Com os microfones abertos durante a sessão, deputados estaduais foram flagrados comentando a atuação do sindicalista Rosenwal Rodrigues na votação do veto ao reajuste salarial de 6,8% dos servidores do Poder Judiciário de Mato Grosso. A conversa ocorreu durante a sessão em que a Assembleia Legislativa decidiu manter o veto do governo e arquivar a proposta.
Em um dos trechos captados, um parlamentar comenta que Rosenwal teria divulgado em grupos de mensagens informações sobre quais deputados haviam participado ou não da votação.
“Rapaz, na véspera o Rosenwal soltou nos grupos. Ele quebrou o sigilo, acho, da votação secreta. O Rosenwal, ele soltou nos grupos lá quem não tinha votado”, afirmou. Logo depois, o microfone foi desligado.
A declaração faz referência à disputa em torno do reajuste de 6,8% para os servidores do Judiciário, que vinha sendo discutido há meses e também foi parar na Justiça.
A votação ocorreu de forma aberta após o Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT) considerar inconstitucional o voto secreto em vetos do Poder Executivo. Na sessão, a maioria dos deputados decidiu manter o veto do governo do Estado, por 12 votos a 6. Outros seis parlamentares estavam ausentes.
Com a decisão, o reajuste de 6,8% não será concedido aos servidores do Judiciário.
Entre os deputados que não conseguiram a reeleição e participaram da votação, Elizeu Nascimento (Novo), Juca do Guaraná (Republicanos) e Eduardo Botelho (MDB) votaram pela manutenção do veto. Após a votação, Wilson Santos (PSD) chegou à Assembleia e pediu para registrar voto contrário ao veto. Nininho (Republicanos) também apareceu posteriormente, mas não mencionou a matéria.
Entenda o caso
A proposta de reajuste de 6,8% foi alvo de uma longa disputa entre servidores, entidades sindicais, Assembleia Legislativa e o governo do Estado.
Na justificativa para manter o veto, o então governador Mauro Mendes alegou que o reajuste seria inconstitucional por criar despesa permanente sem estimativa de impacto financeiro atualizada e sem indicar a fonte de recursos para bancar o aumento.
O governo também argumentou que o Tribunal de Justiça já comprometia 88,41% da receita com despesas de pessoal, percentual acima do limite de alerta. Com o reajuste, esse comprometimento poderia se aproximar do teto de 95%, considerado crítico para a situação fiscal do Estado.
A proposta acabou derrotada na Assembleia, encerrando a disputa pelo reajuste de 6,8% para os servidores do Judiciário.





























