O Cacique Raoni Metuktire, de 94 anos, enfrenta um câncer no aparelho digestório e permanece em casa, em Peixoto de Azevedo (691 km ao norte de Cuiabá), recebendo cuidados paliativos. Uma das mais conhecidas lideranças indígenas do país, Raoni é acompanhado de perto por familiares e equipes de saúde.
O diagnóstico foi confirmado após uma série de complicações enfrentadas pelo Cacique ao longo deste ano. Em junho, ele apresentou fortes dores abdominais, vômitos e uma obstrução intestinal provocada pelo tumor.
Raoni foi internado inicialmente em Peixoto de Azevedo e depois transferido para Sinop. Exames identificaram uma lesão na região do duodeno, que impedia a passagem dos alimentos. A alteração foi confirmada por endoscopia.
Por causa das condições clínicas e do risco de sangramento, os médicos não realizaram a biópsia naquele momento. Raoni também apresentou desidratação, alterações renais, infecção e pneumonia aspirativa.
Cirurgia em São Paulo
Diante da gravidade, a equipe médica decidiu pela transferência do Cacique para São Paulo. No dia 19 de junho, ele deixou Sinop em uma aeronave disponibilizada pelo Governo de Mato Grosso e foi levado ao Hospital São Paulo, onde passou a ser acompanhado por especialistas da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).
No dia seguinte, Raoni foi submetido a uma cirurgia para criar uma nova passagem no sistema digestivo e permitir a alimentação, desviando da região bloqueada pelo tumor.
O procedimento não tinha como objetivo retirar o câncer, mas aliviar a obstrução e proporcionar melhores condições de alimentação e conforto.
O exame realizado posteriormente confirmou um adenocarcinoma pouco diferenciado, considerado um tipo agressivo de câncer.
Tratamento passa a ser paliativo
Diante da extensão da doença, da idade de Raoni e de outros problemas de saúde, os médicos avaliaram que uma cirurgia de grande porte ou tratamentos oncológicos poderiam representar riscos elevados.
Com isso, a prioridade passou a ser o tratamento paliativo, voltado ao controle dos sintomas, alívio de dores e desconfortos e preservação da qualidade de vida.
Raoni já possui outras condições de saúde, como doença pulmonar obstrutiva crônica, hipertensão, insuficiência cardíaca e bloqueio atrioventricular, além de utilizar marcapasso.
Retorno para Mato Grosso
Após receber alta do Hospital São Paulo, em 14 de julho, Raoni retornou para Peixoto de Azevedo no dia seguinte, em uma aeronave disponibilizada pelo Ministério dos Povos Indígenas.
Desde então, uma estrutura de atendimento foi montada em sua residência. O Cacique conta com quatro técnicos de enfermagem, fisioterapeuta, nutricionista e acompanhamento da equipe da Casa de Saúde Indígena (Casai) de Peixoto de Azevedo.
A equipe da Unifesp também mantém o acompanhamento por telessaúde, enquanto profissionais de saúde de Peixoto de Azevedo e Sinop acompanham a evolução do quadro.
Nova internação
No fim de julho, Raoni voltou a ser internado após sofrer uma hemorragia digestiva alta. O sangramento provocou uma queda importante no hematócrito e exigiu tratamento com medicamentos, medidas clínicas e transfusões de sangue.
Após mais de 72 horas sem novos sinais de sangramento, o quadro foi considerado estável e ele pôde continuar recebendo os cuidados necessários.
Além da assistência médica, Raoni também recebe acompanhamento espiritual de pajés de sua confiança, mantendo as tradições e práticas de seu povo durante o tratamento.
Atualmente, o Cacique permanece em sua residência, em Peixoto de Azevedo, cercado pela família.
A assistência tem como foco o conforto, o controle dos sintomas e a qualidade de vida, respeitando também os vínculos familiares, culturais e espirituais de uma das principais lideranças indígenas do Brasil.





























