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    Professor convida ex-combatente da guerra na Ucrânia à Escola Militar Tiradentes para falar sobre humanidade e sobrevivência

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    Professor Jorge Sepúlveda aproxima alunos da realidade da guerra ao trazer ex-combatente da Ucrânia para palestra na Escola Militar Tiradentes

     

    A guerra, para a maioria das pessoas, chega pelos vídeos curtos das redes sociais, pelas manchetes rápidas ou pelas imagens distantes transmitidas diariamente nos noticiários internacionais. Na Escola Militar Tiradentes Sd PM Adriana Morais Ramos, porém, ela chegou através de um relato em primeira pessoa.

     

    Durante dois dias, os estudantes da unidade militar de ensino em Lucas do Rio Verde acompanharam de perto o depoimento do ex-combatente Wagner Prass, morador do município que esteve na Ucrânia durante o conflito que ainda mobiliza atenções em todo o mundo.

    O encontro se transformou em uma conversa profunda sobre limites humanos, foco, companheirismo e os impactos invisíveis de uma guerra.

    A atividade foi organizada pelo professor de História Jorge Sepúlveda, dentro de uma proposta que buscou aproximar os conteúdos estudados em sala de aula — como Primeira e Segunda Guerra Mundial, além da Guerra Fria — dos conflitos geopolíticos contemporâneos.

    O objetivo era justamente fazer os alunos compreenderem que os acontecimentos atuais não surgem isoladamente, mas são consequência direta de tensões históricas acumuladas ao longo das décadas.

     

    Ao iniciar o relato, Wagner demonstrou que a experiência vivida na Ucrânia extrapola qualquer narrativa romantizada sobre guerra. Em tom sereno, mas carregado de experiência, ele explicou que retornar vivo para casa, reencontrar a família e poder compartilhar aquilo que presenciou se tornou também uma missão pessoal.

     

    “Quando chegamos aqui, o primeiro ponto que eu pensei foi isso: transpassar isso, passar isso. Que a guerra é muito mais além daquilo que a gente vê nas redes sociais, nos documentários, nas mídias”, afirmou.

     

    O ex-combatente destacou que esteve em uma realidade marcada por sofrimento humano constante, medo e necessidade de resistência emocional.

    Segundo ele, viver em uma área de conflito modifica completamente a percepção sobre vida, convivência e prioridades.

     

    “Foi uma experiência muito boa que nós tivemos ali na Ucrânia”, relatou, ao explicar que a missão também carregava um aspecto humanitário. “Nos trouxe uma visão maior em poder ajudar um povo ucraniano, um povo sofrido.”

     

    Morador de Lucas do Rio Verde, Wagner falou ainda sobre o impacto pessoal da experiência. Pai de três filhas e com raízes estabelecidas no município, ele relatou que retornar para casa depois de ter convivido com o cenário de guerra ampliou sua compreensão sobre família, amizade e solidariedade.

     

    Em um dos momentos mais marcantes da conversa, Wagner procurou desconstruir a ideia de que guerras existem apenas em territórios bombardeados. Para ele, o Brasil também enfrenta conflitos diários, embora em outra dimensão.

     

    “O Brasil não vive em conflito de guerra, mas vive em guerras internas, na pobreza, dificuldades, na área de saúde e dentro de outras coisas”, refletiu.

     

    A fala provocou identificação imediata entre os estudantes, principalmente porque o encontro não ficou restrito ao campo militar. Ao longo da apresentação, o ex-combatente transformou a própria trajetória em uma reflexão sobre escolhas pessoais, disciplina e direcionamento de vida.

    Segundo Wagner, uma das principais lições aprendidas no front foi entender que sobrevivência depende diretamente de foco e controle emocional. Ele explicou aos alunos que situações extremas obrigam o ser humano a superar limites que antes pareciam intransponíveis.

     

    “Você venceu os limites. Nós temos todos, cada ser humano tem as suas limitações e dificuldades e a gente venceu esses limites”, declarou.

     

    A partir dessa experiência, ele fez questão de direcionar a conversa para a realidade da juventude atual. Em sua avaliação, muitos jovens enfrentam hoje uma ausência de propósito e acabam vulneráveis a caminhos destrutivos justamente pela falta de foco.

    “Hoje nós temos uma juventude aí que tá muito fora, perdida, sem direção. Um outro entrando por outros caminhos”, afirmou. “Então nós trouxemos isso também: ter um direcionamento, foco.”

     

    Ao falar diretamente aos estudantes da escola militar, Wagner ressaltou que disciplina, companheirismo e respeito são elementos fundamentais tanto em situações extremas quanto na vida cotidiana.

    Para ele, esses valores são construídos inicialmente dentro de casa e fortalecidos nos ambientes de formação educacional.

     

    “Dentro de casa, companheirismo. Família, amizade. E sempre ter um foco, um objetivo”, disse.

     

    O ex-combatente também fez questão de elogiar a estrutura e a postura dos alunos da Escola Militar Tiradentes.

    Segundo ele, o ambiente disciplinado encontrado na instituição demonstra um trabalho sólido de formação humana e educacional.

     

    “Os alunos excelentes, a postura excelente”, afirmou. “Parabenizar a equipe de professores, instrutores, a equipe militar que está aqui, os monitores. O comando em si é excelente.”

     

    Durante os dois dias de atividades, os estudantes tiveram acesso a relatos, fotografias e materiais trazidos por Wagner sobre o período em que esteve na Ucrânia.

    O contato direto com alguém que vivenciou um conflito contemporâneo tornou as aulas de História mais concretas e emocionalmente próximas dos alunos.

     

    Para além de narrar episódios de guerra, a visita acabou despertando reflexões sobre empatia, responsabilidade coletiva e valorização da vida em tempos de paz.

    Em uma geração acostumada à velocidade da informação e à banalização de imagens violentas na internet, ouvir um relato presencial trouxe peso humano a uma realidade frequentemente tratada apenas como notícia distante.

     

    A presença de Wagner Prass na Escola Militar Tiradentes também evidenciou o papel da educação em conectar os estudantes aos grandes temas do mundo atual, mostrando que compreender conflitos internacionais passa não apenas pela análise política ou militar, mas principalmente pela compreensão das consequências humanas deixadas por eles.

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