Deputado federal do PL-MT faz balanço da passagem pelo Congresso, critica decisões do Supremo e coloca agronegócio, infraestrutura e prerrogativas parlamentares no centro do discurso para 2026
O deputado federal Zé Medeiros (PL-MT) confirmou que pretende disputar novamente uma vaga no Senado Federal nas eleições de 2026. Em entrevista ao Momento MT, o parlamentar falou sobre a atuação nos quase 12 anos de Congresso, relembrou a passagem pelo Senado, citou projetos que afirma terem se transformado em leis e expôs uma posição de forte oposição a decisões e integrantes do Supremo Tribunal Federal (STF).
A candidatura ao Senado aparece, na entrevista, diretamente associada à avaliação que Medeiros faz da atual relação entre Congresso e Judiciário. Para o deputado, o Senado teria condições de exercer um papel diferente daquele que, segundo ele, vem sendo desempenhado pela Câmara dos Deputados.
Ao comparar as duas Casas, Medeiros recorreu a uma metáfora para explicar a diferença que percebe entre os ambientes políticos.
“A Câmara é como se fosse um baile funk, o Senado uma orquestra sinfônica”, afirmou.
Segundo ele, a Câmara tem um ambiente mais intenso e conflituoso, enquanto o Senado seria formado, em maior proporção, por políticos com trajetória anterior em cargos eletivos de maior projeção.
Medeiros também aproveitou a entrevista para fazer um balanço da destinação de emendas parlamentares para Mato Grosso. Ele afirmou que procura contemplar os municípios do Estado por meio de um sistema de rodízio e disse que a saúde é uma das principais áreas beneficiadas.
“Eu faço uma espécie de rodízio e acabo encaminhando para todos os municípios”, declarou.
Entre os exemplos apresentados pelo deputado está o apoio à estruturação de um hospital em Barra do Bugres. Segundo Medeiros, o governo estadual teria ficado responsável pela construção da unidade, enquanto os recursos destinados por ele foram utilizados para a aquisição de equipamentos.
“São 30 milhões em equipamentos, todos muito modernos”, afirmou.
Ele também citou Araputanga, onde, segundo seu relato, a prefeitura pretendia adquirir um hospital que corria o risco de fechar. Medeiros disse ter destinado R$ 3 milhões para viabilizar a compra.
Outro exemplo apresentado foi a Santa Casa de Rondonópolis. De acordo com o deputado, a instituição atende pacientes de uma ampla região e recebeu recursos destinados à aquisição de equipamentos de alta complexidade.
“Eu já encaminhei 75 milhões que atende aqueles 20 municípios da região”, disse.
Além da saúde, Medeiros afirmou ter destinado recursos para infraestrutura e esporte. Também relatou uma ação de prevenção às drogas realizada em parceria com a dupla Nico e Lau, com apresentações em escolas e bairros.
“Quase uma centena de escolas levando a mensagem de combate às drogas com muito humor”, afirmou.
Ao avaliar sua produção legislativa, Medeiros disse que esteve entre os parlamentares mais produtivos durante sua passagem pelo Senado e afirmou que mantém uma atuação semelhante na Câmara.
“Eu tenho em torno de dez proposições que se tornaram leis”, declarou.
Entre as propostas citadas está uma legislação relacionada ao uso de faróis durante o dia nas rodovias. Medeiros relacionou a iniciativa à experiência como policial rodoviário federal e às situações de acidentes que presenciou ao longo da carreira.
“Eu trabalhei nessa 163 e não era duplicada. Eu atendi muitos acidentes com colisão frontal”, relatou.
Segundo o parlamentar, a discussão sobre visibilidade dos veículos surgiu a partir de uma conversa com uma psicóloga de trânsito. A partir daí, ele afirmou ter assumido o compromisso de levar a proposta ao Senado e buscar sua aprovação.
“Eu fiquei encantado com aquilo. Falei, poxa, precisa mudar isso”, contou.
Medeiros também mencionou uma proposta voltada a mulheres que amamentam e participam de concursos públicos. Segundo ele, a medida permite que as candidatas tenham tempo para amamentar sem prejuízo do período destinado à realização da prova.
Ao responder sobre o episódio que considera sua maior atuação no Congresso, Medeiros apontou sua participação no processo de impeachment da então presidente Dilma Rousseff. Ele afirmou ter sido um dos primeiros senadores a defender publicamente o afastamento da presidente e destacou sua participação na comissão responsável pelo processo.
A maior frustração, segundo ele, estaria relacionada ao episódio envolvendo o ex-deputado Daniel Silveira e sua prisão.
Medeiros afirmou que o caso representou, na sua avaliação, um enfraquecimento das prerrogativas parlamentares e voltou a defender uma interpretação ampla da imunidade prevista na Constituição.
“O Congresso, numa atividade política, num ranço político, rasgou o artigo 53 da Constituição”, afirmou.
O deputado argumentou que a imunidade parlamentar não existe para proteger individualmente o político, mas para garantir que o representante eleito possa se manifestar em nome de seus eleitores.
“Isso não é um privilégio do deputado. Isso é uma forma de garantir que não calar a voz daqueles eleitores que ele representa”, disse.
A crítica ao STF foi ampliada ao longo da entrevista. Medeiros afirmou que pretende disputar o Senado justamente para atuar nesse debate institucional e defendeu uma Corte forte, mas submetida aos limites constitucionais.
“Eu quero um STF forte. Eu quero um STF que respeite a Constituição Federal”, declarou.
O deputado também afirmou ter apresentado pedidos relacionados à atuação do ministro Alexandre de Moraes e disse que teria sofrido consequências políticas após essas iniciativas. A afirmação foi apresentada por ele durante a entrevista e integra sua interpretação sobre os episódios.
Medeiros também criticou o que considera interferências do Judiciário em assuntos eleitorais e defendeu maior protagonismo do Senado na fiscalização dos demais Poderes.
Para sustentar a escolha pelo Senado, o parlamentar afirmou que uma candidatura à Câmara poderia ser eleitoralmente mais segura, mas questionou qual seria a utilidade de permanecer na Casa diante do cenário que descreve como uma perda de capacidade de reação do Legislativo.
“Poderia estar eleito, mas pra fazer o quê? O Congresso tá fechado”, afirmou.
A partir dessa avaliação, Medeiros relacionou sua candidatura a uma agenda que inclui o marco temporal, a infraestrutura, a Ferrogrão e a redução de entraves ambientais para atividades produtivas.
O agronegócio apareceu como outro eixo importante do discurso. O deputado criticou exigências de licenciamento ambiental e afirmou que produtores enfrentam dificuldades até mesmo para realizar intervenções em áreas de pastagem.
“Eu tenho um projeto, por exemplo, Zico, que autoriza que o pecuarista roce o seu pasto sem ter que dar bom dia, sem ter que pedir permissão pra SEMA, pra IBAMA, pra ICMBio, pra ninguém”, disse.
Medeiros também fez críticas ao ICMBio e defendeu a extinção do órgão. Durante a entrevista, acusou a instituição de atuar de maneira ideológica contra produtores rurais.
As afirmações sobre órgãos ambientais foram feitas pelo próprio deputado e refletem sua posição política sobre o modelo de fiscalização e licenciamento. Não representam uma conclusão ou posicionamento institucional do Momento MT.
Na área de infraestrutura, Medeiros defendeu a aceleração de obras e criticou o que considera excesso de burocracia para a abertura e pavimentação de estradas.
“Destravamento desse Estado” foi uma das expressões utilizadas pelo parlamentar para definir a agenda que pretende defender caso retorne ao Senado.
A estratégia eleitoral também foi explicitamente vinculada ao bolsonarismo. Medeiros declarou apoio à candidatura de Flávio Bolsonaro à Presidência da República e afirmou acreditar em uma votação expressiva para o candidato em Mato Grosso.
Durante a entrevista, o deputado também criticou políticos que, segundo ele, tentam manter posições simultaneamente próximas da direita e da esquerda. Foi nesse contexto que utilizou a expressão “candidato melancia”.
“É o candidato que é Bolsonaro por fora e Lula por dentro”, afirmou.
Ao falar sobre sua própria trajetória, Medeiros adotou um tom mais pessoal. Nascido no Rio Grande do Norte, contou que chegou a Mato Grosso ainda criança e atribuiu ao Estado as oportunidades que teve para estudar, trabalhar e construir sua carreira política.
“Eu recebi oportunidades”, afirmou. “Aqui eu pude estudar, pude criar meus filhos e cheguei a ser senador.”
O parlamentar também relembrou a trajetória do pai, que migrou do Nordeste para Mato Grosso durante um período de dificuldades econômicas. Segundo Medeiros, a decisão foi motivada pela busca de melhores condições de vida para a família.
A experiência pessoal foi utilizada pelo deputado para defender a imagem de Mato Grosso como um Estado de oportunidades e reforçar seu discurso em favor do desenvolvimento econômico.
Ao projetar um eventual novo mandato no Senado, Medeiros afirmou que pretende concentrar sua atuação na defesa das pautas que considera estratégicas para Mato Grosso e no enfrentamento das questões institucionais que, segundo sua avaliação, limitaram a atuação do Congresso.
“Então, o Mato Grossense pode esperar”, afirmou. “Trabalho, muita garra e, acima de tudo, o novo 7 de setembro para o Mato Grosso e para o Brasil.”































