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RAIO-X DA DISPUTA

Os sinais deixados pelas pesquisas: o que está por trás da corrida pelo Governo de MT

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Levantamentos divulgados na reta final antes das convenções mostram liderança consolidada, disputa acirrada pelo segundo lugar e um eleitorado ainda longe de definir seu voto

A divulgação de três pesquisas de intenção de voto em menos de um dia colocou novos números sobre a disputa pelo Governo de Mato Grosso, mas também evidenciou movimentos que vão além dos percentuais apresentados por cada instituto.

Mesmo com diferenças metodológicas e variações nos índices, os levantamentos convergem em aspectos importantes e ajudam a compreender o cenário político às vésperas das convenções partidárias, quando candidaturas, alianças e chapas serão oficialmente definidas.

Mais do que apontar quem aparece na frente, as pesquisas revelam que a sucessão estadual ainda está em construção e que decisões políticas dos próximos dias poderão alterar significativamente o quadro eleitoral.

Wellington mantém vantagem na disputa

O primeiro ponto em comum entre os levantamentos é a posição ocupada pelo senador Wellington Fagundes (PL), que aparece como principal nome da corrida estadual.

Na pesquisa da MT Dados, Wellington registra 24,3% das intenções de voto, percentual que o deixa tecnicamente empatado com o governador Otaviano Pivetta (Republicanos), que soma 25,2%.

Já na Percent, o senador lidera com 28%, enquanto no Instituto Mais alcança 33% da preferência do eleitorado.

Embora os números variem conforme a metodologia utilizada por cada instituto, a liderança de Wellington se repete em todos os cenários analisados, reforçando sua condição de favorito neste momento da pré-campanha.

Pivetta reduz distância e fortalece candidatura

Outro movimento identificado pelas pesquisas é o avanço de Otaviano Pivetta.

Na comparação feita pela MT Dados entre maio e julho, o governador foi o pré-candidato que mais cresceu. No cenário estimulado, saltou de 20% para 26%, avanço de seis pontos percentuais.

No levantamento espontâneo, também apresentou evolução, passando de 7% para 11%.

Embora Percent e Instituto Mais apresentem percentuais diferentes, ambos colocam Pivetta no bloco dos principais concorrentes, em disputa direta pela segunda posição com o senador Jayme Campos (União Brasil).

O desempenho coincide com o período de maior articulação política do grupo governista e com a aproximação das convenções partidárias.

Jayme segue competitivo apesar das incertezas

Mesmo diante das discussões internas do União Brasil sobre a estratégia para a eleição estadual, Jayme Campos permanece competitivo nas pesquisas.

Na Percent, o senador aparece com 20% das intenções de voto e divide, dentro da margem de erro, a segunda colocação com Pivetta.

Na MT Dados registra 14,3%, enquanto no Instituto Mais alcança 19%.

Os números indicam que, mesmo sem definição oficial sobre sua candidatura, Jayme mantém uma base eleitoral consistente e continua sendo um dos protagonistas da disputa.

Indecisos ainda representam parcela expressiva

Outro dado que chama atenção é o elevado número de eleitores que ainda não escolheram um candidato.

Na pesquisa espontânea da MT Dados, 53% dos entrevistados afirmaram não saber em quem votar. Apesar da redução em relação ao levantamento anterior, o índice ainda representa mais da metade do eleitorado.

No Instituto Mais, o percentual de indecisos chega a 39,6% na modalidade espontânea.

Os dados mostram que uma parcela significativa dos votos ainda está em aberto e tende a ser disputada durante o período oficial da campanha.

Convenções podem mudar o cenário

Apesar das tendências identificadas, o principal fator capaz de alterar a disputa ainda está por acontecer.

As convenções partidárias definirão oficialmente as candidaturas, alianças e os nomes que irão compor as chapas como candidatos a vice-governador.

Um dos principais focos está no União Brasil. A legenda precisa decidir se confirma a candidatura de Jayme Campos ao Governo ou se opta por apoiar Otaviano Pivetta.

Essa definição pode provocar mudanças importantes na distribuição dos votos.

A própria pesquisa MT Dados simulou um cenário sem Jayme Campos e mostrou Wellington Fagundes numericamente à frente de Pivetta, evidenciando o peso que a permanência ou retirada do senador pode exercer sobre a disputa.

Também permanece indefinida a posição do MDB, liderado politicamente pela deputada estadual Janaina Riva. A decisão da legenda sobre qual candidatura apoiará poderá influenciar tanto a eleição ao Governo quanto a composição da disputa ao Senado.

Outro nome observado é o da médica Natasha Slhessarenko (PSD). Embora apareça na quarta colocação, ela mantém um eleitorado relativamente estável e apresenta crescimento em alguns cenários, especialmente na comparação da pesquisa MT Dados com o levantamento anterior.

Além disso, a escolha dos candidatos a vice-governador também será estratégica. Mais do que completar as chapas, esses nomes podem ampliar alianças, fortalecer bases regionais e aumentar o tempo de propaganda eleitoral.

Cenário ainda está longe de ser definitivo

Os três levantamentos divulgados nesta semana indicam tendências semelhantes, mas não apontam um quadro consolidado para a eleição.

As pesquisas retratam o momento vivido pela disputa, enquanto as convenções partidárias poderão inaugurar uma nova fase da campanha.

Com candidaturas oficializadas, alianças definidas e o início da propaganda eleitoral, a expectativa é que parte do eleitorado hoje indeciso comece a consolidar sua escolha, tornando a corrida pelo Palácio Paiaguás mais previsível nas próximas semanas.


Por que os números das pesquisas são diferentes?

As diferenças entre os resultados apresentados pelos institutos decorrem, principalmente, de fatores técnicos e do período em que cada levantamento foi realizado.

A pesquisa da MT Dados ouviu eleitores entre os dias 15 e 21 de julho. O Instituto Mais realizou entrevistas entre 21 e 26 de julho, enquanto a Percent coletou os dados entre 23 e 27 de julho.

Nesse intervalo, houve intensificação das articulações políticas, novas declarações de lideranças e avanço das negociações partidárias, fatores capazes de influenciar a percepção do eleitor.

Outro aspecto está na metodologia.

A MT Dados utilizou um modelo híbrido, combinando entrevistas presenciais com recrutamento aleatório pela internet. Já Percent e Instituto Mais optaram exclusivamente por entrevistas presenciais.

Também há diferenças no tamanho da amostra.

A MT Dados entrevistou 2.800 eleitores em Mato Grosso, enquanto Percent e Instituto Mais ouviram 1.200 pessoas cada.

As margens de erro também variam. A MT Dados trabalha com três pontos percentuais para mais ou para menos. A Percent utiliza margem de 2,83 pontos e o Instituto Mais, de 2,8 pontos.

Por isso, candidatos com percentuais próximos podem aparecer tecnicamente empatados, mesmo quando um deles apresenta vantagem numérica.

Além disso, cada instituto pode testar cenários distintos, avaliar voto espontâneo e estimulado, medir rejeição e até simular diferentes composições de candidaturas.

Por essa razão, especialistas costumam comparar pesquisas eleitorais a fotografias: cada levantamento registra o cenário existente no momento em que os dados foram coletados.

Quando analisadas em conjunto, porém, as três pesquisas revelam convergências importantes: Wellington Fagundes lidera a disputa, Otaviano Pivetta e Jayme Campos travam uma disputa pela segunda colocação e as convenções partidárias ainda têm potencial para modificar significativamente o cenário antes do início oficial da campanha.

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