Senadora de Mato Grosso critica declarações de Paulo Figueiredo sobre o eleitorado feminino; primeira-dama afirma que desqualificar mulheres na política é atacar a democracia
As declarações do comentarista político Paulo Figueiredo, que afirmou durante uma transmissão que “mulher vota muito mal”, provocaram forte repercussão nas redes sociais e motivaram manifestações em defesa da participação feminina na política.
Entre elas, destacam-se o posicionamento da senadora mato-grossense Margareth Buzetti e o apoio público da primeira-dama de Mato Grosso, Virginia Mendes, que classificaram o ataque ao voto das mulheres como incompatível com os princípios democráticos.
Paulo Figueiredo é conhecido por ser neto do general João Baptista Figueiredo, último presidente do regime militar brasileiro, que governou o país entre 1979 e 1985 durante a fase final da ditadura militar.
Atualmente residente nos Estados Unidos, ele é considerado foragido da Justiça brasileira após ter sua prisão decretada pelo Supremo Tribunal Federal no âmbito das investigações relacionadas à tentativa de golpe de Estado.
A repercussão das declarações rapidamente ultrapassou o ambiente das redes sociais e mobilizou parlamentares, lideranças políticas e movimentos ligados à defesa dos direitos das mulheres.
“Atacar mulheres não é coragem”
Em vídeo publicado em suas redes sociais, Margareth Buzetti afirmou que o problema ultrapassa divergências partidárias e representa um ataque ao direito das mulheres de participarem da democracia em igualdade de condições.
Durante a manifestação, a senadora destacou que o respeito às mulheres deve existir independentemente de posicionamentos políticos e citou nominalmente a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro argumentando que esta era a forma indireta de atacá-la, defendendo que nenhuma mulher deve ser desrespeitada por ocupar espaço na política.
A parlamentar argumentou que mulheres de diferentes correntes ideológicas enfrentam violência política e que críticas devem ser dirigidas às ideias e propostas, nunca ao fato de serem mulheres.
Virginia Mendes reforça defesa da participação feminina
O pronunciamento recebeu apoio imediato da primeira-dama de Mato Grosso, Virginia Mendes, que compartilhou o vídeo da senadora em seu perfil oficial no Instagram.
Na publicação, Virginia escreveu que concorda “plenamente” com cada palavra de Margareth Buzetti.
“Ela foi cirúrgica ao dizer que atacar mulheres nunca foi sinal de coragem, muito menos de inteligência. Quem tenta desqualificar a participação feminina na política não combate ideias, combate pessoas. E isso não é democracia.”
A primeira-dama também destacou que o direito das mulheres à participação política é resultado de conquistas históricas.
“Respeitar a democracia é também respeitar o direito das mulheres de participar dela em igualdade de condições. Mulher na política não é moda, não é concessão. É direito. É força. É representatividade.”
Virginia encerrou a mensagem afirmando que continuará ao lado de mulheres que ocupam espaços públicos e não se intimidam diante de ataques ou ofensas.
Nos comentários da publicação, Margareth respondeu:
“Obrigado amiga, eu aprendi desde muito pequena que valores e princípios não se negociam; a gente respeita, não idolatra ninguém.”
A manifestação das duas lideranças ocorre em um momento em que Mato Grosso vem ampliando o debate sobre violência política de gênero e fortalecimento da participação feminina nos espaços de decisão.
Como senadora, Margareth Buzetti tem atuado em pautas relacionadas à proteção das mulheres, especialmente no enfrentamento ao feminicídio e ao aperfeiçoamento da legislação voltada às vítimas de violência.
Já Virginia Mendes transformou a defesa das mulheres em uma das principais bandeiras de sua atuação institucional, apoiando campanhas de conscientização, políticas públicas de proteção e iniciativas de acolhimento a vítimas de violência doméstica.
Apesar dos avanços, especialistas apontam que as mulheres continuam sub-representadas nos cargos eletivos brasileiros, embora sejam maioria do eleitorado nacional.
Ataques direcionados ao voto feminino ou à participação das mulheres na política são frequentemente apontados como fatores que dificultam a ampliação dessa representatividade.
Ao mencionar Michelle Bolsonaro em sua manifestação, Margareth Buzetti procurou enfatizar que o respeito às mulheres deve prevalecer acima das disputas partidárias.
A mensagem da senadora e o apoio de Virginia Mendes convergem na defesa de que a participação feminina na política constitui um direito assegurado pela democracia e que críticas políticas devem se concentrar em ideias e propostas, sem recorrer à desqualificação das mulheres por sua condição de gênero.
































