Pesquisar
    Feche esta caixa de pesquisa.

    “Várzea Grande saiu da UTI, mas ainda está na sala vermelha”, diz secretário Benedito Lucas sobre crise herdada pela gestão Flávia Moretti

    publicidade

     

    Benedito Lucas detalha desafios e metas da gestão Flávia Moretti em Várzea Grande

    Enfrentando um cenário de dívidas milionárias e uma crise estrutural nos serviços públicos, a gestão da prefeita Flávia Moretti, em Várzea Grande, tem apostado em diálogo, planejamento e parcerias para reestruturar o município. Quem afirma é o secretário de Governo, Benedito Lucas Miranda, que concedeu uma entrevista franca sobre os desafios da cidade e as ações que estão sendo tomadas.

    O secretário reconhece que a situação herdada da gestão anterior foi crítica. Segundo ele, Várzea Grande foi recebida como um paciente “que saiu da UTI, mas ainda está na sala vermelha”. A prioridade imediata foi garantir o funcionamento dos serviços essenciais, especialmente saúde e educação, enquanto se busca recuperar a capacidade financeira do município.

    Dívidas e rombo deixado pela gestão anterior

    Benedito revelou que a atual gestão assumiu uma dívida milionária, tanto em precatórios quanto em pagamentos atrasados a fornecedores. “Várzea Grande é hoje um dos municípios que mais deve em Mato Grosso”, pontuou. Segundo ele, a administração lançou uma campanha de conscientização, buscando a adesão da população para o pagamento do IPTU, que se tornou uma das principais fontes para começar a sanar os débitos.

    Apesar dos avanços na organização das finanças, o secretário alerta que os desafios ainda são enormes. “O passivo é muito grande. Foi um rombo deixado que não se resolve da noite para o dia.”

    Crise no abastecimento de água e no saneamento

    Entre os problemas mais graves está o colapso do sistema de abastecimento de água. O Departamento de Água e Esgoto, nas palavras de Benedito, virou “um grande sucatão”. A cidade enfrenta constantes problemas de desabastecimento, causados por uma rede antiga, com tubulações de amianto — material proibido — e sistemas sem capacidade de reservar.

    “Quando uma bomba quebra ou uma estação para para manutenção, a água simplesmente não chega às casas. É quase uma ligação direta do rio para as residências”, descreveu.

    O cenário do esgotamento sanitário é igualmente preocupante. Apenas 15% a 20% do esgoto da cidade é tratado. Isso significa que o mesmo rio que abastece Várzea Grande também recebe esgoto sem tratamento, expondo a população a riscos sanitários e ambientais.

    Concessão pública: solução para um problema crônico

    Diante da inviabilidade de resolver o problema apenas com recursos próprios, a gestão defende a concessão pública dos serviços de água e esgoto, com validade de 25 a 30 anos. Benedito faz questão de diferenciar concessão de privatização. “Não é privatização, é concessão pública. O ativo continua sendo do município. Precisamos de investimento pesado, na ordem de R$ 1,5 bilhão, algo que a prefeitura não tem como bancar sozinha.”

    A proposta segue o modelo já adotado em Cuiabá, que atualmente trata cerca de 70% do seu esgoto, enquanto Várzea Grande ainda patina em índices abaixo dos 20%.

    Rompendo com oligarquias e práticas antigas

    O secretário também abordou os desafios políticos enfrentados desde o início da gestão. Várzea Grande vinha sendo governada, segundo ele, por oligarquias que se revezaram no poder por mais de 40 anos, com raras rupturas. “Nosso compromisso é fazer uma ruptura que não seja temporária, mas estrutural. Queremos um novo ciclo de desenvolvimento para a cidade.”

    Para isso, a gestão tem priorizado a regularização fundiária, uma das bandeiras da prefeita Flávia Moretti, que é advogada e especialista no tema. Segundo ele, milhares de títulos de propriedade deverão ser entregues à população nos próximos meses. “É dignidade para quem mora e segurança jurídica para o município, que passa a arrecadar mais com ITBI e movimentação imobiliária.”

    Relação com a Câmara e o desafio da governabilidade

    Um dos maiores desafios institucionais é o relacionamento com a Câmara Municipal. O grupo político da prefeita elegeu apenas três vereadores, em uma Casa composta por 23 parlamentares. A oposição, que perdeu a prefeitura, manteve a maioria esmagadora no Legislativo.

    “No começo foi difícil. Havia resistência, pouca abertura para diálogo. Mas hoje avançamos bastante. A gestão tem mostrado trabalho e responsabilidade, e os vereadores começam a compreender isso. O crédito de confiança está vindo”, afirmou Benedito.

    Ainda assim, ele reconhece que nem todas as demandas podem ser atendidas na velocidade desejada, principalmente as relacionadas à infraestrutura, como tapa-buracos, iluminação e, especialmente, água.

    Apoio de adversários e fim do palanque eleitoral

    Benedito destacou que a prefeita Flávia tem buscado apoio de toda a classe política, independentemente de bandeiras partidárias. “Ela foi atrás do senador Jaime Campos, do deputado Júlio Campos, do deputado Fábio Tardin, de quem for necessário. Inclusive de quem esteve no palanque oposto ao nosso. Porque quem sofre com a briga política não somos nós, é a população”, reforçou.

    Segundo ele, essa é uma filosofia adotada pela gestão: baixar o palanque e trabalhar em prol de Várzea Grande. “Se o recurso vem, não importa de onde. Vamos agradecer, divulgar quem ajudou, mas, acima de tudo, vamos trabalhar.”

    Ele também deixou claro que esse mesmo entendimento vale para a relação com o governo federal. “Seja Lula, seja quem for. Não existe essa história de não aceitar recurso por conta de partido. A gente quer é melhorar a vida do povo de Várzea Grande.”

    Industrialização e desenvolvimento econômico

    Além dos desafios estruturais, a gestão pretende resgatar o protagonismo econômico de Várzea Grande. Apesar de ser a segunda maior cidade de Mato Grosso em população, é apenas a quarta em economia.

    “Nós fomos, no passado, a cidade industrial. Hoje ficamos atrás de Rondonópolis, Sinop e, naturalmente, de Cuiabá. Isso precisa mudar”, afirmou. A gestão tem atuado na busca por empresas, principalmente no setor tecnológico, para ocupar o parque industrial e gerar emprego e renda no município.

    “Temos mão de obra, temos localização estratégica, temos energia, temos terra. Agora precisamos atrair investimentos”, completou.

    Nova filosofia de gestão

    A dinâmica da prefeita também foi destacada. Segundo Benedito Lucas, Flávia é uma gestora incansável, que começa o dia de madrugada — muitas vezes pedalando, hábito pessoal —, e segue até altas horas da noite cobrando resultados.

    “Ela é como uma mãe exigente, que cobra, orienta e quer resultados rápidos. Tem um canal direto com a população e acompanha tudo de perto”, disse.

    O que esperar do futuro?

    Para os próximos anos, Benedito assegura que a população pode esperar uma gestão comprometida, ativa e determinada a transformar a realidade da cidade. “É muito trabalho, muita responsabilidade e, acima de tudo, compromisso. Nosso objetivo é fazer de Várzea Grande uma cidade de referência em Mato Grosso.”

     

    Compartilhe essa Notícia

    publicidade

    publicidade

    publicidade

    Botão WhatsApp - Canal TI