O candidato ao Senado Mauro Mendes (União) afirmou que Mato Grosso precisa apostar na própria força econômica e ampliar os investimentos no turismo para criar demanda capaz de atrair e manter voos internacionais. Para ele, mais do que depender de ações do governo federal, o Estado precisa consolidar um ambiente que torne as novas rotas comercialmente viáveis. A partir de janeiro de 2027, Mato Grosso terá o primeiro voo internacional regular de passageiros, operado pela Gol entre Cuiabá e Buenos Aires.
A declaração foi feita durante o Diálogos com Candidatos, promovido nesta segunda-feira (14.09), em Cuiabá, pela CDL Cuiabá, Fenabrave-MT, Sindipetróleo e Abrasel. Mauro participou do encontro ao lado do governador e candidato à reeleição Otaviano Pivetta (Republicanos) e da candidata ao Senado Margareth Buzetti (PP), os três da coligação Mato Grosso Não Pode Parar.
“A internacionalização do aeroporto já foi superada e o desafio agora é gerar demanda para as companhias aéreas. Temos que criar as condições, e aí o voo será uma consequência disso. Devemos muito mais de nós do que do governo federal. As condições estão próximas, a economia é pujante, algumas coisas importantes estão acontecendo e elas vão se entrelaçando”, afirmou Mauro, destacando que o primeiro destino já foi garantido.
A fala foi em resposta ao empresário Geraldo Barbosa, representante da Abrasel, que questionou como Mauro, caso eleito senador, poderá atuar na interlocução com o Governo Federal e o Itamaraty para contribuir com a atração de novas rotas internacionais para Mato Grosso.
A estratégia defendida por Mauro começou a ser colocada em prática durante sua gestão no Governo do Estado. O Aeroporto Marechal Rondon foi definitivamente internacionalizado pela Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) em dezembro de 2024, após passar por obras de modernização e adequações necessárias às operações internacionais.
Por meio da Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico (Sedec) e da Invest MT, foram abertas tratativas com companhias aéreas para apresentar o potencial econômico e turístico de Mato Grosso e discutir a viabilidade de novas conexões. Entre as negociações divulgadas esteve a tentativa de estabelecer uma ligação direta entre Cuiabá e o Peru. Em março deste ano, Mauro também levou pessoalmente a demanda ao Ministério do Turismo, em Brasília, para ampliar a interlocução com as empresas aéreas. Meses depois, o próprio ministro informou que a demanda apresentada por Mauro estava sendo levada às companhias e citou tratativas com a American Airlines.
Outra frente foi a criação de um mecanismo financeiro para reduzir o risco inicial das novas operações. Em dezembro de 2025, o Executivo encaminhou à Assembleia Legislativa o projeto que autorizou Mato Grosso a conceder subvenção econômica às companhias que implantassem ou ampliassem rotas internacionais. A Lei nº 13.191/2025 estabeleceu um limite global de R$ 10 milhões por ano para o programa.
O mecanismo foi regulamentado em março de 2026 por decreto assinado por Mauro. Pelas regras, o Estado pode complementar o déficit operacional da rota, mediante critérios técnicos e comprovação da realização dos voos, justamente para dar viabilidade econômica às operações durante o período de consolidação.
Durante a sabatina, Mauro explicou que o incentivo público pode ajudar uma rota a começar, mas defendeu que ela precisa posteriormente se sustentar pela demanda criada pela própria economia.
“O governo tem esse papel importante. Mato Grosso tem condição de ser o impulsionador, de dar o pontapé. Mas, se o governo tiver que ficar a vida inteira dando subsídio, está errado. O governo pode impulsionar, mas depois o setor tem que seguir sozinho. Não pode ficar empurrando a vida inteira, porque isso não se sustenta no médio e longo prazo”, disse.
Para ampliar essa demanda, o agronegócio, grandes eventos e o turismo são peças-chaves. Ele destacou o Parque Novo Mato Grosso, em Cuiabá, onde está sendo construído um centro de eventos para receber grandes encontros, seminários e outras programações capazes de aumentar o fluxo de visitantes.
“Você cria um ecossistema de atração que vai justificar o investimento. É fazer uma conexão de todas essas nossas competências e potencialidades e, a partir daí ter um, dois, três, quatro ou cinco voos semanais para outros lugares também”, completou.





























