Pesquisar
    Feche esta caixa de pesquisa.

    Analfabetismo funcional: um desafio para a língua portuguesa

    publicidade

    “O letramento é uma das soluções para a erradicação do analfabetismo funcional, pois extrapola a visão tecnicista de alfabetização”. Fonte: Brasil Escola

    Embora seja falada por mais de 265 milhões de pessoas em todo o mundo, a língua portuguesa ainda enfrenta desafios significativos, especialmente no que se refere ao analfabetismo funcional.

    Cerca de 30% dos brasileiros entre 15 e 64 anos são considerados analfabetos funcionais, ou seja, eles têm dificuldades de compreender e utilizar a informação escrita e refletir sobre ela, mesmo sabendo ler e escrever. Essa situação prejudica o desenvolvimento pessoal, profissional e social dessas pessoas, que ficam limitadas em suas oportunidades e em seu exercício de cidadania.

    Segundo o conceito do Indicador de Alfabetismo Funcional (Inaf), desenvolvido pelo Instituto Paulo Montenegro e pela ONG Ação Educativa, o analfabetismo funcional é a incapacidade de compreender textos e operações matemáticas simples e de organizar as próprias ideias para expressar, por exemplo, uma argumentação. Um analfabeto funcional não é necessariamente uma pessoa que não saiba ler nem escrever, mas sim um indivíduo que tenha dificuldades de interpretar e produzir textos de diferentes gêneros e finalidades.

    O Inaf classifica os níveis de alfabetismo funcional em cinco grupos: analfabeto (não consegue identificar letras e números), rudimentar (consegue identificar informações explícitas em textos simples), elementar (consegue selecionar unidades de informação em textos de extensão média), intermediário (consegue identificar informações literais em vários tipos de texto) e proficiente (consegue analisar e relacionar informações implícitas em textos complexos).

    De acordo com a última edição do Inaf, realizada em 2018 com uma amostra de 2002 pessoas em todo o país, apenas 12% dos brasileiros são considerados proficientes em leitura, enquanto 8% são analfabetos, 21% são rudimentares e 29% são elementares. Isso significa que mais da metade da população brasileira tem um nível insuficiente de alfabetismo funcional.

    As causas do analfabetismo funcional são diversas e complexas, mas podem estar relacionadas à má qualidade do ensino básico, ao sistema de alfabetização ineficiente, à falta de incentivo à leitura, à desigualdade social e à evasão escolar. Os impactos da evasão escolar pós-pandemia nem mesmo foram calculados, mas é possível afirmar que a defasagem escolar já é uma preocupação dos educadores em 2023. Para combater esse problema, são necessárias políticas públicas que garantam o acesso e a permanência dos estudantes na escola, bem como a melhoria da formação dos professores e da infraestrutura das unidades de ensino. Além disso, é preciso estimular o letramento, ou seja, a capacidade de usar a linguagem escrita em diferentes contextos sociais.

    Este é um desafio que precisa ser enfrentado por toda a sociedade, pois compromete o desenvolvimento econômico, político e cultural do país. A comunicação é um direito humano fundamental e uma ferramenta para a transformação social. Por isso, é preciso garantir que todos os brasileiros sejam capazes de ler, escrever e compreender o mundo à sua volta.

    Como o analfabetismo funcional se refere à falta de habilidade para compreender e utilizar a leitura, a escrita e a matemática em situações cotidianas, significa que as pessoas que sofrem com esse problema são incapazes de ler textos simples, interpretar informações e realizar cálculos básicos. Essa falta de habilidade pode limitar o acesso à informação, à educação e ao mercado de trabalho.

    No caso da língua portuguesa, o analfabetismo funcional pode ser ainda mais desafiador devido à complexidade da língua e ao fato de que muitos dos países que a falam possuem sistemas educacionais frágeis. Além disso, o uso de gírias, regionalismos e expressões idiomáticas pode dificultar ainda mais a compreensão para aqueles que não têm um bom domínio da língua.

    Diante desse cenário, é essencial que sejam desenvolvidas políticas públicas que promovam a alfabetização e o ensino da língua portuguesa para todos os cidadãos. Isso inclui o investimento em programas de alfabetização de adultos e a melhoria da qualidade do ensino público em todos os níveis.

    A língua portuguesa é um patrimônio cultural e uma ferramenta essencial para a comunicação e o desenvolvimento social e econômico. Por isso, é fundamental que todos os esforços sejam feitos para garantir que as pessoas tenham acesso à educação e à capacitação necessárias para utilizá-la de maneira eficaz e plena.

    Compartilhe essa Notícia

    publicidade

    publicidade

    publicidade

    Botão WhatsApp - Canal TI