PALANQUE SOBRE O SOFRIMENTO
Após a prefeitura realizar intervenção na instituição particular, dando suporte integral aos acolhidos, a vereadora passou a gravar videos de entrevista com familiares, ao lado dos idosos e questionando a atuação da gestão no caso.
Cerca de 40 idosos viviam no abandono. Feridas abertas, mau cheiro, ambiente insalubre. Um deles precisou ser removido pelo SAMU. A realidade encontrada no antigo Sossego Lar dos Idosos chocou até as equipes que entraram no local. E essa realidade não nasceu na semana passada.
As irregularidades eram antigas. A Vigilância Sanitária do Município já havia flagrado uma série de inconformidades em fiscalizações anteriores, que resultaram até em termo de ajustamento de conduta. As determinações não foram cumpridas. O Ministério Público ajuizou ação civil pública. A Justiça determinou o afastamento do administrador e entregou a gestão temporária ao Município. E a Prefeitura agiu: montou força-tarefa multidisciplinar, com médico, enfermeiros, Vigilância Sanitária, assistente social e Procuradoria, e assumiu o cuidado dos acolhidos.
Foi nesse exato momento depois da denúncia, depois da decisão judicial, depois da intervenção que a vereadora Luciana Horta descobriu o problema.
Antes disso, silêncio.
E aqui mora a contradição que merece ser dita com todas as letras. A vereadora é da área da saúde. É justamente o perfil que se esperaria à frente de uma fiscalização sobre um lar de idosos em condições degradantes. Mas, durante todo o período em que a instituição acumulava irregularidades, não houve denúncia, não houve fiscalização, não houve uma única manifestação pública em defesa daqueles idosos. A indignação não veio quando os idosos sofriam. Veio quando o assunto virou pauta.
Não se trata de negar a ninguém o direito de fiscalizar. Fiscalizar é dever de todo vereador, e quanto mais olhos sobre o cuidado com os idosos, melhor.
A questão é que quem se cala enquanto há omissão e só fala quando há holofote não está fiscalizando: está aproveitando.
A pergunta que fica é simples. Onde estava essa preocupação quando ela poderia ter evitado o pior?
































