Os incêndios florestais que atingem Mato Grosso desde agosto de 2024 estão gerando consequências devastadoras para as terras indígenas do estado. Segundo a Federação dos Povos e Organizações Indígenas de Mato Grosso (Fepoimt), 41 terras indígenas já foram afetadas pelo fogo, destruindo plantações essenciais para a subsistência dessas populações e forçando a migração temporária de algumas famílias.
Na Terra Indígena Rio Formoso, um incêndio de grandes proporções atingiu oito aldeias no último fim de semana. Embora ninguém tenha ficado ferido e as moradias tenham sido salvas, as lavouras foram completamente destruídas. O caso também se repete em outras regiões, como na Terra Indígena Capoto Jarina, no Parque Indígena do Xingu, onde a roça de mandioca, principal alimento dos indígenas, foi consumida pelas chamas.
Txuire Metuktire, da aldeia Piaruçu, relatou com tristeza a destruição de sua plantação: “Queimou tudo a minha roça. Queimou outra roça da minha mãe também. Isso é a comida que nós comemos, é a nossa alimentação que queimou, não tem mais nenhuma mandioca”, lamentou. Essa realidade também preocupa lideranças, como Megaron Txucarramae, que alertou para o risco de falta de alimentos, já que o povo depende da farinha e do biju, produzidos a partir do que é cultivado.
Além do Xingu, as Terras Indígenas Utiariti e Paresina, situadas na região de Campo Novo do Parecis e Tangará da Serra, sofrem há mais de 35 dias com incêndios que já destruíram 200 mil hectares. Gilmar Koloizomae, líder do povo Paresi, destacou a necessidade urgente de equipamentos para combater as chamas e alimentos para os brigadistas indígenas que estão na linha de frente.
“O triste de tudo isso é assistir os vídeos, os relatos, porque não é só a casa que pega fogo, são as roças, é o rio que tá seco. Triste também é ver alguns bichinhos queimando, em sofrimento”, relatou Eliane Xunakalo, presidente da Fepoimt.
De acordo com o Instituto Centro de Vida (ICV), Mato Grosso lidera o ranking de queimadas no Brasil em 2024, com mais de 37 mil focos de incêndios desde janeiro. Em agosto, o estado registrou a devastação de mais de 1,6 milhão de hectares, afetando os biomas Amazônia, Cerrado e Pantanal, onde as terras indígenas estão localizadas.
A situação exige uma resposta rápida e coordenada dos governos municipais, estaduais e federais para fornecer suporte aos povos indígenas, que enfrentam, além das chamas, a ameaça da escassez de alimentos e a perda de seus modos de vida tradicionais.































