Um cenário de tragédia se desenrolou na manhã desta terça-feira (07.05), na residência localizada no bairro Jardim Ikaraí, em Várzea Grande, quando J. de A., 22 anos, foi identificada como a responsável por incendiar a casa, resultando na morte de seu marido, Deivison José da Silva, 33 anos. Em seu testemunho às autoridades, a jovem alegou ter sido levada pelo ódio após Deivison confessar que seu verdadeiro afeto ainda pertencia à sua ex-esposa, residente em Chapada dos Guimarães.
J.A. relatou que conheceu Deivison há três anos em Tangará da Serra e, desde então, decidiram construir uma vida juntos em Cuiabá, com o objetivo de estarem próximos das filhas dela, que residiam com a avó. Entretanto, o relacionamento era marcado por uma dinâmica turbulenta, repleta de ciúmes e episódios de violência, incluindo agressões físicas e ameaças com uma faca.
Além dos conflitos pessoais, a família enfrentava uma dolorosa situação com a irmã de Deivison, que se encontrava em estado de morte cerebral, com os aparelhos programados para serem desligados naquele mesmo dia. A tensão atingiu o ápice quando, na noite anterior ao fatídico evento, Deivison retornou para casa sob o efeito do álcool e de substâncias entorpecentes.
Segundo o relato de J.A., Deivison ingeriu álcool em excesso, combinado com medicamentos controlados, e saiu repetidas vezes em busca de entorpecentes, inclusive chegando a alienar seu celular para financiar o vício. Em um momento de desespero, ele ateou fogo ao colchão onde a jovem dormia, prendendo-a dentro do aposento.
O ponto de ruptura ocorreu quando Deivison desabafou que via J.A. apenas como uma distração, pois seu verdadeiro sentimento estava direcionado à sua ex-companheira. Essa revelação despertou uma onda de fúria na jovem, impelindo-a a decidir por não socorrer Deivison quando este clamava por ajuda após o incêndio.
O caso suscita reflexões profundas acerca da responsabilidade emocional e do gaslighting, um fenômeno no qual a vítima é manipulada e sua percepção distorcida pelo agressor. O desfecho trágico evidencia a intricada complexidade das relações humanas e a profundidade das emoções humanas, frequentemente conduzindo a desfechos irremediáveis.
J.A. foi detida em flagrante no domicílio pelas forças policiais, e a investigação permanece em andamento para esclarecer todos os contornos dessa ocorrência que abalou a localidade de Várzea Grande.




































