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Michelly Alencar aposta em experiência na Câmara e maior representatividade feminina para disputar vaga na Assembleia

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Depois de seis anos de atuação no Legislativo de Cuiabá, a vereadora Michelly Alencar, candidata a deputada estadual pelo União Brasil, tenta transformar a experiência acumulada na Câmara Municipal em uma candidatura de alcance estadual.

Em entrevista ao programa Espaço Aberto, apresentado por Zico Zortéa, ela apresentou as principais bandeiras que pretende levar para a Assembleia Legislativa e colocou a ampliação da presença feminina nos espaços de poder como um dos argumentos centrais de sua candidatura.

 

No segundo mandato como vereadora da Capital, Michelly afirma que sua trajetória parlamentar foi construída a partir da apresentação de projetos, fiscalização, articulação política e participação em debates sobre políticas públicas. Agora, pretende ampliar esse campo de atuação para outras regiões de Mato Grosso.

 

“Hoje a gente exerce um papel fundamental no Legislativo municipal e é essa atuação que, inclusive, abriu caminho para muitas outras mulheres”, afirmou.

 

Entre os projetos que considera mais marcantes está o “Maria da Penha vai às escolas”. A candidata defende a expansão da iniciativa para o Estado e sustenta que o enfrentamento à violência contra a mulher precisa começar antes que a agressão alcance os estágios mais graves.

 

“Eu sempre começo dizendo do Maria da Penha vai às escolas, porque inclusive agora como candidata a deputada estadual eu quero expandir esse projeto”, declarou.

 

A proposta apresentada por Michelly parte de uma mudança de estratégia: além de ampliar a estrutura de atendimento às vítimas, seria necessário trabalhar a prevenção desde a infância.

A candidata defende que meninas aprendam a identificar sinais de relacionamentos abusivos e que meninos sejam educados para não reproduzir comportamentos violentos observados no ambiente familiar.

 

“Nós precisamos de medidas efetivas para esse momento e nós precisamos de medidas efetivas para não chegarmos a esse momento”, afirmou.

 

Ao abordar o tema, Michelly chamou atenção para o fato de que a violência doméstica não começa necessariamente com uma agressão física.

Segundo ela, a mulher pode ser submetida anteriormente a violência psicológica, emocional e patrimonial, muitas vezes sem que a própria situação seja imediatamente reconhecida como violência.

 

“Às vezes, num ambiente dentro de casa, a mulher não chega a receber uma violência física, mas ela já vem sendo violentada emocionalmente, psicologicamente, tem a violência patrimonial”, explicou.

 

A candidata também destacou a violência vicária, situação em que os filhos são utilizados pelo agressor como instrumento de chantagem, controle ou vingança contra a mulher.

 

Para Michelly, a exposição das crianças a esse tipo de ambiente pode produzir consequências que ultrapassam o momento da violência e contribuir para a reprodução desses comportamentos no futuro.

 

“Se esse ciclo não for rompido, mesmo que ela ache aquele ambiente um terror, ela tem a possibilidade de replicar esse comportamento no futuro”, disse.

 

A prevenção, na visão apresentada pela candidata, precisa caminhar ao lado do fortalecimento da rede de proteção. Michelly defende a ampliação das Delegacias Especializadas da Mulher, o reforço do efetivo da Patrulha Maria da Penha e a qualificação dos profissionais que recebem as denúncias.

 

“Tem que ter um treinamento de como é acolhida essa vítima, qual é o encaminhamento dado, a estrutura que o Estado pode dar para essa vítima”, afirmou.

 

Outro ponto levantado durante a entrevista foi a dependência econômica. Michelly argumenta que muitas mulheres encontram dificuldades para romper relacionamentos abusivos porque não possuem condições financeiras para reconstruir a própria vida.

 

Para ela, uma política de proteção eficiente precisa considerar esse aspecto e criar mecanismos que permitam à vítima sair da relação sem ficar dependente economicamente do agressor.

 

A agenda apresentada pela candidata também inclui esporte e educação. Michelly defende a ampliação das escolas em tempo integral e o fortalecimento de atividades esportivas no contraturno escolar.

 

“Eu tenho o Escola da Comunidade, que já é um projeto ativo aqui em Cuiabá, que a gente quer expandir para o Estado”, afirmou.

 

O esporte, segundo ela, deve ser tratado como instrumento de formação e transformação social, associado à educação e à proteção de crianças e adolescentes.

 

“Eu sempre fiz essa união entre o esporte e a educação para que eles caminhem juntos, porque eu acredito na educação como essa ferramenta de transformação”, declarou.

 

A saúde completa o conjunto de prioridades que Michelly afirma pretender levar para a Assembleia.

A candidata destaca sua experiência à frente da Comissão de Saúde da Câmara de Cuiabá como parte da preparação para uma eventual atuação no Legislativo estadual.

 

A candidatura também é apresentada como uma resposta ao que Michelly considera uma baixa representatividade feminina na política estadual.

Ela chama atenção para a atual composição da Assembleia Legislativa e para a necessidade, em sua avaliação, de ampliar a participação das mulheres na formulação das políticas públicas.

 

“Nós temos um vácuo na Assembleia Legislativa que é a falta de representatividade feminina”, afirmou.

 

Para a vereadora, a discussão sobre representatividade não deve ser reduzida à quantidade de mulheres ocupando cadeiras no Legislativo.

Ela relaciona a presença feminina à possibilidade de ampliar debates sobre problemas que afetam diretamente a rotina das mulheres, como a necessidade de creches com horários compatíveis com jornadas de trabalho diferenciadas.

 

“Eu tenho encontrado muitas pessoas que querem renovação”, relatou Michelly ao falar sobre sua circulação por diferentes regiões de Mato Grosso durante a campanha.

 

Alencar afirma que o contato com eleitores tem mostrado um cenário diferente daquele em que todos os votos estariam previamente definidos. Segundo ela, muitas pessoas ainda estão avaliando os candidatos e buscando informações sobre suas trajetórias.

 

“80% das pessoas que eu converso não escolheram seus candidatos porque ainda estão pesquisando”, declarou.

 

Michelly interpreta esse comportamento como um sinal positivo para o processo eleitoral. Na avaliação dela, conhecer o histórico e a atuação dos candidatos antes de decidir o voto contribui para uma escolha mais consciente.

 

A estratégia de expansão da candidatura para além de Cuiabá também se apoia em uma trajetória anterior à política. Antes de chegar à Câmara Municipal, Michelly atuou como jornalista e percorreu diferentes regiões de Mato Grosso.

 

“Acho que uma das coisas que ainda está na memória dos mato-grossenses é a Michele jornalista”, afirmou.

 

Segundo ela, a experiência na comunicação fez com que sua imagem chegasse a municípios do interior antes mesmo de sua entrada na vida pública.

 

“Eu percorri o Estado todo quando jornalista, então eu já tenho essa memória de entrar na casa das pessoas”, disse.

 

A atuação parlamentar passou, posteriormente, a formar uma segunda referência pública. Michelly afirma que utiliza as redes sociais como ferramenta permanente de prestação de contas e não apenas durante os períodos eleitorais.

 

“Eu não sou uma vereadora que aparece no Instagram na época de campanha ou pré-campanha. Eu sou uma vereadora que usa o Instagram como uma prestação de conta diária”, declarou.

 

A candidata afirma que a combinação entre comunicação, experiência parlamentar e redes sociais ampliou o alcance de seu trabalho e permitiu que eleitores de diferentes regiões acompanhassem sua atuação.

 

Embora reconheça a importância da Baixada Cuiabana para sua trajetória política, Michelly sustenta que uma eventual eleição para a Assembleia ampliaria sua responsabilidade para todo o Estado.

 

“Quando um deputado eleito é estadual, ele deixa de ser o deputado de uma região e passa a ser o deputado do Estado”, afirmou.

 

Ela relata que vem percorrendo o Nortão, o Sul e outras regiões de Mato Grosso durante a campanha, buscando apresentar suas propostas e ampliar o diálogo com eleitores fora da Capital.

 

No campo político, Michelly também procura definir o perfil de atuação que pretende adotar caso seja eleita. Ela reconhece a necessidade de manter alianças e diálogos institucionais, mas afirma que esses vínculos não devem se sobrepor aos interesses da população.

 

“Nunca os meus alinhamentos políticos estarão antes daquilo que vai beneficiar a população”, declarou.

 

A candidata resume suas principais bandeiras em quatro áreas: defesa das mulheres, esporte, educação e saúde.

 

“Eu tenho bandeiras claras: a defesa das mulheres, o esporte, a saúde e a educação são aquelas que me movem”, afirmou.

 

A disputa pela Assembleia representa, para Michelly, a tentativa de levar para uma escala estadual uma atuação política construída em Cuiabá.

O resultado dependerá da capacidade de transformar esse histórico em apoio eleitoral fora de sua principal base política e conquistar espaço em uma eleição marcada pela disputa entre nomes com diferentes níveis de experiência e estrutura.

 

Ao final da entrevista, a candidata reforçou a defesa de uma política baseada em preparo, trabalho e compromisso com o eleitor.

 

“Eu quero olhar no olho de cada um de vocês e dizer: há esperança para a política, sim. Nós ainda temos pessoas que trabalham honestamente e que estão na política para servir”, afirmou.

 

A declaração resume o discurso que Michelly vem apresentando ao longo da campanha: utilizar a experiência adquirida no Legislativo municipal como credencial para uma candidatura estadual, com foco em políticas públicas para mulheres, crianças, esporte, educação e saúde e na ampliação da participação feminina nos espaços de decisão.

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