O documentário étnico “Panango Atpotpot – A Festa da Furação de Orelha” será lançado no dia 18 de março, no canal Show Raízes, levando ao público um registro sensível de um dos rituais mais importantes do povo Ikpeng, realizado no Território Indígena do Xingu, em Mato Grosso.
Esta é a segunda produção no território do Xingu protagonizada pela equipe, que em 2023 gravou o documentário “Mel da Floresta – Xingu” durante expedição na aldeia Arayó, onde retornaram para o novo projeto.
A obra conta com produção executiva da jornalista e produtora cultural Camila Galvão, com co-produção e coordenação de Jorge Sepúlveda, pela Galvão Sepúlveda Produções.
Com direção e roteiro de Leonardo Sant’Anna, o filme foi contemplado no edital 14/2023 da Secretaria de Estado de Cultura, Esporte e Lazer de Mato Grosso (Secel-MT) voltado à produção de documentários étnicos.
O documentário mergulha na profundidade simbólica do Panango Atpotpot, cerimônia tradicional pré-colombiana de furação da orelha que marca a passagem da infância para a vida adulta entre os Ikpeng. Este rito de passagem representa coragem, identidade cultural e conexão espiritual com os ancestrais.
O documentário também destaca a presença do mestre de cultura Korotowi Taffarel, também chamado de cacique Yakuná, referência na preservação e transmissão dos saberes tradicionais ligados ao ritual.
Segundo o cacique Yakuná, entre os Ikpeng, a “furação da orelha é considerada um símbolo de beleza e bravura”.
A partir desse momento, meninos e meninas iniciam seu caminho como Pomeri, condição que identifica aqueles que passaram pelo ritual e estão preparados para assumir novas responsabilidades dentro da comunidade.
Um dos momentos centrais da cerimônia é conduzido pelo furador, responsável por realizar a furação das orelhas das crianças. O procedimento utiliza um instrumento simbólico: a tíbia da onça, osso fino da perna do animal cuidadosamente preparado para o ritual.
“Para os Ikpeng, a onça representa força e coragem”, explica o cacique. Durante a cerimônia, a criança deve suportar a dor sem chorar, demonstrando bravura e simbolizando sua vitória sobre o medo.

Preparação coletiva e saberes tradicionais
A realização do Panango Atpotpot envolve uma preparação cuidadosa que mobiliza toda a comunidade. A aldeia participa da coleta de alimentos, da organização da festa e do convite a cantores de outras aldeias.
Entre os elementos fundamentais da cerimônia estão também os cantos conhecidos conduzidos pelo cantor werempta, músicas tradicionais entoadas exclusivamente durante o ritual.
Transmitidas entre gerações, essas canções celebram a alegria da comunidade, narram histórias e reforçam a memória coletiva do povo Ikpeng.

Ao documentar o Panango Atpotpot, o filme contribui para a preservação da memória e para a valorização das tradições indígenas do Xingu. A produção integra o trabalho da Galvão Sepúlveda Produções, que vem se dedicando ao registro audiovisual de temas ligados à cultura, à educação e à memória regional.
Entre os projetos realizados pela produtora estão os documentários “Mel da Floresta – Xingu”, “Instituto Padre João Peter – Legado de Transformação e Compromisso”, e o documentário a ser lançado dia 19 de março, “BR-163 A Luta pela Vida”, com Jorge Sepúlveda como diretor estreante.
São produções que já receberam láureas em festivais e reconhecimentos institucionais com moções de aplausos pelo trabalho de valorização cultural.
Com o lançamento no canal Show Raízes, o documentário amplia o acesso do público a um dos rituais mais significativos da cultura Ikpeng, revelando a força de uma tradição que permanece viva no território do Xingu.






























