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Pivetta vira o jogo, encosta em Wellington e passa a liderar corrida pelo Governo de Mato Grosso

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A eleição para o Governo de Mato Grosso entrou em uma nova fase. O governador Otaviano Pivetta (Republicanos) aparece pela primeira vez à frente do senador Wellington Fagundes (PL) em um levantamento do Paraná Pesquisas, invertendo uma vantagem que, oito meses atrás, parecia confortável para o adversário. Mais do que a fotografia de uma pesquisa, os números revelam uma mudança importante na disposição do eleitorado e colocam a sucessão estadual em um cenário de disputa aberta.

 

Na pesquisa estimulada divulgada nesta segunda-feira (24), Pivetta registra 39% das intenções de voto, contra 35% de Wellington. Natasha Slhessarenko (PSD) aparece distante, com 8,7%, seguida por Sargento Laudicério (Agir), com 2,2%, Maurício Coelho (Mobiliza), com 0,4%, e Rafaell Milas (Missão), com 0,3%. Brancos e nulos somam 8,1%, enquanto 6,3% não souberam ou não quiseram responder.

 

A diferença de quatro pontos coloca Pivetta numericamente na liderança, mas não permite falar em vantagem consolidada. Com margem de erro de 2,6 pontos percentuais, os dois estão tecnicamente empatados. É justamente por isso que o dado mais relevante talvez não esteja nos quatro pontos de hoje, mas no caminho percorrido até chegar a eles.

 

Em dezembro de 2025, no mesmo instituto e em um cenário sem Jayme Campos, Wellington tinha 43,1%, enquanto Pivetta somava 28,1%. A distância era de 15 pontos.

 

Oito meses depois, a fotografia é outra: Pivetta subiu 10,9 pontos, enquanto Wellington recuou 8 pontos. A distância que era de 15 pontos favoráveis ao senador transformou-se em quatro pontos favoráveis ao governador. Na prática, houve uma mudança de 19 pontos na diferença entre os dois.

 

Não se trata apenas de crescimento de um candidato e queda de outro. O eleitorado também mudou de composição política, os nomes da disputa foram se consolidando e, principalmente, Pivetta passou a ser avaliado como candidato à reeleição depois de assumir efetivamente o comando do Estado.

 

Segundo turno também muda de lado

 

A inversão fica ainda mais evidente quando o Paraná Pesquisas coloca os dois frente a frente em um eventual segundo turno.

 

Em dezembro, Wellington tinha 48,6% contra 32,8% de Pivetta. Uma vantagem de 15,8 pontos para o senador. Agora, o governador aparece com 44,3%, enquanto Wellington soma 40,8%.

 

A diferença atual, de 3,5 pontos, permanece dentro da margem de erro e, portanto, representa empate técnico. Mas a trajetória chama atenção: a vantagem de 15,8 pontos que Wellington possuía desapareceu e deu lugar a uma dianteira numérica de Pivetta.

 

Entre uma pesquisa e outra, a distância entre os dois mudou 19,3 pontos.

 

É uma virada significativa para uma eleição que ainda está longe da urna, mas já começa a ganhar contornos de polarização.

 

A espontânea revela um dado ainda mais favorável a Pivetta.

 

Se na pesquisa estimulada os dois estão tecnicamente empatados, é na pesquisa espontânea que aparece talvez o sinal mais interessante para a campanha de Pivetta.

 

Quando os nomes dos candidatos não são apresentados aos entrevistados, o governador é lembrado por 15,9% dos eleitores. Wellington aparece com 8,6%. Natasha tem 2,7%.

 

Pivetta, portanto, tem 7,3 pontos de vantagem sobre Wellington nesse cenário.

 

O dado merece atenção porque a pesquisa espontânea mede um tipo diferente de lembrança eleitoral. O eleitor precisa citar um nome sem receber uma lista de opções. E, embora não seja possível transformar automaticamente esse resultado em intenção de voto definitiva, ele indica um grau maior de presença do governador na cabeça do eleitor.

 

Ao mesmo tempo, a eleição está longe de estar decidida. Nada menos que 65,2% dos entrevistados não souberam ou não quiseram apontar espontaneamente um candidato.

 

Ou seja: há espaço para crescimento, mudança de preferência e, sobretudo, para que a campanha dos dois principais concorrentes tente transformar lembrança em voto.

Outro indicador que ajuda a explicar a mudança do cenário é a rejeição.

 

Wellington Fagundes aparece com 25,7% dos eleitores dizendo que não votariam nele de jeito nenhum. Pivetta registra 16,3%. Natasha tem 19,3%.

 

A diferença entre os dois principais candidatos chega a 9,4 pontos.

 

Em uma eleição polarizada, esse número ganha peso porque a capacidade de crescimento de um candidato não depende apenas de conquistar novos eleitores, mas também de encontrar espaço entre aqueles que ainda não decidiram ou que admitem votar em outros nomes.

 

Nesse aspecto, Pivetta parte de uma rejeição menor.

 

A aprovação do governo ajuda a explicar a mudança

 

A pesquisa também oferece uma possível chave para compreender a ascensão do governador: a avaliação de sua administração.

 

O governo Pivetta é aprovado por 69,5% dos entrevistados, enquanto 23,3% desaprovam. Na avaliação por conceitos, 49,2% classificam a administração como ótima ou boa; 32,2% consideram regular e 14,4% avaliam o governo como ruim ou péssimo.

 

Esse resultado cria uma equação política particularmente favorável ao governador: ele aparece numericamente na liderança eleitoral, tem vantagem na espontânea, registra rejeição inferior à do principal adversário e administra um governo cuja aprovação se aproxima de 70%.

 

Não significa que aprovação administrativa se converta automaticamente em voto. Mas cria um ambiente eleitoral mais confortável para quem busca a continuidade.

A comparação com a pesquisa anterior do próprio Paraná Pesquisas ajuda a dimensionar a transformação.

 

Em dezembro, Wellington era o nome mais forte do tabuleiro. No cenário sem Jayme Campos, tinha 43,1% contra 28,1% de Pivetta. No confronto direto, chegava a 48,6% contra 32,8%.

 

Naquele momento, a vantagem parecia estabelecer uma hierarquia clara.

 

Agora, a hierarquia desapareceu.

 

Pivetta não apenas reduziu a distância. Passou à frente numericamente nos dois cenários testados contra Wellington.

 

O governador ainda precisa transformar uma liderança dentro da margem de erro em vantagem efetiva. Wellington, por sua vez, precisa interromper uma trajetória que, pelo menos nesta série do Paraná Pesquisas, saiu de uma vantagem confortável para uma situação de empate técnico.

 

Com 65,2% do eleitorado ainda sem declarar espontaneamente um nome, há um universo enorme de votos em disputa. E é justamente nesse eleitorado menos cristalizado que as próximas etapas da campanha poderão decidir se a virada de Pivetta representa apenas uma fotografia momentânea ou o início de uma nova configuração da eleição.

 

A pesquisa ouviu 1.504 eleitores em 56 municípios de Mato Grosso entre os dias 21 e 23 de agosto de 2026. As entrevistas foram presenciais e domiciliares. O levantamento tem nível de confiança de 95% e margem de erro de 2,6 pontos percentuais. A pesquisa foi registrada no Tribunal Superior Eleitoral sob o número MT-02157/2026 e foi contratada pela Sedek Serviços, Tecnologia & Informação Ltda.

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Fonte: Exame

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