Poucas trajetórias reúnem experiências tão distintas quanto a de Joel Outo Matos. Coronel da reserva da Polícia Militar de Mato Grosso, piloto de helicóptero e hipnoterapeuta, ele transformou em realidade três objetivos que, na juventude, pareciam inalcançáveis.
Agora, pretende colocar esse conhecimento a serviço da população com o projeto Hipnose na Rua, iniciativa que levará palestras, demonstrações e momentos de relaxamento hipnótico gratuitos a espaços públicos, com o propósito de desmistificar a hipnoterapia e ampliar o debate sobre saúde mental.
Natural de Rondonópolis, Joel conta que, aos 21 anos, acreditava ter perdido a oportunidade de ingressar na carreira militar por não possuir a escolaridade exigida para o Curso de Formação de Oficiais.
Também via distante o sonho de pilotar helicópteros, devido ao alto custo da formação, e encontrava poucas possibilidades para estudar hipnose no Brasil. Décadas depois, construiu uma carreira militar, formou-se piloto de helicóptero e passou a atuar como hipnoterapeuta, unindo áreas que, à primeira vista, parecem não ter relação.
Segundo ele, existe um ponto em comum entre todas essas experiências: a disciplina.
“A disciplina da manutenção e ampliação do conhecimento, herdada da cultura militar e também peculiar da aviação, eu também aplico para o aprimoramento do meu conhecimento técnico profissional nessa área.”
Essa busca constante por aperfeiçoamento resultou na criação de um projeto que pretende aproximar a população da hipnoterapia, técnica que, segundo Joel, ainda é cercada por mitos e desinformação.
Ele afirma que a hipnoterapia é reconhecida como um recurso terapêutico complementar e pode contribuir para o tratamento de transtornos emocionais quando utilizada de forma responsável e integrada a outras abordagens.
“Os conselhos profissionais de saúde e especialistas ligados à Associação Americana de Psicologia consideram a hipnoterapia um recurso auxiliar válido e eficaz para reduzir a ansiedade, controlar o estresse, amenizar sintomas de depressão e apoiar o tratamento de vícios. Se integrada à psicoterapia, os resultados podem ser potencializados.”
Ao mesmo tempo, Joel faz questão de esclarecer que a técnica possui limites e não deve ser encarada como solução para todos os problemas de saúde mental.
“O principal limite é a resistência individual da pessoa abordada com essa técnica, pois nem todas possuem suscetibilidade ou respondem da mesma maneira a uma indução hipnótica. Transtornos complexos também representam um limite, assim como os casos de psicose ativa.”
Ele também destaca que há situações em que a hipnoterapia não é recomendada.
“Ela não é indicada em casos de psicose, quadros de depressão grave e epilepsia. Além disso, pessoas com alteração severa da capacidade crítica ou sem consentimento e confiança no profissional não devem passar pelo procedimento.”
Segundo Joel, quadros como esquizofrenia e outras psicoses comprometem o contato com a realidade, enquanto pacientes com depressão profunda necessitam de acompanhamento psiquiátrico e psicoterapêutico especializado.
Já em pessoas com epilepsia, estados profundos de relaxamento podem representar riscos e exigem cautela.
Esses esclarecimentos são justamente o foco do Hipnose na Rua.
Diferentemente do que muitos imaginam, Joel explica que o projeto não pretende realizar atendimentos clínicos complexos em praças ou parques, mas oferecer informação qualificada e apresentar a hipnoterapia como uma ferramenta complementar de promoção da saúde.
“O objetivo principal desse projeto não é atender pacientes em situações complexas em ambiente aberto e exposto, mas esclarecer dúvidas acerca da hipnoterapia e mostrar que ela pode ser um meio de tratar doenças psicossomáticas cuja origem esteja relacionada a fatores ambientais e psicológicos, como traumas, perdas, estresse crônico, personalidade e estilo de vida.”
Outro propósito, segundo ele, é divulgar que a hipnoterapia integra as Práticas Integrativas e Complementares em Saúde (PICS) e pode ser utilizada como recurso auxiliar no tratamento de ansiedade, estresse, dores crônicas e outros quadros relacionados ao sofrimento emocional.
Durante os encontros, o público poderá participar gratuitamente de experiências de relaxamento hipnótico voltadas ao alívio da tensão física e mental. Casos que demandem acompanhamento terapêutico individual, contudo, serão direcionados para atendimento em ambiente apropriado.
“Vamos ofertar gratuitamente relaxamento hipnótico para reduzir o cansaço físico e mental das pessoas. Em situações pontuais e mais graves, que precisem de auxílio hipnoterapêutico, faremos os atendimentos em local adequado.”
Joel acredita que o projeto pode ampliar o acesso à informação sobre saúde mental e romper preconceitos ainda associados à hipnose.
Para ele, o conhecimento é o primeiro passo para que as pessoas compreendam quando a hipnoterapia pode ser uma aliada — e também quando ela não substitui o tratamento médico, psicológico ou psiquiátrico.
A proposta já vem sendo apresentada em diferentes eventos. Recentemente, Joel levou o Show do Hipnotista ao público da CDL Cuiabá, durante o Pre Talk, com participação da influenciadora Comadre do Brasil.
A apresentação utilizou o riso como ferramenta para demonstrar, na prática, como emoções positivas podem influenciar o organismo. Segundo ele, estudos sobre a produção de neurotransmissores mostram que o riso favorece a liberação de substâncias associadas ao bem-estar, como a serotonina, tornando a experiência não apenas recreativa, mas também educativa e voltada à conscientização sobre saúde mental.
A agenda do projeto continua nos dias 8, 15 e 29 de agosto, sempre aos sábados, no Parque das Águas, em Cuiabá, onde serão realizadas novas edições do Hipnose na Rua, reunindo palestras, demonstrações de hipnose e sessões coletivas de relaxamento.
Já no dia 22 de agosto, Joel estará em Juína ministrando a palestra “Saiba como sua mente pode transformar sua vida”, voltada à reprogramação mental e ao desenvolvimento pessoal, apresentando ao público estratégias para compreender o funcionamento da mente e utilizar esse conhecimento na busca por mais equilíbrio emocional e qualidade de vida.




























