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    Wellington larga na frente na corrida ao Paiaguás e amplia pressão sobre grupo governista, aponta pesquisa

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    Pesquisa mostra Wellington na dianteira e expõe disputa pela sucessão de Mauro Mendes em Mato Grosso

    A primeira grande pesquisa estadual sobre a corrida ao Palácio Paiaguás em 2026 traz uma notícia positiva para o senador Wellington Fagundes (PL), mas também revela que a disputa pelo comando de Mato Grosso está longe de qualquer definição. O levantamento Real Time Big Data mostra Wellington liderando todos os cenários testados para governador, porém os números revelam um cenário político mais complexo do que uma simples liderança eleitoral.

    Ao mesmo tempo em que o senador aparece como o nome mais competitivo da largada, a sucessão do governador Mauro Mendes (União Brasil) ainda passa por um processo de construção e enfrenta um obstáculo que pode ser decisivo nos próximos meses: a maioria dos eleitores ainda não escolheu um candidato.

    O dado mais revelador da pesquisa não está necessariamente na liderança de Wellington. Na modalidade espontânea, considerada uma das ferramentas mais importantes para medir o grau de consolidação de uma candidatura, 54% dos entrevistados afirmaram não saber em quem votariam para governador. Outros 18% declararam intenção de votar em branco ou nulo. Na prática, isso significa que 72% dos eleitores mato-grossenses ainda não apresentam uma preferência consolidada para a sucessão estadual.

    Em eleições realizadas com grande antecedência, esse tipo de resultado costuma indicar que a disputa ainda não entrou efetivamente na rotina da população. Enquanto lideranças políticas, partidos e grupos econômicos já discutem cenários para 2026, boa parte dos eleitores ainda não transformou a sucessão estadual em uma preocupação concreta. É justamente nesse espaço de indefinição que as campanhas costumam crescer, perder força ou mudar completamente de direção.

    Mesmo diante desse cenário de incerteza, Wellington aparece em posição privilegiada. Na pesquisa espontânea, registra 12% das citações e é o único nome a alcançar dois dígitos. Em segundo lugar surge o vice-governador Otaviano Pivetta (Republicanos), com 7%. Os demais possíveis candidatos aparecem em patamares muito inferiores. O resultado demonstra que Wellington possui, neste momento, um nível de lembrança eleitoral superior ao dos concorrentes e já ocupa um espaço relevante na memória do eleitorado.

    Quando os entrevistados recebem uma lista de possíveis candidatos, a vantagem do senador se torna ainda mais evidente. No principal cenário estimulado, Wellington alcança 35% das intenções de voto. Em segundo lugar aparece o senador Jayme Campos (União Brasil), com 23%, seguido por Otaviano Pivetta, com 19%. A médica Natasha Slhessarenko (PSD) registra 10%, enquanto Rafael Milas aparece com 2% e Marcelo Maluf com 1%.

    A liderança de Wellington chama atenção não apenas pela vantagem numérica, mas pela consistência. O senador aparece à frente em todos os cenários apresentados pelo instituto, lidera entre homens e mulheres, mantém desempenho competitivo em todas as faixas etárias e registra vantagem em todos os níveis de renda pesquisados. Trata-se de um perfil eleitoral considerado estratégico em disputas majoritárias porque demonstra capacidade de diálogo com diferentes segmentos da população.

    Mas a pesquisa revela muito mais do que a força eleitoral de Wellington. Ela ajuda a compreender a principal disputa política que deverá marcar os próximos meses em Mato Grosso: a busca por um sucessor para Mauro Mendes.

    Depois de quase oito anos à frente do Governo do Estado, Mauro deixará o cargo em 2026 sem a possibilidade de disputar um novo mandato. Sua saída abre uma das mais importantes sucessões políticas da história recente de Mato Grosso. Naturalmente, a atenção se volta para quem será capaz de herdar o capital político acumulado pelo governador ao longo de dois mandatos marcados por forte protagonismo administrativo e influência política.

    Nesse contexto, Otaviano Pivetta aparece como o herdeiro natural do projeto governista. Vice-governador, aliado histórico de Mauro Mendes e figura diretamente associada à atual gestão, ele surge como o principal representante da continuidade administrativa. No entanto, a pesquisa mostra que essa transferência de capital político ainda não aconteceu de forma automática.

    Embora ocupe o cargo de vice-governador e seja frequentemente apontado como sucessor natural do grupo governista, Pivetta aparece atrás de Wellington e também atrás de Jayme Campos no principal cenário estimulado. O resultado sugere que a aprovação de uma gestão não necessariamente se converte de forma imediata em apoio eleitoral ao candidato que pretende representar sua continuidade.

    Ao mesmo tempo, seria precipitado interpretar os números como um sinal de fragilidade da candidatura de Pivetta. A própria pesquisa mostra que existe espaço para crescimento. Quando Jayme Campos deixa de ser apresentado aos entrevistados, Pivetta sobe de 19% para 29%, enquanto Wellington avança para 40%.

    Esse movimento revela um dos aspectos mais interessantes do levantamento. Ele sugere que parte importante do eleitorado de Jayme Campos e de Otaviano Pivetta ocupa uma mesma área do espectro político. Em outras palavras, os dois disputam fatias semelhantes do eleitorado conservador e de centro-direita. Caso um deles deixe a disputa ou apoie o outro, os números indicam que pode haver uma migração significativa de votos.

    Essa leitura é particularmente relevante porque ajuda a explicar por que Wellington consegue abrir vantagem neste momento. Enquanto seus adversários disputam espaços semelhantes dentro do mesmo campo político, o senador do PL aparece como o principal beneficiado pela fragmentação da concorrência.

    A situação de Jayme Campos também merece atenção. Mesmo sem ocupar cargos no Executivo e mantendo uma atuação mais voltada ao Senado, ele aparece com 23% das intenções de voto no principal cenário testado. O desempenho confirma que seu nome continua fortemente associado à política mato-grossense e demonstra capacidade de permanecer competitivo em uma eleição estadual.

    A pesquisa mostra ainda que Jayme mantém força especialmente entre os eleitores mais velhos, segmento em que registra um de seus melhores desempenhos. Trata-se de um eleitorado tradicionalmente mais participativo e que costuma exercer influência relevante em disputas majoritárias.

    Outro ponto que merece destaque é o desempenho de Natasha Slhessarenko. Em um cenário dominado por figuras masculinas e lideranças tradicionais da política estadual, ela é a única mulher entre os principais nomes apresentados aos entrevistados. No principal cenário estimulado, alcança 10% das intenções de voto. Quando a disputa é reduzida a menos candidatos, cresce para 16%.

    Embora ainda apareça distante dos líderes, Natasha demonstra capacidade de ocupar um espaço político próprio e se posiciona como uma alternativa fora do eixo representado por Wellington, Jayme e Pivetta. Seu desempenho também evidencia que existe uma parcela do eleitorado disposta a considerar nomes que não pertencem diretamente aos grupos políticos que dominam a cena estadual nas últimas décadas.

    Os recortes da pesquisa ajudam a compreender melhor a distribuição das forças eleitorais. Wellington lidera entre homens e mulheres, apresenta desempenho equilibrado entre diferentes gerações e mantém vantagem tanto entre eleitores de menor renda quanto entre aqueles de renda mais elevada. Entre os entrevistados com mais de 60 anos, por exemplo, alcança 39%. Na faixa entre 35 e 59 anos, registra 38%. Entre os jovens de 16 a 34 anos, aparece com 29%.

    Esse tipo de distribuição costuma ser observado com atenção por estrategistas políticos porque indica capilaridade. Em vez de depender de um único nicho eleitoral, o candidato consegue dialogar com públicos distintos, ampliando seu potencial de crescimento ao longo da campanha.

    Apesar da vantagem apresentada por Wellington, a pesquisa recomenda cautela para qualquer projeção definitiva. A história eleitoral brasileira mostra que levantamentos realizados com mais de um ano de antecedência funcionam muito mais como uma fotografia do momento do que como uma previsão do resultado final. Mudanças de alianças, definições partidárias, desempenho dos governos, entrada de novos candidatos e o próprio ambiente da campanha podem alterar significativamente o cenário.

    Por isso, talvez a principal mensagem da pesquisa seja justamente a coexistência de duas realidades. A primeira é que Wellington Fagundes chega ao início da sucessão estadual como o nome mais forte da corrida, liderando todos os cenários e demonstrando vantagem consistente sobre os concorrentes. A segunda é que a eleição permanece aberta, com um enorme contingente de eleitores ainda sem posição definida e uma disputa intensa pela herança política de Mauro Mendes.

    O levantamento mostra quem lidera a largada e também revela que a corrida está apenas começando. Mato Grosso vive hoje uma disputa em construção, marcada pela busca de um sucessor para o atual governador, pela tentativa de consolidação de novas lideranças e pela disputa de um eleitorado que, em sua maioria, ainda não decidiu quem ocupará o Palácio Paiaguás a partir de 2027.

     

     

    Fonte: Pesquisa Real Time Big Data, realizada entre 30 de maio e 1º de junho de 2026, com 1.600 entrevistas e margem de erro de dois pontos percentuais.

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