
O avanço tecnológico tem desempenhado um papel fundamental na agricultura moderna, trazendo inovações que otimizam os processos e melhoram a eficiência produtiva. Nesse sentido, o uso de drones tem se destacado como uma ferramenta de monitoramento de grande potencial para a agricultura, especialmente em regiões de grande extensão territorial, como é o caso de Mato Grosso.
Em entrevista dada com exclusividade ao portal Momento MT, Leonardo Tomasi Debona, coordenador técnico na Guimarães Agrícola, representante da GeoAgri DJI Agriculture, a principal fabricante de drones de pulverização do mundo, conta um pouco da sua perspectiva do uso da tecnologia no estado de MT.
Seu trabalho é cuidar de toda parte técnica dos drones, com demonstrações, apresentações, entrega técnica, treinamento e formação de piloto, dúvidas no pós venda e manutenção. Ele acredita que aproximadamente mais de 200 drones estão em uso de MT, e estima que este número irá dobrar na próxima safra.
“Trabalho com drones há praticamente mais de três anos. Comecei como piloto no Rio Grande do Sul e vim para Mato Grosso há um ano e alguns meses para trabalhar com isso, especialmente com drones de pulverização. A iniciativa surgiu do meu amor pela tecnologia e da minha experiência na agricultura. Sempre fui apaixonado por tecnologia desde jovem e cresci trabalhando na lavoura com meu pai. Foi uma visão que tive de aliar a tecnologia com a agricultura, e hoje vemos a constante evolução dessa combinação, que se tornou uma realidade inevitável”, afirmou Debona.
Os drones possibilitam o monitoramento ágil e preciso de áreas extensas, fornecendo informações valiosas para auxiliar no manejo das lavouras e pastagens. Diversos estudos ao redor do globo destacam a eficácia do uso de drones no monitoramento da cobertura e altura das pastagens.
Ao questionarmos como tem sido recebido o uso de drones na agricultura de Mato Grosso, Leonardo responde: “Estamos tendo uma boa aceitação no mercado, muito melhor do que o esperado. Apesar de ser uma tecnologia recente, o produtor tem em mente que, mais cedo ou mais tarde, fará essa transição”.
Quanto ao futuro da agricultura em Mato Grosso com o uso dessa tecnologia, Leonardo compartilha sua perspectiva: “É uma tecnologia que deu certo e que funciona. Agora, precisamos adaptá-la às nossas vastas áreas em Mato Grosso e capacitar profissionais para trabalhar com isso. É importante ter instrução, operadores qualificados e profissionais de manutenção e assistência. Quanto mais pessoas estiverem familiarizadas com o assunto, melhor e mais fácil será trabalhar com drones. Dependerá de todos esses aspectos e também da contínua aceitação por parte dos produtores, que devem adotar esses equipamentos como ferramentas essenciais em suas propriedades. No futuro próximo, acredito que os drones possam até substituir pulverizadores e aplicações aéreas de avião”.

Com base na experiência de Leonardo e no avanço das tecnologias de drones, fica evidente que essas ferramentas têm um enorme potencial para impulsionar a agricultura de Mato Grosso. O uso de drones proporciona maior precisão, eficiência e sustentabilidade, auxiliando os agricultores na tomada de decisões estratégicas e na busca por melhores resultados.
“Hoje o carro chefe do mercado que a gente tem é o T40, maior equipamento hoje que a gente consegue adquirir, é um equipamento com capacidade de tanque de quarenta litros e rendimento operacional em média de vinte hectares por hora na lavoura. Ele consegue atender áreas de quinhentos a setecentos hectares sem precisar de pulverizador. Então só com o drone você consegue atender essa área de quinhentos até setecentos hectares com um T40. Esse equipamento vai girar em torno de R$ 230 mil a R$ 300 mil, e você vai precisar de mais alguns equipamentos, gerador e misturador, para adequar no kit”, explicou o coordenador de drones sobre os tipos de equipamentos utilizados na lavoura. Ele afirma também que o T20p é lançamento, com uma capacidade menor no tanque, adequado para áreas pequenas e/ou de pesquisa. Já e os drones T30 são modelos anteriores, mas que ainda tem algumas unidades no mercado para a venda.
Leonardo afirma que muitos produtores estão destinando áreas de 300 e 400 hectares para trabalhar via drones, fazendo aplicação unicamente com o drone. Ele afirma que também é uma escolha adequada para áreas de difícil acesso ou em época de bastante chuva. “O pessoal coloca o drone para entrar em áreas de atoleiro, no momento de chuva você não consegue entrar com o pulverizador pelo terreno, com o drone não há esse problema, você aplica até mesmo logo após uma chuva, não tem essa dificuldade de entrar na lavoura como é com o terrestre, outra colocação são áreas declivosas, bordadura onde o avião não consegue trabalhar direito, usa-se com algumas aplicações específicas, tem clientes que trem o drone somente para fazer bordaduras e arremetas, para melhor controle do bicudo do algodão, que é realmente onde o bicudo está”, explicou.
Ao combinar o uso com técnicas de aprendizado de máquina, os técnicos são capazes de estimar com precisão a cobertura do solo e a altura das plantas, fornecendo dados importantes para a tomada de decisões no manejo agrícola. Essas informações são essenciais para determinar o momento ideal de realizar o pastejo, ajustar a taxa de lotação e planejar o uso das pastagens de forma mais eficiente.
“Além disso os drones também conseguem fazer a parte de dispersão de sólidos, você troca somente o tanque dele, e você consegue fazer aplicação de sólido com o equipamento, pensando aí em uma semeadura de pastagem, um consórcio com braquiária e milho, ou uma semente específica”, comentou.
A primeira tecnologia de uso dos drones foi para o monitoramento, que permite o acompanhamento frequente das áreas cultivadas, proporcionando uma visão abrangente do desenvolvimento das culturas ao longo do tempo. Isso auxilia na detecção precoce de problemas, como pragas, doenças ou deficiências nutricionais, possibilitando a adoção de medidas corretivas de forma rápida e precisa.
“O princípio inicial foi o monitoramento. Começamos monitorando essas áreas, realizando levantamentos, porque, ao visualizarmos de cima e ter uma visão panorâmica do talhão, conseguimos identificar facilmente falhas, manchas e deficiências nutricionais. Também podemos identificar ataques de porcos ou de diferentes pragas. Portanto, é possível fazer esse monitoramento com drones de mapeamento, mas não com os drones de pulverização. Essa abordagem de monitoramento nos permite realizar um trabalho específico e localizado para solucionar esses problemas”, complementou Leonardo.
No contexto de Mato Grosso, estado conhecido por sua expressiva produção agrícola, o uso de drones pode ser especialmente benéfico devido à extensão das áreas cultivadas. A rapidez na coleta de dados proporcionada por eles é essencial para o monitoramento eficiente das lavouras, permitindo uma gestão mais precisa e assertiva.
“Realizando um levantamento aéreo do talhão, é possível capturar essas imagens e inseri-las em um sistema com o auxílio da inteligência artificial. O sistema é capaz de identificar as áreas com presença de plantas daninhas e realizar a aplicação de forma localizada sobre essas plantas. Isso permite atingir apenas o alvo desejado, resultando em economia de herbicida e redução de gastos. Atualmente, especialmente devido ao preço do herbicida, essa aplicação mais concentrada visa obter uma maior assertividade no alvo, ou seja, nas plantas de linha”, explicou.
Além disso, a tecnologia oferece a vantagem de criar um banco de dados visual, que pode ser facilmente acessado e compartilhado entre os produtores e profissionais do setor. Isso possibilita uma maior integração de informações e a implementação de práticas de agricultura de precisão, contribuindo para o aumento da produtividade e redução dos custos.
Leonardo ainda ressaltou que os drones mais modernos, equipados com sensores e câmeras multiespectrais, permitem a obtenção de imagens NDVI do talhão, ou seja, imagens que revelam o índice de vegetação. Isso possibilita identificar deficiências nutricionais nas plantas e tomar medidas corretivas de forma mais precisa.
Com a rápida evolução tecnológica dos drones e o constante aprimoramento de suas funcionalidades, a agricultura de Mato Grosso tem se beneficiado significativamente do uso dessa ferramenta. A adoção dos drones como uma ferramenta de monitoramento e aplicação precisa tem demonstrado um grande potencial para otimizar os processos agrícolas, melhorar a gestão das lavouras e impulsionar a produtividade.
O avanço tecnológico na agricultura moderna, representado pelo uso de drones, é um reflexo da busca contínua por soluções mais eficientes e sustentáveis. Com a combinação de conhecimentos agrícolas, expertise técnica e tecnologia de ponta, profissionais como Leonardo Tomasi Debona estão contribuindo para o desenvolvimento de um setor agrícola cada vez mais inovador e produtivo.





























