Vereadora em terceiro mandato e presidente da Câmara de Tapurah afirma que pretende disputar uma vaga na Assembleia Legislativa com foco nas demandas dos municípios do interior
A vereadora Daise Martins, de Tapurah, colocou seu nome à disposição para disputar uma vaga na Assembleia Legislativa de Mato Grosso nas eleições de 2026. Em entrevista ao Espaço Aberto, ela falou sobre a trajetória iniciada na política municipal em 2016, a experiência acumulada em três mandatos e os temas que pretende priorizar caso avance na disputa estadual.
Presidente da Câmara Municipal de Tapurah, Daise afirmou que sua entrada na política ocorreu sem experiência anterior e que parte de sua atuação foi sendo definida a partir das demandas encontradas durante os mandatos.
“Eu precisava aprender o que era política, porque eu entrei realmente muito leiga. Então, eu precisei entender tudo para poder lutar sobre as pautas”, afirmou.
Segundo a vereadora, saúde, questões sociais, defesa das mulheres e demandas dos municípios menores passaram a ocupar espaço em sua atuação conforme as situações surgiram no município. Ela rejeitou a ideia de uma atuação baseada apenas em promessas eleitorais.
“Nunca fui uma vereadora de promessa. (…) As pautas foram acontecendo conforme aquilo que eu vivi”, declarou.
A possibilidade de disputar uma cadeira na Assembleia, segundo Daise, surgiu após conversas dentro do Partido Liberal. Ela afirmou que inicialmente a candidatura não fazia parte de seus planos, mas decidiu colocar o nome à disposição depois de receber o convite da legenda.
Entre os argumentos apresentados para justificar a candidatura está a intenção de ampliar, no Legislativo estadual, a discussão sobre problemas enfrentados pelos municípios do interior. Daise citou dificuldades relacionadas ao atendimento de saúde, à oferta de especialistas e à estrutura disponível para procedimentos e exames.
A saúde ocupa lugar central no relato da vereadora também por uma experiência familiar. Durante a entrevista, ela contou que acompanhou a morte da mãe dentro de uma ambulância e relacionou o episódio às dificuldades enfrentadas por moradores de cidades menores para acessar serviços especializados.
“Eu acho que a pauta central é a vida, sobretudo”, afirmou.
Daise defendeu maior disponibilidade de especialistas e equipamentos nos municípios do interior. Segundo ela, moradores de cidades menores precisam frequentemente se deslocar para outros municípios para realizar exames ou buscar atendimentos que não estão disponíveis localmente.
Ela citou como exemplos a dificuldade para manter pediatras, realizar exames de maior complexidade e oferecer atendimento obstétrico. Também defendeu a utilização de emendas parlamentares para aquisição de equipamentos e fortalecimento da estrutura de saúde.
“Uma das nossas maiores lutas é, de fato, buscar especialistas”, disse.
A vereadora também afirmou que pretende concentrar inicialmente sua articulação política em 16 municípios da região, embora reconheça que a candidatura poderá alcançar outras áreas de Mato Grosso.
Durante a entrevista, relatou ainda ter recebido solicitações de moradores de municípios vizinhos, principalmente relacionadas à saúde. Segundo ela, algumas demandas foram encaminhadas por meio das redes sociais e exigiram contato com representantes políticos de outras cidades.
Outro assunto mencionado foi a situação de produtores rurais diante de conflitos envolvendo terras e regularização fundiária. Daise afirmou ter ouvido relatos de agricultores que, segundo ela, construíram suas propriedades ao longo de décadas e hoje enfrentam insegurança em relação à permanência nas áreas.
A questão fundiária aparece, assim, entre os temas que a vereadora pretende incorporar ao discurso eleitoral, ao lado da saúde e das políticas sociais.
“Eu sinto nós ali, enquanto região noroeste, muito desassistido pelos nossos deputados”, afirmou.
A participação das mulheres na política também foi abordada durante a conversa. Daise relacionou sua própria trajetória à discussão sobre representatividade feminina e citou a presidência da Câmara de Tapurah como parte de sua experiência política.
Questionada sobre a possibilidade de deixar Tapurah caso seja eleita deputada estadual, ela afirmou que pretende continuar morando no município.
“Meu objetivo é ficar em Tapurah, trabalhar na Assembleia, mas poder estar na minha residência, que é dentro da minha cidade”, declarou.
A afirmação foi relacionada pela candidata à necessidade de manter contato direto com os municípios da região e acompanhar as demandas locais.
Ao falar sobre uma eventual atuação na Assembleia Legislativa, Daise mencionou entre suas atribuições pretendidas a fiscalização do Poder Executivo, a discussão de políticas públicas e a destinação de recursos para municípios.
“Fiscalizar, contribuir para uma sociedade melhor, humanamente falando, esse é o maior foco”, afirmou.
A entrevista também expôs uma das questões que deverão marcar sua eventual campanha: a tentativa de transformar uma trajetória política construída em âmbito municipal em uma candidatura de alcance estadual. As demandas apresentadas por Daise estão concentradas principalmente em saúde, estrutura dos pequenos municípios, questões fundiárias, políticas sociais e participação das mulheres na política.
A candidatura ainda está inserida no contexto mais amplo das articulações partidárias para as eleições de 2026. A definição de alianças, composição das chapas e demais aspectos eleitorais dependem do calendário e dos procedimentos previstos pela legislação eleitoral.
Ao final da entrevista, Daise afirmou que pretende apresentar sua trajetória aos eleitores e pediu que a população conheça sua atuação antes de decidir o voto.
“Peço a todos que estudem, que investiguem, que conheçam a vida da Daise”, declarou.
Daise Martins é filiada ao Partido Liberal e colocou seu nome à disposição para disputar uma vaga de deputada estadual em Mato Grosso.































