
No coração do Xingu, em uma região repleta de mistérios e beleza selvagem, uma equipe de cinema de Mato Grosso embarcou em uma expedição em busca do “Mel da Floresta-Xingu”.
O objetivo era produzir um documentário que mostrasse a produção de mel dos indígenas com um método revolucionário desenvolvido pela apicultora Clarice Saueressig, e neste processo, capturasse também alguns aspectos da vida e da cultura da etnia Ikpeng, mergulhando em suas tradições e revelando a incrível harmonia entre o povo e a natureza.

A jornada começou em Cuiabá, seguiu para Lucas do Rio Verde, Sinop e culminou com uma longa viagem de oito horas de barco sob o sol escaldante através dos rios Von den Steinen, Ronuru e Xingu, até chegar à remota aldeia Arayó, lar dos Ikpeng. A equipe, liderada por Jorge Sepulveda, proponente do projeto contemplado pela Secel-MT, estava repleta de expectativas e preocupações logísticas.

Ao chegar à aldeia, foram surpreendidos por uma recepção calorosa. O cacique Korotowï Yakuná Ikpeng, com quem Jorge Sepulveda havia previamente estabelecido contato, recebeu-os de braços abertos.
“Eu estava esperando que viria apenas uma pequena equipe de reportagem, como já aconteceu antes, mas foi a primeira vez que vimos uma equipe de cinema realmente aqui na aldeia, ficamos muito felizes com o que pudemos ver desse trabalho”, afirmou o cacique Korotowï.
A irmã do cacique, Ayaneku Ikpeng, foi especialmente generosa, oferecendo sua oca para que a equipe pudesse se hospedar, e foi onde os membros da expedição armaram suas redes e se organizaram para a estadia.

Ayaneku não só abriu as portas de sua casa, mas também compartilhou seu conhecimento e perspectivas sobre a cultura Ikpeng. Durante a estadia na aldeia, Camila Galvão, roteirista e responsável pela comunicação, teve a oportunidade de entrevistar e conhecer de perto as mulheres e as crianças, testemunhando suas atividades cotidianas e participando de momentos significativos.
“Nós fizemos diversas reuniões, alinhamos o roteiro, as diárias, a equipe que nos acompanharia, e eu e o Jorge ficamos muito preocupados em dar uma estrutura para que a equipe pudesse se alimentar e viajar de forma segura. Minha tranquilidade veio da própria equipe, que demonstrou um profissionalismo diferenciado e muito domínio dos desafios que a viagem proporcionava. A experiência foi edificante em diversos sentidos, profissional, cultural, social e de muito aprendizado, somos muito gratos aos Ikpeng pela recepção calorosa e grande amizade que desenvolvemos”, afirmou Galvão.

Quando se trata de um documentário, cada membro da equipe desempenha um papel fundamental na criação de uma narrativa visual envolvente, mesmo assim, por limitações logísticas, a equipe precisava ser reduzida e a estrutura o mais portátil possível. Com Leonardo Sant’Ana como diretor geral, Kelven Queiroz como diretor de fotografia, Giulia Costa como diretora de produção, Ricarte Cardoso de Oliveira, como técnico de som direto, André Santos Lana, maquinista e assistente, Eder Zortea Mariano, como eletricista e Vinicio Ferreira como operador de drone e foto still, a equipe do documentário “Mel da Floresta-Xingu” estava completa e pronta para capturar a essência da cultura Ikpeng.
Giulia Costa, como diretora de produção, foi responsável por garantir que todos os aspectos logísticos estivessem em ordem. Desde o planejamento das filmagens até a coordenação das necessidades da equipe e das interações com a comunidade Ikpeng, Giulia desempenhou um papel crucial na viabilização dessa expedição cinematográfica. Sua dedicação e organização permitiram que a equipe se concentrasse totalmente na criação do documentário.

Leonardo Sant’Ana, na função de diretor geral, desafiou-se a trazer uma abordagem única para o documentário. Com sua visão criativa, ele estava determinado a contar a história dos Ikpeng de maneira autêntica e respeitosa. Sua experiência em direção proporcionou uma orientação sólida para a equipe e foi fundamental para a concepção do projeto.
Kelven Queiroz, como diretor de fotografia, trouxe sua expertise em capturar imagens cinematográficas de tirar o fôlego. Ele estava comprometido em utilizar a luz e a composição visual para transmitir a beleza da natureza exuberante do Xingu e a vida cotidiana dos Ikpeng. Sua habilidade em criar uma atmosfera visual cativante certamente contribuirá para a imersão do público no mundo dos Ikpeng.

Juntos, Leonardo, Kelven, Giulia e toda a equipe do documentário “Mel da Floresta-Xingu” embarcaram em uma jornada de descoberta e aprendizado na aldeia Arayó da etnia Ikpeng. Com suas habilidades e paixão pelo cinema, eles estão comprometidos em criar um registro audiovisual autêntico e emocionante da cultura Ikpeng.
Em entrevista ao Portal Momento MT, o diretor geral do documentário, Leonardo Sant’ana, compartilhou suas reflexões sobre a experiência de dirigir o filme no Xingu. Ele expressou sua admiração pela força ancestral presente na região e destacou a peculiaridade da comunidade, que mantém um contato equilibrado com o mundo exterior, evitando conflitos culturais. Ao mesmo tempo, ressaltou que o isolamento do povo indígena evidencia suas tradições milenares, o que tornou a oportunidade de vivenciar sua cultura ainda mais fascinante.
Questionado sobre a abordagem adotada na direção do documentário, Sant’ana mencionou o desafio de capturar as cenas de forma não intrusiva, evitando interferências desnecessárias. Ele reconheceu a necessidade de planejamento, mesmo diante da impossibilidade de controlar completamente os acontecimentos. O diretor explicou que sua equipe teve que se adaptar a um formato mais portátil de equipamentos, levando em consideração as limitações da região. Além disso, destacou a importância de selecionar uma equipe reduzida, porém versátil, para lidar com os diversos aspectos da produção.

Ao abordar a questão da linguagem, Sant’ana mencionou o idioma local falado pelos indígenas e como ele se tornou um elemento marcante nas filmagens. A pós-produção terá agora que tomar decisões sobre possíveis traduções ou em que momentos o idioma nativo será ouvido no filme. Ainda em processo de definição, o diretor considerou a possibilidade de utilizar legendas e trazer a língua Karib presente nas gravações para a trilha sonora, especialmente nas partes que envolvem o mito de origem.
No que diz respeito à logística e às condições de convivência, Sant’ana enfatizou a experiência e a adaptabilidade de sua equipe. Lidar com acomodações nas ocas, improvisos e as viagens de barco, apesar de desafiador, não foi um problema, pois contaram com profissionais experientes. O diretor relatou que as noites mais frias trouxeram um certo desconforto, mas a presença de estruturas como banheiro, chuveiro, gerador de energia e internet wi-fi facilitou a estadia e tranquilizou as pessoas que aguardavam notícias sobre a expedição. Isso permitiu que a equipe compartilhasse atualizações com suas famílias e transmitisse a mensagem de que estavam seguros e imersos na cultura Ikpeng.

A comunicação entre a equipe e os Ikpeng foi cuidadosamente intermediada pela professora Clarice Saueressig, que já é considerada entre eles como um membro da aldeia, e por Jorge Sepulveda, proponente do projeto. O interesse mútuo em aprender e compartilhar experiênc
ias permitiu que as barreiras linguísticas fossem superadas. A equipe chegou a aprender cumprimentos básicos, os números e algumas palavras da língua melodiosa dos Ikpeng.
O documentário “Mel da Floresta-Xingu” promete explorar a riqueza cultural, a sabedoria ancestral e o estilo de vida harmonioso dos Ikpeng. A história está apenas começando, e a equipe está ansiosa para continuar descobrindo os segredos desse povo fascinante e preservar sua história para as futuras gerações.

Fiquem atentos para mais atualizações sobre essa emocionante expedição no Xingu que culminará no documentário ‘Mel da Floresta-Xingu’, contemplado pelo edital audiovisual de fomento da Secel-MT.
Nota do editor: Este é o primeiro artigo de uma série que acompanhará a produção do documentário “Mel da Floresta-Xingu” e a imersão na cultura Ikpeng. Acompanhe nossas próximas matérias para mergulhar ainda mais nessa incrível jornada.





























