoa do presidente da República. Foram pela ideia de Pátria, que neste momento o presidente preside.

            Dito isto, é preciso que se diga que a presença relevante de pessoas vestidas de verde e amarelo nas ruas do país inteiro, produziu uma onda de energia de civismo que há muito não se via. A polarização sentiu perda de força com a identidade brasileira desfilando junto com as pessoas, armadas com a ideia cívica de que a Pátria é maior do que ideologias políticas de quaisquer naturezas.

            Instituições arrogantes e descasadas com a sociedade, como o Supremo Tribunal Federal, o Congresso Nacional perdido no seu universo de interesses mesquinhos, sentiram a força das ruas.  Em nenhuma outra circunstância o STF descer do seu pedestal admitiria negociar e ceder. Os bastidores do pós 7 de setembro não foram narradas ao público. Mas o que vazou mostrou sucessivas reuniões e acordos entre todos os participantes dos interesses discutidos nas ruas. Todos cederam. O presidente Jair Bolsonaro cedeu em carta pública dirigida à nação onde ajoelhou-se diante do interesse nacional. O STF fez um monte de concessões e o Congresso Nacional fez um monte de compromissos de cumprir a sua missão há muito abandonada em favor de interesses mesquinhos corporativos ou individualistas.

            Os partidos políticos destacados como MDB, DEM, PSDB, PSD, o Centrão e outros mais à direita entenderam que os seus parlamentares no Congresso precisam assumir o seu papel parlamentar. Envergonhados com as completa omissão dos últimos anos. Um belo puxão de orelhas em verde e amarelo.

            O Brasil vai se medir por outros valores de agora por diante. Os acordos e os desacordos construídos no dia 7 de setembro à noite e no dia 8 o dia inteiro e à noite, do ponto de vista pública apareceram na carta do presidente. Mas os bastidores mudaram os rumos do país. O SFT abriu mão de governar. O Senado e a Câmara dos Deputados se dispuseram a legislar com decência e compromissos nacionais. Isso teve o mesmo valor que uma revolução.

            O país pós 7 de setembro mudou os rumos. Ainda que pareça que as ideologias e a polarização ainda permaneçam, é só uma questão de breve tempo pra se perceber que o país mudou. Li em artigo muito qualificado esta semana, que uma nova energia paira sobre o Brasil desde então. Os brasileiros começaram a perceber que são maiores do que o corporativismo eleito e o nomeado neste país. Qualquer coisa, volta às ruas. Aprendeu-se a lição da cidadania. É uma construção poderosa, lenta e constante!

Onofre Ribeiro é jornalista em Mato Grosso

[email protected]    www.onofreribeiro.com.br

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